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Mostrando postagens com o rótulo Poesia brasileira contemporânea

Priscila Faria - Nesse corpo de água doce

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Priscila Faria - Nesse corpo de água doce - Editora Patuá - 112 Páginas - Capa e projeto gráfico: Roseli Vaz - Lançamento: 2026. Os poemas de Priscila Faria neste livro de estreia demonstram coragem ao encontrar  força e beleza no duro aprendizado de ser mulher em nosso país. Um exercício diário de resiliência para conseguir conviver com a violência de gênero que não respeita idade ou laços familiares e tantas vezes termina em feminicídio. É um tema difícil. Parece não caber em versos, e muitos preferem silenciar, mesmo quando a tragédia ocorre tão próxima de nossas casas. No entanto, é preciso resistir e para isso também serve o espaço da poesia:  "aprendi a transitar pelos porões abertos / acender a luz / sacar a caneta // ainda tenho medo / mas aqui não" Priscila transmite intensidade emocional ao descrever o universo feminino em transformação, utilizando a metáfora do corpo como água em movimento, oceano profundo ou rio caudaloso que transborda e ocupa cada vez mais espaç...

Antonio Carlos Secchin - Desmentir

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Antonio Carlos Secchin - Desmentir - Editora Patuá  72 Páginas -  Capa e projeto gráfico: Alessandro Romio - Lançamento: 2026. Seja lidando com formas livres ou estruturas fixas clássicas como os sonetos, rigorosamente metrificados em versos decassílabos ou alexandrinos, a poesia de Antonio Carlos Secchin é inspiradora na sua metalinguagem bem-humorada e carregada de fina ironia, seguindo a melhor tradição de Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade. Mais do que uma mera demonstração de virtuosismo técnico, os poemas reunidos em Desmentir se equilibram entre a erudição e a liberdade criativa, a leveza e a reflexão, provando que não existe incompatibilidade entre o fazer poético tradicional e o contemporâneo. Este seu mais recente lançamento é dividido em três partes: Desmentir , Dez sonetos malcriados e Abecebicho , cobrindo a diversidade de forma e conteúdo que caracteriza o estilo do poeta.   "Lutar com palavras é a luta mais vã" já dizia Drummond, um pensamen...

Paulo Fraga-Queiroz - Pássaros de giz

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Paulo Fraga-Queiroz - Pássaros de giz - Editora 7Letras - 120 Páginas Capa: Gesse Colares - Desenho de capa: Sérvulo Esmeraldo O poeta sabe que a infinita luta com as palavras é a sua companheira das madrugadas, como dizia Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) no clássico O Lutador:   "Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã. [...]" E, de fato, nos versos de Paulo Fraga-Queiroz percebemos essa busca incansável pela palavra exata:  "à sua maneira / minera / a própria alma / entre a lama / e o suor / rompe a fronteira / nada lhe resta / além da eterna peneira [...]" - O poeta insone procura (p. 69). A poesia e os poetas são temas recorrentes neste livro, como em Drummond, em seu bronze habitual (p. 56), uma joia da metapoesia inspirada na estátua do nosso eterno e universal poeta que, por falta de definição melhor, chamamos de modernista. Escrever poemas é, de certa forma, flertar com a ilusão da eternidade, uma tarefa inútil ...

Paula Poc - Artrópode

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Paula Poc - Artrópode - Editora Patuá - 180 Páginas - Capa, projeto gráfico e diagramação: Fernando Campos - Lançamento: 2024. Paula Poc surpreende com a sua prosa poética que utiliza diferentes técnicas narrativas para contar a inusitada história de uma mulher que se apaixona por um inseto. O texto mescla fluxo de consciência, poemas, entradas de diário e cartas, enquanto incorpora definições científicas que adquirem tons oníricos ao longo do livro. Essa fusão entre sonho e realidade permeia toda a obra, tornando o projeto literário da autora difícil de resumir ou categorizar, tanto em sua forma quanto em seu conteúdo. Apesar da inspiração kafkiana da trama nos fazer lembrar do clássico personagem Gregor Samsa e sua improvável metamorfose, em Artrópode as tranformações ocorrem no interior da protagonista-narradora que tenta compreender e superar as perdas amorosas como um processo de evolução. "Te vejo sentado, nitidamente desconfortável, as asas apoiadas formando um ângulo esqu...

Vicente Humberto - Caixa de vazios

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Vicente Humberto - Caixa de vazios - 152 Páginas - Editora Ficções - Capa: Adriana Conti Melo Projeto gráfico: Alonso Alvarez - Lançamento: 2025. A mais recente coletânea de poemas de Vicente Humberto, dividida em três partes: "Uma árvore quase pronta" , "Fazenda harmonia" e "Sombra feliz" , me parece resultar das reflexões de um homem maduro sobre essa coleção de vazios que acumulamos ao longo da vida, justamente quando percebemos que o balanço de perdas e ganhos pode resultar em uma solidão  por vezes desejada, como nos versos de Teoria (p. 34): "A vida / Entristece / Sem pressa / Tudo depende de um / Referencial / Percepções diferentes / Movimento e repouso / Sinto falta da solidão / Celebro" .  E, no entanto, há espaço para a renovação, como o poeta diz em 3 de fevereiro (p. 73): "[...] E o privilégio de não pensar / em nada / Faz pensar tanta coisa / Eu me dou de presente / O café preto que preparei / Alheio / O horizonte atrás / Da ...

Caio Garrido - Marés

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Caio Garrido - Marés - Editora Folheando - 144 Páginas - Capa de Gyzelle Góes - Lançamento: 2023. O livro de poemas de Caio Garrido está dividido em quatro partes: Estuário , Terra em Transe , Maré Alta e Mar Aberto . Os versos nascem a partir da antiga pretensão do homem em compreender a vida e a morte, essa impossibilidade que fica tão evidente quando nos deparamos com a imensidão do oceano ou ainda quando percebemos a fugacidade da memória, como declara o poeta: "Toda vida é sempre a dor de não encontrar / o caminho de volta" ou na sequência: "Na mata virgem / pisamos pela primeira vez / e nos impressionamos / ao repente / com o fato de sermos tão sós / tal pássaro sem voz // Voltamos com a certeza / de que toda juventude / foi embora — / no primeiro passo" . As ondas e os ventos são a inspiração e o ritmo que Garrido busca com seus poemas: "Vontade de chorar / A água salgada é sincera // A mulher é bela / em qualquer lugar // Mas só no mar / É aquarela...

Roberta Lahmeyer - Pés fictícios

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Roberta Lahmeyer - Pés fictícios - Editora Ibis Libres - 96 Páginas - Projeto gráfico, capa e miolo: Angel Cabeza - Foto de capa: Francesca Woodman - Lançamento: 2024. O mais recente lançamento de Roberta Lahmeyer é uma coletânea de poemas que guardam entre si uma interessante relação de intertextualidade com os títulos formados por livros lidos pela autora ao longo da vida. O poema final, "Biblioteca de Babel", faz referência ao conto de Jorge Luis Borges, relacionando todos os autores, com suas citações, organizados em ordem alfabética. A autora demonstra ser, portanto, uma leitora apaixonada ao proporcionar inusitadas associações entre a literatura e a filosofia, como por exemplo: Albert Camus e Jacques Derrida, Baruch Spinoza e Clarice Lispector, Simone de Beauvoir e Junichiro Tanizaki, assim como muitas outras referências cruzadas, apresentando em cada nova página sempre uma surpresa para os leitores. Os poemas, normalmente curtos, são formados por belas imagens e fragme...

Murilo Velludo Ferreira - Teu coração é uma dor sozinha

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Murilo Velludo Ferreira - Teu coração é uma dor sozinha - Editora Mondru - 96 Páginas - Capa e projeto gráfico: Jeferson Barbosa - Ilustrações: Murilo Velludo Ferreira - Lançamento: 2023. O livro de poemas de Murilo Velludo Ferreira, financiado por meio do edital 11/2022 – I Semana Municipal de Poesia “José Roberto Telarolli – O Poeta da Vila” – da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Araraquara, foi publicado em uma edição caprichada da Editora Mondru, contando com acabamento gráfico diferenciado e ilustrações do próprio autor. O excelente título, " Teu coração é uma dor sozinha" ,  já nos coloca no contexto, da obra, entre a cidade e o mar a poesia se inspira na solidão, como bem expresso nos versos de " Residência Declarada" (p.17): "Nascer é isso: / Estamos sós / E isso nos acompanha por toda a vida” . De fato, apesar da convivência virtual e presencial nos grandes centros urbanos, nos sentimos cada vez mais solitários e levamos a vida no mod...

Felipe Franco Munhoz - Dissoluções

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Felipe Franco Munhoz - Dissoluções - Editora Record - 160 Páginas - Design: Leticia Quintilhano - Imagem de capa: Dancing Waltz, Two Models, Animal Locomotion - Eadweard Muybridge (1830-1904) - Lançamento: 2024. O mais recente lançamento de Felipe Franco Munhoz consolida um estilo que incorpora elementos de várias expressões artísticas como: prosa, poesia, dramaturgia, artes plásticas e música. Em um processo de experimentação constante com a linguagem, o autor lida com a forma e o conteúdo em seus textos para obter uma voz única na literatura contemporânea nacional. A apresentação de José Luís Peixoto resume bem o ofício artesanal de todo escritor em busca do inusitado: "A palavra é muito mais do que imaginávamos, comunica de muito mais maneiras. Seguramos a palavra na palma da mão, temos o costume de dá-la e de recebê-la, acreditamos que é um objeto comum. Mas, de repente, diante dos nossos olhos, a palavra parte-se, o seu interior fica exposto e, com surpresa, percebemos que é...

Leonardo Simões - Folha de rosto

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Leonardo Simões - Folha de rosto - Editora Mondru - 80 Páginas -  Capa e projeto gráfico de Jeferson Barbosa - Lançamento: 2023. A prosa poética de Leonardo Simões lida com  os efeitos de uma herança racista ainda presente na formação da identidade nacional e  na fracassada relação amorosa de um casal inter-racial. Um livro que nos faz refletir sobre a grande ironia de viver em um país que se imagina livre do preconceito, mas precisa conviver com as suas contradições internas: "Quando se é pretinho, cabe-se em todos os esconderijos. Escondem as ordens de fora, os mortos do extremo e aquela maldição que a caixa do supermercado diz ao dono quando dois meninos pretinhos entram no corredor de bolachas/biscoitos. [...] Pretinho é camaleão sabe? Fica mas claro conforme o ambiente onde o colocam. Na casa da minha avó de parte de mãe, eu não era pretinho. Era moreno. [..]" ( pretinho - p. 66) O autor busca o seu lugar de fala, uma voz própria, assim como a nossa sociedade, amea...