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Mostrando postagens com o rótulo Literatura africana

Paulina Chiziane - Balada de amor ao vento

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Paulina Chiziane - Balada de amor ao vento - Editora Companhia das Letras - 176 Páginas - Capa e imagem de Angelo Abu - Lançamento: 2022. Balada de amor ao vento , romance publicado originalmente em 1990, marcou a estreia da moçambicana Paulina Chiziane na literatura. Ela, que foi  na época   a primeira mulher a publicar um livro em Moçambique, também foi a primeira africana a ser distinguida com o Prêmio Camões em 2021.  A obra da autora discute as dificuldades e desafios da condição feminina, sujeita aos aspectos políticos, culturais e religiosos da sociedade moçambicana, fortemente patriarcal, criticando a prática de poligamia no país. A descrição lírica da natureza está sempre presente, acompanhando e simbolizando os prazeres e frustrações dos personagens, construindo assim uma prosa poética que, de forma semelhante aos romances de seu conterrâneo Mia Couto, contrasta com a dura realidade de um país que foi devastado pela guerra de libertação e os conflitos civis post...

Vencedores do Prêmio Oceanos 2022

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Divulgados os três livros vencedores do Prêmio Oceanos de Literatura, versão 2022. Líbano, labirinto , da escritora portuguesa Alexandra Lucas Coelho, publicado em Portugal pela Editorial Caminho, ficou em primeiro lugar. Essa é a primeira obra de não ficção a vencer o Oceanos, inscita na categoria crônica. O romance Museu da Revolução , do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, publicado em Portugal também pela Editorial Caminho e no Brasil pela Kapulana, conquistou o segundo lugar. Na terceira posição, ficou o romance O som do rugido da onça , da brasileira Micheliny Verunschk ( ler resenha do Mundo de K ), publicado no Brasil pela Companhia das Letras, que venceu também o Prêmio Jabuti 2022 na categoria Romance Literário. Concorreram ao Prêmio Oceanos, versão 2022, 2.452 obras, de diferentes gêneros, escritas por autores de 17 nacionalidades e publicadas em sete países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal. Foram três etapas de aval...

Finalistas do Prêmio Oceanos 2022

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O Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa 2022 anunciou os dez livros finalistas, que passam para a última etapa de avaliação. Integram a lista diferentes gêneros literários – dois livros de contos, um de crônicas, um de poesia e seis romances. Quatro escritoras brasileiras estão incluídas nesta relação: Micheliny Verunschk com O som do rugido da onça (Companhia das Letras);  Maria Fernanda Elias Maglio, com  Quem tá vivo levanta a mão  (Patuá);  Tatiana Salem Levy, com  Vista chinesa  (Todavia) e  Ana Martins Marques, com Risque esta palavra (Companhia das Letras). Complementam a relação de dez finalistas os três moçambicanos: João Paulo Borges Coelho, com Museu da Revolução (Editorial Caminho e Kapulana); Pedro Pereira Lopes, com O livro do homem líquido (Gala-Gala Edições) e Teresa Noronha, com Tornado (Exclamação); e três portugueses – Alexandra Lucas Coelho, com Líbano, labirinto (Editorial Caminho); Djaimilia Pereira de Almeida,...

Abdulrazak Gurnah - Sobrevidas

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Abdulrazak Gurnah - Sobrevidas - Editora Companhia das Letras - 336 Páginas - Tradução de Caetano W. Galindo - Capa de Oga Mendonça - Lançamento: 2022. Em 2021 o romancista Abdulrazak Gurnah da Tanzânia foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura "por sua compreensão intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino dos refugiados no abismo entre culturas e continentes" , na definição da Academia Sueca. Gurnah nasceu em 1948 e cresceu na ilha de Zanzibar, chegando na Inglaterra na década de 1960 como refugiado. Ele começou a escrever aos 21 anos de idade em inglês sobre o tema cada vez mais atual, infelizmente, dos refugiados. Entre seus dez romances publicados, os mais famosos são Paradise e Desertion , ambos ainda sem edições em português. Este seu mais recente lançamento, publicado originalmente em 2020, é o primeiro livro do autor traduzido no Brasil e tem como pano de fundo a história da colonização europeia ao longo do século XX na África Oriental: ...

Mia Couto - O mapeador de ausências

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Mia Couto - O mapeador de ausências - Editora Companhia das Letras - 288 Páginas - Capa de Alceu Chiesorin Nunes - Ilustração de capa de Angelo Abu - Lançamento: 2021. Moçambique é um país que precisa lidar com a herança de um passado recente muito violento. Depois de uma guerra de libertação que durou cerca de 10 anos, tornou-se independente de Portugal em 25 de Junho de 1975, para iniciar em seguida uma guerra civil, semelhante à de Angola, que durou até 1992, com um saldo de um milhão de mortos em combates e também pelos efeitos da destruição do país que mergulhou em uma crise econômica sem precedentes, provocando a fome e o deslocamento da população. O mais recente lançamento de Mia Couto é um romance com referências autobiográficas no qual ele lança um olhar a estes dois períodos da história de Moçambique, a fase final da guerra de libertação colonial e os efeitos atuais da guerra civil, para contar a história de um protagonista com muitas semelhanças a ele próprio. Diogo Santiago...

Abdulrazak Gurnah - Prêmio Nobel de Literatura 2021

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Abdulrazak Gurnah - Prêmio Nobel de Literatura 2021  (foto de Simone Padovani / Awakening / Getty Images) E, novamente, a Academia Sueca surpreendeu ao anunciar o romancista Abdulrazak Gurnah da Tanzânia, 73 anos, como Prêmio Nobel de Literatura 2021  "por sua compreensão intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino dos refugiados no abismo entre culturas e continentes."   Ele receberá 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões). Até o momento sem livros traduzidos no Brasil, o autor é praticamente desconhecido por aqui. Não é incrível perceber que neste mundo tão globalizado ainda existem escritores notáveis a serem descobertos? Entre seus dez livros publicados, os mais famosos são Paradise  e Desertion , ambos sem edições em português. Publicado em 1994, Paradise conta a história de um menino que cresceu na Tanzânia no início do século 20, durante a Primeira Guerra Mundial. Gurnah nasceu em 1948 e cresceu na ilha de Zanzi...

Mia Couto - Estórias abensonhadas

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Mia Couto - Estórias abensonhadas - Editora Companhia das Letras - 160 Páginas - Capa de Alceu Chiesorin Nunes - Ilustração de Angelo Abu - Lançamento no Brasil: 2016 (9ª reimpressão). É sempre um prazer renovado ler o moçambicano Mia Couto, vencedor do prêmio Camões 2013 e primeiro autor em língua portuguesa a ser finalista do Booker International Prize na versão de 2015. A sua prosa poética é inspirada na rica tradição do folclore africano em contraste com a dura realidade das ex-colônias, depois dos efeitos devastadores de um movimento de guerrilhas pela independência de Portugal (1961 a 1974), sucedido por uma longa e violenta guerra civil (1977 a 1992) que deixou o país em destroços. Este livro, lançado originalmente em 1994, segundo Mia Couto, reúne contos escritos depois da guerra, "entre as margens da mágoa e da esperança" , quando tudo parecia indicar que Moçambique não conseguiria superar a destruição, no entanto, ainda citando a linda introdução do autor: ...

Finalistas do Prêmio Oceanos 2019

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Divulgados os dez finalistas do Prêmio Oceanos de Literatura, versão 2019. Dentro da proposta de configurar um instantâneo da produção literária em língua portuguesa nos diferentes gêneros e representando diferentes países, classificaram-se nove romances e uma coletânea de contos. Neste ano, nenhum livro de poesia, acho difícil entender este critério! Concorrem ao prêmio cinco brasileiros, quatro portugueses e um angolano. A partir de 2015 o Prêmio Portugal Telecom de Literatura foi cancelado pelos antigos patrocinadores, passando a ser chamado de Oceanos - Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa e patrocinado pelo Itaú Cultural. Segundo informações da organização, a edição de 2019 assinalou um recorde de livros concorrentes: 1.467 obras de 14 editoras e 10 países tiveram inscrição validada pela Curadoria do prêmio. Este anos serão escolhidas três obras vencedoras que serão divulgadas no dia 5 de dezembro, no Itaú Cultural, em cerimônia aberta ao público e transmitida ao vivo ...

Finalistas do Prêmio Oceanos 2018

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Divulgados os dez finalistas do Prêmio Oceanos de Literatura, versão 2018. Dentro da proposta de configurar um instantâneo da produção literária em língua portuguesa nos diferentes gêneros e representando diferentes países, classificaram-se quatro romances (dois de autores brasileiros e dois de autores portugueses), um livro de contos e cinco livros de poesia (sendo dois deles de autoria de poetas moçambicanos). A partir de 2015 o Prêmio Portugal Telecom de Literatura foi cancelado pelos antigos patrocinadores, passando a ser chamado de Oceanos - Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa e patrocinado pelo Itaú Cultural. Segundo informações da organização, a edição de 2018 assinalou um recorde de livros concorrentes: 1.364 obras tiveram inscrição validada pela Curadoria do prêmio, ultrapassando assim o número de 1.215 livros inscritos na edição de 2017. Entre favoritos como Milton Hatoum e Sergio Sant'Anna, a surpresa vai para os dois poetas moçambicanos publicados por u...

Mia Couto - O Bebedor de Horizontes

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Mia Couto - O Bebedor de Horizontes (terceiro volume da trilogia "As Areias do Imperador") - Editora Companhia das Letras - 328 Páginas - Lançamento no Brasil: 16/03/2018 (Leia aqui um trecho disponibilizado pela Editora). Recomenda-se ler as resenhas referentes ao primeiro e segundo volumes da trilogia: "Mulheres de Cinzas" e "Sombras da Água" , para melhor entendimento da obra. Este é o último volume da trilogia histórica sobre a queda do Estado de Gaza no final do século XIX, região conhecida hoje como Moçambique e de seu imperador Ngunguyane ou Gungunhana, como era chamado pelos portugueses na época. Assim como os dois primeiros volumes da série, este também é um romance histórico diferente, utilizando-se de pessoas e fatos reais, Mia Couto escreve com a sua forte veia poética e o auxílio da riqueza das lendas do folclore local, para resgatar um pouco da dignidade do povo africano, explorado por um processo brutal de colonização predatória im...

Mia Couto - Sombras da Água

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Mia Couto - Sombras da Água (s egundo volume da trilogia "As Areias do Imperador" )  - Editora Companhia das Letras - 392 Páginas - Lançamento no Brasil: 23/09/2016. Recomenda-se ler a resenha do primeiro volume da trilogia , " Mulheres de Cinzas", para melhor entendimento da obra. Este romance dá continuidade à trilogia histórica que tem como base a ofensiva militar portuguesa, no final do século XIX, contra o último imperador do Estado de Gaza, Ngungunyane, no território que hoje é conhecido como Moçambique. Na verdade, a guerra colonial não era um conflito somente entre dois lados, mas sim uma complexa divisão entre tribos com línguas e culturas diferentes em oposição aos interesses de exploração colonial das metrópoles europeias. "Quantas guerras há dentro de uma guerra? Quantos ódios se escondem quando uma nação manda os seus filhos para a morte?" (Pág. 86). No final do primeiro volume, o sargento português Germano de Melo é gravemente ...

Mia Couto - Vozes Anoitecidas

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Mia Couto - Vozes Anoitecidas - Editora Companhia das Letras - 152 Páginas - Lançamento no Brasil: 17/10/2013. Publicado originalmente em 1987, "Vozes Anoitecidas"  foi a primeira coletânea de contos de Mia Couto. Na época, já conhecido como jornalista e poeta, ele surpreendeu público e crítica com as doze narrativas deste livro, onde já estavam presentes todos os elementos que marcaram o estilo único do escritor moçambicano ao longo de sua carreira que culminou com o recebimento do prêmio Camões em 2013. Aqui encontramos o exercício de recriação da linguagem e a invenção de palavras que lembra muito o nosso Guimarães Rosa, utilizando uma mistura de poesia e sonoridade do português coloquial da África, sempre norteado pela preocupação com os problemas sociais que ficam evidentes quando se faz a ligação entre a rica tradição do folclore e a dura realidade atual das ex-colônias. Como bem definiu o poeta conterrâneo José Craveirinha no prefácio à edição portuguesa, "Mia Cou...

Mia Couto - Cada homem é uma raça

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Mia Couto - Cada homem é uma raça - Editora Companhia das Letras - 200 páginas - Lançamento  no Brasil: 11/04/2013. No momento em que desembrulho minhas lembranças dos onze contos desta coletânea, publicada originalmente em 1990, penso em escrever uma resenha que permita aos leitores sobressonhar com a  parecença do texto, usando um pouco da linguagem inventada pelo moçambicano Mia Couto. Pescando uma palavra aqui e outra ali da prosa mágica do autor, tento mostrar um pedacinho do seu mar de poesia no onduralar que seus sonhos imaginadavam , mas acabo ficando  imovente  e receio  desconseguir completar a tarefa, um verdadeiro drible nos corretores ortográficos. Contudo, nesse enquanto , vem andarilhar comigo no desfolhar das tardes e conhecer uma imagem forte da sofrência do povo africano, uma terra sem dúvida devastada pelas guerras e ganância dos colonizadores, mas onde ainda sobrevive a esperança no espírito livre do homem, pelo menos na literatura de...