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Tobias Carvalho - As coisas

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Tobias Carvalho - As coisas - Editora Record - 144 Páginas - Capa: Renan Araujo - Lançamento: 22/10/2018.
Vencedor do prêmio Sesc de Literatura de 2018 na categoria de contos, Tobias Carvalho apresenta uma variedade de técnicas narrativas em As coisas, mas sempre com base em uma mesma unidade temática, que ainda enfrenta barreiras para encontrar espaço na literatura brasileira, os encontros e desencontros de um jovem homossexual em nossa época de redes sociais e aplicativos de encontros sexuais. O texto, direto e sem concessões, descreve uma realidade que ainda tem muito de clandestina e é ignorada ou evitada por grande parte da sociedade brasileira, com poucos autores dedicados, como o já clássico Caio Fernando Abreu ou, mais recentemente, João Silvério Trevisan.

Normalmente, como não poderia deixar de ser, trata-se de uma literatura de resistência, marginalizada e impregnada de contestação e ativismo político. No entanto, seria uma injustiça com Tobias Carvalho, aprisionar o seu livro…

Vencedores do Prêmio Jabuti 2018

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O cearense Mailson Furtado Viana venceu a 60ª edição do Prêmio Jabuti, o mais tradicional troféu literário do Brasil, na categoria Poesia e também foi escolhido pela organização como livro do ano. A obra "à cidade" foi publicada de forma independente, o que pode inspirar outros autores sem contratos com editoras. Segundo matéria do jornal Estadão:
Esse livro foi todo feito à mão, inclusive o desenho da capa é meu”, disse o autor, emocionado, no palco. “Estou ainda mais feliz porque é uma obra que narra sobre o meu lugar. Uma cidade (Varjota) que nasceu há menos de 50 anos e nunca entrou em nenhum registro bibliográfico.”O prêmio de Romance do ano  foi para Carol Bensimon, por "Clube dos Jardineiros de Fumaça" da Editora Companhia das Letras, e Maria Fernanda Elias Maglio levou o primeiro lugar na categoria Contos com ""Enfim, Imperatriz", lançamento da valente editora independente Patuá. 

Segue abaixo a relação completa de vencedores de cada uma das de…

Juliana Leite - Entre as mãos

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Juliana Leite - Entre as mãos - Editora Record - 256 Páginas - Capa de Leonardo Iaccarino sobre ilustração de Jeanie Tomanek (Paper Doll, óleo e colagem, 2009) - Lançamento: 22/10/2018.
Romance vencedor do prêmio Sesc de Literatura de 2018, Entre as mãos surpreende pela originalidade na construção do texto e uma segurança difícil de se encontrar em uma autora estreante. Alternando passado, presente e futuro, assim como diferentes vozes narrativas, Juliana Leite apresenta ao leitor uma sofrida protagonista chamada Magdalena, jovem tecelã que sobrevive a um grave acidente, passando por um longo período em coma no hospital e um posterior processo de reaprendizado da fala e de reconstrução do corpo, incluindo uma das mãos, severamente queimada, em uma imagem que é uma das chaves do livro: "usar as mãos para sobreviver".

Na verdade, o tema principal do romance é a sobrevivência em um sentido bem mais amplo do que a recuperação física devido aos efeitos brutais do acidente. Magdalen…

Vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2018

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Divulgados os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, versão 2018. A premiação, promovida pelo Governo do Estado de São Paulo, é dividida em três categorias com os seguintes valores: R$ 200 mil, na categoria Melhor Livro de Romance do Ano; R$ 100 mil, na categoria Melhor Livro de Romance do Ano – Autor Estreante com até 40 anos e R$ 100 mil, na categoria Melhor Livro de Romance do Ano – Autor Estreante com mais de 40 anos. Todos os livros foram publicados em 2017.

Este ano temos três mulheres com três livros fortes dividindo a premiação: Ana Paula Maia (Editora Record), Aline Bei (Editora Nós) e Cristina Judar (Editora Reformatório). Fico particularmente feliz pelo reconhecimento para a jovem escritora Aline Bei que resenhei este ano aqui na página (Ler aqui resenha completa para O Peso do Pássaro Morto). Outra boa notícia é a escolha de duas editoras independentes: Nós e Reformatório. Segue relação das vencedoras com resumo biográfico disponibilizado pela organização e sinopse …

Gilles Deleuze - Diferença e Repetição

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Gilles Deleuze - Diferença e Repetição - Editora Paz e Terra - 420 Páginas - Tradução de Luiz Orlandi e Roberto Machado - Capa: Victor Burton - Lançamento: 24/09/2018.
O francês Gilles Deleuze (1925-1995) é um dos pensadores mais importantes do século XX e este livro, publicado originalmente em 1968, como tese de doutorado, tornou-se uma obra indispensável para o estudo da filosofia contemporânea, o que justifica o seu relançamento agora pela Editora Paz e Terra em comemoração ao 50º aniversário da primeira edição.

No entanto, não é uma obra de fácil entendimento para os leitores não familiarizados com textos da área de filosofia, notadamente de autores como: Espinosa, Kant, Hegel, Heidegger e Nietzsche, para citar apenas alguns. Acompanhar o raciocínio de Deleuze, portanto, exige alguma bagagem prévia nesta área, assim como atenção redobrada do leitor devido à subjetividade dos conceitos. Afinal, como o próprio autor declara no prólogo ao livro: "Como escrever senão sobre aquilo q…

Finalistas do Prêmio Oceanos 2018

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Divulgados os dez finalistas do Prêmio Oceanos de Literatura, versão 2018. Dentro da proposta de configurar um instantâneo da produção literária em língua portuguesa nos diferentes gêneros e representando diferentes países, classificaram-se quatro romances (dois de autores brasileiros e dois de autores portugueses), um livro de contos e cinco livros de poesia (sendo dois deles de autoria de poetas moçambicanos).

A partir de 2015 o Prêmio Portugal Telecom de Literatura foi cancelado pelos antigos patrocinadores, passando a ser chamado de Oceanos - Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa e patrocinado pelo Itaú Cultural. Segundo informações da organização, a edição de 2018 assinalou um recorde de livros concorrentes: 1.364 obras tiveram inscrição validada pela Curadoria do prêmio, ultrapassando assim o número de 1.215 livros inscritos na edição de 2017.

Entre favoritos como Milton Hatoum e Sergio Sant'Anna, a surpresa vai para os dois poetas moçambicanos publicados por uma editora i…

André Nigri - Paralisia

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André Nigri - Paralisia - Editora Reformatório - 184 Páginas - Design e editoração eletrônica: Negrito Produção Editorial - Lançamento: 2018
O escritor e jornalista mineiro André Nigri marca a sua estreia na literatura com Paralisia, um romance forte, com múltiplas técnicas narrativas e um texto que vai direto ao ponto, sem retoques. Solidão e sofrimento são as matérias-primas trabalhadas pelo autor a partir da história de vida do protagonista Jofre Monteiro, que chega à meia idade com contradições e fragilidades, acumulando fracassos e casamentos, em um estado permanente de paralisia moral. 

Filho único de um advogado de forte personalidade, que fez fortuna ao defender políticos e empresários corruptos, e uma mãe ausente, Jofre, desde cedo, aprendeu a conviver com a infelicidade matrimonial dos pais e herdou uma fortuna que o ajudou a manter a sua postura de imobilidade, uma pessoa que se deixou levar pela vida, sem dar continuidade a qualquer projeto ou carreira profissional, "am…

Antoine Lilti - A invenção da celebridade

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Antoine Lilti - A invenção da celebridade (1750-1850) - Editora Civilização Brasileira - 452 Páginas - Imagem de capa: Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun, Marie-Antoinette (adaptado) - Tradução de Raquel Campos - Lançamento: 03/09/2018.
O termo celebridade é associado normalmente aos fenômenos de cultura de massa desenvolvidos a partir do século XX, seja por meio do cinema, da televisão ou, mais recentemente, do uso compulsivo das redes sociais. No entanto, segundo a tese do historiador francês Antoine Lilti, detalhada neste livro, alguns sinais do culto à personalidade e suas consequências, como as conhecemos hoje, já existiam nas grandes metrópoles europeias desde o iluminismo do século XVIII, inclusive os primeiros questionamentos de valor, tão discutidos em nossa época, sendo a celebridade ao mesmo tempo desejada e desdenhada, fonte de prestígio e de contestação, consistindo apenas em visibilidade social, nem sempre apoiada por méritos e decorrente apenas de um fenômeno midiático.

Uma d…

Anna Burns - Man Booker Prize 2018

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Provavelmente você nunca ouviu falar de Anna Burns, vencedora do Man Booker Prize 2018 com o romance Milkman, mas certamente esta premiação irá ajudar muito na divulgação e publicação da autora irlandesa de 56 anos em todo o mundo. O tema é o assédio sexual, narrado do ponto de vista de uma adolescente de 18 anos que é perseguida por um homem mais velho. A declaração de um dos juízes, o filósofo Kwame Anthony Appiah, citada no tradicional jornal inglês Guardian, dá um sinal da prosa inovadora da escritora: “Nunca lemos nada do gênero, a voz totalmente característica de Anna Burns desafia o pensamento e forma convencionais com uma prosa surpreendente e imersiva. É uma história de brutalidade, de assédio sexual e resistência, à qual se junta um humor mordaz.”

Ano passado George Saunders foi o vencedor do Booker Prize com o excepcional romance Lincoln no Limbo, publicado este ano pela Companhia das Letras (Ler aqui resenha do Mundo de K). Anna Burns leva as 50 mil libras do prêmio em uma …

Nuno Rau - Mecânica Aplicada

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Nuno Rau - Mecânica Aplicada - Editora Patuá - 150 Páginas - Projeto Gráfico, capa e design: Pepe Donato e Italo Freitas - Lançamento: 2017.
O carioca Nuno Rau é um dos finalistas do Prêmio Jabuti 2018, categoria Poesia, com esta coletânea de poemas, Mecânica Aplicada, que insinua no título e na capa uma improvável conexão entre a cultura e a máquina. Bem, posso garantir, por experiência própria, que engenheiros e arquitetos não são insensíveis ao apelo da arte e que também ocorre muitas vezes da poesia se inspirar nas ciências exatas, mesmo que seja para subverter os mecanismos da realidade e encontrar um sentido – por meio da subjetividade da palavra – que justifique a existência do homem no mundo.
Como Nuno Rau destaca na sua apresentação e nas epígrafes, o grande tema da Máquina do Mundo é recorrente em muitas obras na literatura, de Luís Vaz de Camões até Carlos Drummond de Andrade e, continuando de forma despretensiosa (como bom poeta), o autor explica o seu falso método de conver…
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