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Mostrando postagens com o rótulo Literatura chilena

Jeferson Tenório - Estela sem Deus

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Jeferson Tenório - Estela sem Deus - Editora Companhia das Letras - 184 Páginas - Capa de Alceu Chiesorin Nunes - Imagem de capa: At the gates of paradise de Antonio Obá - Lançamento: 2022. Antes do seu premiado romance O avesso da pele , publicado em 2020 (vencedor do Jabuti 2021 e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano), Jeferson Tenório já havia lançado  Estela sem Deus em 2018, prêmio Ages – Associação Gaúcha de Escritores – na categoria Narrativa longa e finalista do Prêmio Minuano de Literatura, na categoria Ficção/ Romance – Novela, ambos os prêmios em 2019. Agora temos uma boa oportunidade de conhecer  Estela sem Deus  que está sendo relançado pela Companhia das Letras. Os dois romances têm em comum a desigualdade social provocada pelo racismo em nossa sociedade, os traumas provocados nas relações familiares e na formação da identidade dos personagens. N o entanto, o modo de condução das narrativas é bem diferente, demonstrando a versatilidade...

Roberto Bolaño - A Universidade Desconhecida

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Roberto Bolaño - A Universidade Desconhecida - Editora Companhia das Letras - 832 Páginas - Tradução de Josely Vianna Baptista - Capa: Raul Loureiro - Imagem de capa: Paisagem com caminho, de Rodrigo Andrade, 2019 - Lançamento: 2021. Roberto Bolaño (1953-2003) se tornou mundialmente conhecido após o lançamento de seus monumentais romances  2666 e Os detetives selvagens . 2666 , por exemplo, foi publicado postumamente na Espanha em 2004 e alcançou um tremendo êxito editorial após a tradução americana, lançada nos EUA em 2008, eleito o livro do ano pela Time Magazine e vencedor do National Book Critics Award daquele ano, elevou o autor chileno (e que então todos imaginavam ser mexicano) à categoria de mito literário, comparado somente aos escritores da geração beat.  Tanto sucesso na prosa ofuscou o talento de Roberto Bolaño como poeta, apesar dele ter mantido uma produção constante de poesia por toda a vida, refletindo a solidão do exílio e a aproximação da morte prematura, co...

Isabel Allende - Filha da fortuna

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Isabel Allende - Filha da fortuna - Editora Bertrand - 378 Páginas - Capa: Angelo Allevato Bottino - Tradução de Mario Pontes - Lançamento: 10/09/2018. Temos que aceitar o fato de que nem sempre o leitor está interessado em livros complexos e com técnicas literárias sofisticadas, tais como: múltiplas vozes narrativas , oscilações no tempo e no espaço, uso de metaficção, personagens com densidade psicológica e tantos outros recursos, experimentais ou não, que os críticos costumam associar à qualidade do texto. Na verdade, muitas vezes o leitor está buscando apenas um romance para ler nas férias, visando unicamente o entretenimento, se for este o caso recomendo Filha da fortuna de Isabel Allende, lançado originalmente em 1999 e relançado agora em 12ª edição pela Editora Bertrand. Filha da fortuna é um romance histórico ambientado na primeira metade do século XIX com uma trama novelesca cheia de reviravoltas, aventuras em quatro continentes e paixões de tirar o fôlego, tudo isso...

Pablo Neruda - Livro das Perguntas

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Pablo Neruda - Livro das Perguntas - Editora Cosac Naify - 182 Páginas -  Tradução de Ferreira Gullar - Lançamento: 22/04/2008 Este livro póstumo de difícil classificação — digamos antologia poética por falta de definição melhor — do chileno Pablo Neruda (1904-1973), Nobel de Literatura 1971, publicado pela primeira vez em 1974 pela editora argentina Losada e lançado na Espanha em 1977, foi publicado no Brasil em 2008 como parte do acervo da Cosac Naify com o bonito e tradicional projeto gráfico da extinta editora, ilustrações de Isidoro Ferrer e tradução do nosso grande poeta Ferreira Gullar. É hoje, portanto, uma peça de colecionador e aguarda o relançamento por alguma editora nacional. Uma opção para o leitor brasileiro é a versão de 2004 da Editora LPM, Coleção Pocket, tradução de Olga Savary, sem o belo acabamento da Cosac Naify, mas com a vantagem de ser uma edição bilíngue. Um livro que já foi classificado até mesmo como literatura infantil, coisa q...

As 20 melhores obras em castelhano dos últimos 25 anos

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Roberto Bolaño em 1997 - Foto de Manolo S. Urbano Milton Ribeiro, em matéria para o Sul 21, destacou uma lista comemorativa dos 25 anos do Babelia, suplemento cultural do jornal El País. A relação completa de 100 obras foi elaborada por 50 escritores, críticos e editores de países com o castelhano como língua oficial. Procurei relacionar aqui as 20 obras mais bem colocadas e as traduções disponíveis no Brasil. Infelizmente alguns títulos ainda estão inéditos ou com suas edições esgotadas, uma boa dica de lançamento para as editoras nacionais. Ah sim, não surpreende muito constatar que o chileno Roberto Bolaño foi o mais votado, além de ter levado de quebra a terceira colocação. Um excelente resumo da literatura contemporânea em castelhano. (01) 2666 , Roberto Bolaño (2004) - Chile No Brasil: "2666" - Editora Companhia das Letras ( Ler aqui resenha do Mundo de K) (02) La Fiesta del Chivo , Mario Vargas Llosa (2000) - Peru No Brasil: "A Festa do Bode...

Alejandro Zambra - Bonsai

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Alejandro Zambra - Bonsai - Editora Cosac Naify - 96 páginas - Tradução de Josely Vianna Baptista - Lançamento no Brasil em Maio de 2012. O romance de estreia do premiado e jovem autor chileno Alejandro Zambra, publicado originalmente em 2006, parte da irresistível ideia de comparar literatura com a arte de cultivar um bonsai, já que como o próprio Zambra definiu em seu site: "escrever é podar os ramos até tornar visível uma forma que já estava ali" . A comparação é perfeita e qualquer pessoa que já tenha passado pela experiência de desenvolver um texto e lidar com a eliminação de palavras, sejam elas substantivos, advérbios ou adjetivos, irá se identificar imediatamente com o paciente trabalho de criar uma réplica artística de uma árvore em miniatura. A estrutura deste romance "miniatura" é construída sobre o intenso e breve caso amoroso de Julio e Emilia, que se relacionam tendo basicamente o sexo e a leitura como elos de ligação. O comprometimento de Zam...

Roberto Bolaño - Putas assassinas

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Roberto Bolaño - Putas asesinas - Editorial Anagrama - 232 páginas - Lançamento original 2001. Publicado no Brasil pela editora Companhia das Letras em 19/03/2008 como Putas assassinas , tradução de Eduardo Brandão. Naturalmente que este título provocador pode induzir a ideia de uma obra erótica ou francamente pornográfica, nada mais falso já que não há como deixar de pensar no chavão obra-prima ao ler alguns dos contos desta coletânea que mostra uma técnica mais do que segura de Roberto Bolaño (1950 - 2003) na condução das narrativas curtas (bem diferente do estilo de 2666 e Os Detetives Selvagens ). Uma técnica que emociona porque utiliza temas contemporâneos, mas também remete aos grandes mestres do gênero como Borges, Cortázar e Poe, justamente quando já imaginávamos a literatura uma arte agonizante neste início do século XXI. Afinal, por que gostamos tanto dos livros de Bolaño? Influência de uma estratégia de marketing ou, pelo contrário, por ser um escritor visceral, verdad...

Roberto Bolaño - O Terceiro Reich

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Roberto Bolaño - O Terceiro Reich - Editora Companhia das Letras - 344 páginas - Lançamento 19/01/2011 - Tradução de Eduardo Brandão (ler aqui um trecho no site da editora). Escrito originalmente em 1989 e lançado postumamente em 2010 pela editora espanhola Anagrama em Barcelona, como a maioria dos livros do hoje aclamado escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003), é mais uma incursão no estilo aberto e, de certa forma, mal acabado, que é uma das características dos seus textos mais longos, como 2666 . Esta irregularidade de estilo, forjada ou não, combina com os temas preferidos de Bolaño, como a violência gratuita nas grandes cidades, o efeito melancólico do exílio em seus personagens e a falta de sentido da guerra. A narração é feita em primeira pessoa, utilizando-se o recurso de um diário escrito pelo protagonista Udo Berger , jovem alemão que decide passar alguns dias de férias com a namorada, Ingeborg, em um hotel no litoral da Espanha. Udo é viciado em jogos de est...

Granta Vol. 10 - Medidas Extremas

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Revista Granta Vol. 10 - Editora Objetiva, Selo Alfaguara - Lançamento: 2012. A seleção de autores desta décima edição da revista Granta em português chama a atenção pela diversidade de estilos (apesar de todos reunidos em torno do mesmo tema: Medidas Extremas ), variando de autores tão diferentes quanto Don DeLillo, Stephen King e António Lobo Antunes, incluindo escritores contemporâneos como Roberto Bolaño, Will Self e Alice Munro e ainda sem esquecer da participação de autores nacionais, com contos de Everardo Norões, Beatriz Bracher, Adriana Lisboa e Andréa del Fuego. Assim como em outras edições da Granta, foi acrescentado também um ensaio fotográfico das esculturas do artista plástico mineiro Matheus Rocha Pitta. A abertura desta edição é de um conto de Will Self originalmente publicado na edição inglesa da Granta Nº 117 de 2011 sobre terror. Neste conto, Sangue Falso , Will Self narra o impacto de um diagnóstico de Policitemia vera (aumento de glóbulos vermelhos ...

Nicanor Parra (1914-2018)

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Morreu, aos 103 anos, o chileno Nicanor Parra (1914-2018), "antipoeta" como ele mesmo se definia, foi também físico e matemático. Seu livro mais famoso, Poemas e Antipoemas (1954), se tornou um clássico da literatura latino-americana. Ele foi vencedor do Prêmio Cervantes de Literatura 2011 e considerado um dos maiores poetas chilenos, ao lado de Pablo Neruda, Gabriela Mistral e Vicente Huidobro.  Segundo Carlos Nejar, escreveu no excelente artigo:  "Nicanor Parra e Vinícius de Moraes" , publicado em edição bilingue pela Academia Brasileira de Letras e Academia Chilena de la Lengua: "Nicanor Parra, rebelde, contrário ao sistema que impõe suas regras, às vezes estranho, fantástico, antissentimental, forjou seus antipoemas, ainda que 'com odor delicado de violetas', para expressar seu descontentamento com o rumo da literatura tradicional, operando com força desmistificadora. (...) o antipoema abriga a poesia ao avesso, poesia integralmente, sem rasu...