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Albert Camus - A Morte Feliz

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Albert Camus - A Morte Feliz (La Mort Heureuse) - Editora Record - 192 Páginas - Tradução de Valerie Rumjanek - Lançamento: 19/03/2018.

Mais um livro da Editora Record em continuidade ao projeto de relançamento da obra completa do argelino radicado na França Albert Camus (1913-1960), Prêmio Nobel de Literatura de 1957, com todas as capas em novo e bonito projeto gráfico: “O avesso e o direito”, “O exílio e o reino”, “A inteligência e o cadafalso”, “A morte feliz”, “O mito de Sísifo” e “Estado de sítio”. No ano passado já haviam sido relançados: “O estrangeiro”, “A peste”, “O homem revoltado” e “Diário de viagem”.

"A morte feliz" é um romance breve que foi publicado postumamente em 1971 com base em fragmentos elaborados por Albert Camus no período de 1936 a 1938 e de forte cunho existencialista. O argumento principal, como é comum em grande parte da obra do autor-filósofo, é a inadaptação do homem ao meio em que vive, a busca pela felicidade, a sua consciência da morte e o sen…

Emancipação e História - José Maurício Domingues

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Emancipação e História - O Retorno da Teoria Social - José Maurício Domingues - Editora Civilização Brasileira - 294 Páginas - Lançamento: 23/04/2018.
Uma leitura que exige formação acadêmica na área de ciências sociais, particularmente a sociologia, ou alguma pesquisa anterior sobre conceitos de teoria sociológica, emancipação social, modernidade política, teoria crítica, marxismo e pensadores da Escola de Frankfurt como Theodor Adorno e Max Horkheimer. Caso o leitor não tenha conhecimento prévio sobre os temas citados dificilmente poderá acompanhar o nível de aprofundamento teórico do autor, o sociólogo José Maurício Domingues, doutor em sociologia pela London School of Economics and Political Science e professor / pesquisador da UERJ, que apresenta neste livro nove artigos já editados em publicações sobre sociologia no Brasil e no exterior.

O autor aborda o tema da modernidade global do ponto de vista da teoria sociológica crítica com citações a estudiosos da área de história, filoso…

Israel: uma história - Anita Shapira

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Israel: uma história - Anita Shapira - Editora Paz e Terra - 630 Páginas - Tradução de Debora Fleck e Samuel Feldberg - Lançamento: 18/06/2018.
Existe uma tendência simplificadora em alguns livros de história ao considerar a formação de Israel somente a partir do voto de partilha da ONU em novembro de 1947 quando, após o final da Segunda Guerra Mundial, foi aprovado o plano de divisão da Palestina em dois Estados, um judeu e outro árabe, ficando as áreas de Jerusalém e Belém sob controle internacional, e tendo sido a citada Resolução 181 das Nações Unidas apenas um resultado da influência da opinião pública mundial, como uma forma de reparação pelo Holocausto.

Anita Shapira, pesquisadora e professora da Universidade de Tel Aviv, apresenta neste livro a história da formação do Estado de Israel de uma forma bem mais abrangente e independente, desde o surgimento do movimento sionista na Europa até o final do século XX, sem evitar os aspectos mais polêmicos da eterna crise no Oriente Médio,…

Judith Butler - Corpos em aliança e a política das ruas

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Judith Butler - Corpos em aliança e a política das ruas - Notas para uma teoria performativa de assembleia - Editora Civilização Brasileira - 266 Páginas -  Tradução de Fernanda Siqueira Miguens - Lançamento: 18/06/2018.
Neste mais recente lançamento da filósofa norte-americana Judith Butler, teórica especializada nas áreas de filosofia política, ética e estudos de gênero, a autora aborda um tema extremamente atual e de abrangência global, as manifestações populares como forma de expressão política, o corpo como forma de resistência e a criação de um novo espaço político. 

A atualidade e urgência dessa forma de expressão é sinalizada pelas condições precárias a que estão submetidas parcelas consideráveis da população em todo o mundo, fato comprovado por recentes eventos performativos de grandes proporções como as manifestações na Praça Tahrir, no Egito em 2011, que provocaram a queda do presidente Hosni Mubarak, o movimento de protesto Occupy Wall Street contra a desigualdade econômica…

Longlist do Man Booker Prize 2018

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Divulgada a Longlist com os 13 finalistas da edição 2018 do Man Booker Prize. Este ano a surpresa ficou por conta da escolha de uma história em quadrinhos, HQ ou graphic novel, como é chamada atualmente este tipo de publicação. Sabrina, do cartunista norte-americano Nick Drnasodo, tem como base o desaparecimento de uma garota e a forma como isto afeta sua irmã Sandra e o namorado Teddy. O contexto é o isolamento em nossa era das redes sociais e as fake news. Se Sabrina é o azarão desta edição do Booker, o favorito é o canadense Michael Ondaatje que acabou de levar no início deste mês o Golden Man Booker Prize em comemoração aos 50 anos da premiação mais importante em língua inglesa.

Segue a relação completa de finalistas com os links para maiores informações do Man Booker:

Snap de Belinda Bauer (Inglaterra)

Milkman de Anna Burns (Inglaterra)

Sabrina de Nick Drnaso (EUA)

Washington Black de Esi Edugyan (Canadá)

In Our Mad And Furious City de Guy Gunaratne (Inglaterra)

Everything Under de Dais…

Alex Andrade - Antes que Deus me esqueça

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"O homem não foi feito para a derrota. Um homem pode ser destruído. Não derrotado.", esta citação de O Velho e o Mar de Ernest Hemingway, escolhida por Alex Andrade para a epígrafe do seu romance Antes que Deus me esqueça, resume bem o destino de Joca, o sofrido protagonista que passou a se chamar assim depois de um erro do escrivão do cartório, pois seu nome deveria ter sido Joaquim de Jesus Silva, igual ao avô que tinha ascendência portuguesa, como era a vontade da mãe Joana, nascida parda e pobre no subúrbio do Rio de Janeiro, em uma família de oito irmãos e uma tia encalhada que tomava conta das crianças enquanto a mãe lavava roupas para fora.
A simplificação do nome na certidão de nascimento foi um dos muitos erros que levaram Joca até a situação na qual o encontramos no início do romance, em uma cela miserável de presídio: "Faz mais ou menos um ano e meio que divido a cela com mais seis pessoas, antes éramos três. Não dá para confiar nem para reclamar, qualquer atr…

Andrea Dip - Em nome de quem?

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Andrea Dip - Em nome de quem? A bancada evangélica e seu projeto de poder - Editora Civilização Brasileira - 160 Páginas - Lançamento: 21/05/2018.
Este livro-reportagem aborda um tema importante, delicado e extremamente atual ao avaliar a atuação do Congresso brasileiro na legislatura 2015-2019 e o crescimento da bancada evangélica durante o período. A jornalista Andrea Dip descreve alguns eventos marcantes e recentes da política nacional e os possíveis desdobramentos na eleição presidencial que ocorrerá este ano. Não é uma tarefa simples entender a história no momento em que ela está acontecendo, principalmente quando o entendimento envolve dois assuntos que não deveriam se misturar: política e religião. Independente da orientação política e religiosa do leitor, o livro é uma fonte valiosa de informação para sabermos onde estamos e para onde vamos.

O processo de impeachment de Dilma Rousseff e a formação e sustentação do governo de Michel Temer, foram viabilizados pela aproximação dos …

Sara anda mais bonita, um conto de Valéria Martins

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Mulher com Gato (1953) - Di Cavalcanti
Sara anda mais bonita (Valéria Martins)
Ela sempre foi bonita, mas agora está mais. Não sei o que anda fazendo. Escova progressiva, regime. Só sei que de repente passou a brilhar. Todo mundo olha, até eu. Ela trabalha do meu lado. Às vezes, me desvio do que estou fazendo para olhar.
Sara sempre foi tranquila, boazinha... Mas começou a mudar devagarinho o jeito de ser. Um sorriso de canto de boca, um olhar malicioso. Até o jeito de andar mudou, agora rebola demais.
Também faço escova progressiva e regime, mas não tem o mesmo efeito. Meu cabelo parece caroço de manga chupada. Meus ossos são pontudos e o regime os faz mais salientes. Tento rebolar e imitar o novo jeito de olhar da Sara, mas duvido que pareça com ela.
Sexta passada, saímos juntas do escritório. A turma foi beber e o bar era perto da casa dela. Me convidou a subir e tomar uma ducha. Ainda podíamos retocar a maquiagem. O apartamento é uma quitinete em Copacabana com vista para a área interna…

Jacques Fux - Nobel

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Jacques Fux - Nobel - Editora José Olympio - 128 Páginas - Lançamento: 02/04/2018.
Este ano fomos surpreendidos pela declaração da tradicional Academia Sueca sobre o cancelamento do prêmio Nobel de literatura de 2018 devido ao escândalo envolvendo integrantes da organização com denúncias de assédio sexual e suspeitas de corrupção. Muitas críticas já foram feitas no passado à Academia pela falta de transparência nos critérios de escolha, assim como pela influência política e econômica nos resultados em detrimento do valor literário das obras, como demonstra a concentração de laureados em língua inglesa, francesa, italiana e alemã, fato que nos faz pensar se não há também livros de valor sendo escritos em japonês, chinês, hebraico e português. Por sinal, o nosso idioma pátrio foi lembrado uma única vez, com José Saramago, em mais de cem anos.

Nesse contexto, Nobel,quarto romance (se é que podemos chamar assim, por falta de definição melhor) e mais recente lançamento do escritor mineiro Ja…

Geny Vilas-Novas - Fazendas ásperas

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Geny Vilas-Novas - Fazendas ásperas - Editora 7 Letras - 216 Páginas - Lançamento: 2017.
Ao iniciar este texto, enfrento o primeiro impasse de todo resenhista que precisa apresentar informações objetivas ao leitor e, por este motivo, é sempre um escravo dos enquadramentos, fico com a seguinte dúvida: como resumir o gênero literário da mineira Geny Vilas-Novas? Memorialismo, autobiografia, romance de ficção ou prosa poética? Talvez um pouco de tudo isso em uma estrutura narrativa que oscila todo o tempo entre a primeira e a terceira pessoa, presente e passado, regional e universal. Bem, já se percebe que temos aqui um autêntico exercício de literatura na melhor tradição de outros grandes escritores de Minas Gerais.

A autora, que é também a protagonista na imagem da "Mãe rainha do lar", e tem na Literatura o seu refúgio, trabalha com um núcleo de personagens no presente, formado pelo "Pai" (na verdade, o marido), a "Nora de Olhos Oblíquos e Cor de Ônix", a &q…
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