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Mostrando postagens de Maio, 2022

David Foster Wallace - O rei pálido: Um romance inacabado

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David Foster Wallace - O rei pálido: Um romance inacabado - Editora Companhia das Letras - 608 Páginas - Tradução de Caetano W. Galindo - Capa: Alceu Chiesorin Nunes - Lançamento: 2022. O romance póstumo de David Foster Wallace (1962-2008) – publicado originalmente em 2011 e finalista do prêmio Pulitzer de ficção de 2012, apesar de tratar-se de uma obra inacabada – representa um desafio para qualquer leitor e, certamente, deve ter sido ainda mais desafiador para Caetano Galindo, o já experiente e premiado tradutor de Ulysses , que resolveu bem a espinhosa tarefa de verter para o nosso idioma o texto original, mantendo o ritmo dos longos e tortuosos parágrafos com vocabulário imprevisível e extensas notas de rodapé, tão importantes para o entendimento da narrativa quanto o texto principal, enfim todo o virtuosismo retórico, como bem definiu Jonathan Franzen, já visto no livro de estreia de Wallace  de 1144 páginas, na edição brasileira, Graça Infinita (Infinite Jest) . Antes de cometer

Adriane Garcia - Estive no fim do mundo e me lembrei de você

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  Adriane Garcia - Estive no fim do mundo e me lembrei de você - Editora Peirópolis - 88 Páginas Projeto gráfico e diagramação: Gabriela Araujo - Lançamento: 2021. A mineira Adriane Garcia já é presença garantida aqui na casa, tendo consolidado o seu nome no cenário da poesia brasileira contemporânea com os recentes:  Garrafas ao mar  (ed. Penalux, 2018),  Arraial do Curral del Rei – a desmemória dos bois  (ed. Conceito Editorial, 2019) e  Eva-proto-poeta  (ed. Caos & Letras, 2020). N este lançamento, ela nos manda lembranças de um local que, infelizmente, está cada vez mais próximo. Os poemas aqui alertam para o descuido do homem ou, mais precisamente, da "elite detentora do capital " em ter levado o ecossistema e a nossa própria espécie à beira da extinção, como descreve Ana Carolina Neves no ótimo prefácio. Afinal, parece que não precisamos do choque de um asteróide para destruir o planeta. E, no entanto, apesar do tom apocalíptico, ainda há esperança para a nossa  &q

André Tessaro Pelinser - O céu das pequenas criaturas

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André Tessaro Pelinser - O céu das pequenas criaturas - Editora Urutau - 92 Páginas Diagramação e Capa: Victor H. Azevedo - Lançamento: 2021. O livro de estreia de André Tessaro Pelinser surpreende  ao apresentar uma poesia engajada que reflete sobre temas políticos e sociais contemporâneos, mas sem descuidar do lirismo. A catástrofe da pandemia está presente em alguns poemas como  políticas públicas : "É preciso e urgente / padronizar a matemática dos corpos / quantificar os sistemas de infecção / organizar a logística dos necrotérios / garantir matéria-prima às funerárias / madeira e carne em ritmo acelerado [...]" (p. 48) ou provas do crime : "as digitais do assassino / dependem de seus cúmplices, / cada morte é um ato de fé coletivo / assinado em papel timbrado / com carimbo ministerial" (p. 54). Certas questões humanas também inspiram o poeta, como a angústia existencial decorrente da passagem do tempo em contagem : "contra o silêncio do mundo / segue ex

Alex Xavier - Não vai dar tempo

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Alex Xavier - Não vai dar tempo - Editora Patuá - 136 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação de Leonardo Mathias - Lançamento: 2022. Grandes nomes da literatura brasileira tiveram origem em redações de jornais e revistas: Machado de Assis, Lima Barreto, Rubem Braga, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Nelson Rodrigues, Millôr Fernandes, João Ubaldo Ribeiro e Luis Fernando Verissimo, para citar apenas alguns.  O texto jornalístico, por mais interessante que seja, já nasce predestinado a uma breve existência nos meios de comunicação impressos ou digitais, além da ameaça de se tornar precocemente datado, devido à velocidade do noticiário atual. A mais recente antologia de contos do jornalista e escritor Alex Xavier apresenta uma ideia genial, todas as 21 narrativas são construídas no limite entre a ficção e a realidade e conforme a divisão das editorias tradicionais de um jornal, por exemplo: Carta do leitor , Brasil , Política , Internacional , Ciência ,

Alan Pauls - A metade fantasma

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Alan Pauls - A metade fantasma - Editora Companhia das Letras - 328 Páginas Capa: Violaine Cadinot - Lançamento: 2022. Assim como no romance O passado , Alan Pauls volta a avaliar neste mais recente lançamento a intimidade da vida amorosa de um casal, no entanto, o contexto aqui é mais atual, abordando a influência da internet, particularmente das plataformas virtuais de comunicação e comércio, nas relações humanas, ferramentas que foram criadas pretensamente com o objetivo de aproximar as pessoas e atingem resultado oposto na prática, acentuando a solidão de uma época globalizada, ainda maior devido ao recente isolamento social provocado pela pandemia. Por sinal, isolamento social é uma expressão que define bem o comportamento de Savoy, o protagonista deste romance, um homem solitário na meia-idade com um hábito muito peculiar: ele visita imóveis para alugar, de preferência ainda ocupados pelos antigos moradores, com a intenção de flagrar com essas "rondas imobiliárias" alg

Alan Pauls - O passado

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 Alan Pauls - O passado - Editora Companhia das Letras - 608 Páginas - Capa: Violaine Cadinot Tradução de Josely Vianna Baptista - Lançamento: 2022. Este é o quarto e mais importante romance do argentino Alan Pauls, escritor,  jornalista, roteirista e crítico de cinema , considerado um dos grandes nomes da literatura latino-americana contemporânea. O livro foi o vencedor do conceituado  Prêmio Herralde de 2003, concedido para obras de ficção em língua espanhola,  adaptado em 2004 para o cinema em filme homônimo de Hector Babenco e lançado originalmente no Brasil pela saudosa Editora Cosac Naify em 2007, sendo relançado agora pela Editora Companhia das Letras, juntamente com a campanha de promoção do novo e aguardado romance de Alan Pauls: A metade fantasma . Rímini e Sofía decidem se separar após 12 anos de uma relação intensa, invejada pelos amigos, que começou ainda na adolescência. A decisão é pacífica e ambos parecem concordar que o melhor caminho é que cada um siga a sua própria v