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Mostrando postagens de 2024

Elton Frederick - A vida breve dos cães

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Elton Frederick - A vida breve dos cães - Editora Mondru - 248 Páginas Capa e Projeto Gráfico de Jeferson Barbosa - Lançamento: 2023. O romance de estreia de Elton Frederick pode ser considerado uma ficção especulativa, gênero que se confunde com a distopia, contudo extrapolando situações reais similares da atualidade, por exemplo o controle da liberdade de expressão política e religiosa em regimes totalitários, o preconceito e a violência de gênero, assim como outras restrições à individualidade. Eventos que podem acontecer ou já estão acontecendo no mundo, um estilo que foi popularizado por Margareth Atwood com o seu clássico "The Handmaid's Tale" ou "O Conto da Aia" como foi traduzido no Brasil, obra que trata do controle da vida das mulheres pelo Estado, publicada originalmente em 1985 e que ganhou novo fôlego com a recente e premiada adaptação para série de TV nos EUA. Em "A vida breve dos cães", a substância que garante a cura de uma doença morta

Leonardo Simões - Folha de rosto

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Leonardo Simões - Folha de rosto - Editora Mondru - 80 Páginas -  Capa e projeto gráfico de Jeferson Barbosa - Lançamento: 2023. A prosa poética de Leonardo Simões lida com  os efeitos de uma herança racista ainda presente na formação da identidade nacional e  na fracassada relação amorosa de um casal inter-racial. Um livro que nos faz refletir sobre a grande ironia de viver em um país que se imagina livre do preconceito, mas precisa conviver com as suas contradições internas: "Quando se é pretinho, cabe-se em todos os esconderijos. Escondem as ordens de fora, os mortos do extremo e aquela maldição que a caixa do supermercado diz ao dono quando dois meninos pretinhos entram no corredor de bolachas/biscoitos. [...] Pretinho é camaleão sabe? Fica mas claro conforme o ambiente onde o colocam. Na casa da minha avó de parte de mãe, eu não era pretinho. Era moreno. [..]" ( pretinho - p. 66) O autor busca o seu lugar de fala, uma voz própria, assim como a nossa sociedade, ameaçada

Otto Leopoldo Winck - Forte como a morte

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Otto Leopoldo Winck - Forte como a morte - Editora Aboio - 256 Páginas -  Capa e projeto gráfico de Leopoldo Cavalcante - Lançamento: 2023. O mais recente romance de Otto Leopoldo Winck tem início quando a então adolescente Rosália Klossosky, filha única de uma família de imigrantes poloneses no interior do Paraná, acorda com os sinais conhecidos como estigmas, marcas que reproduzem as cinco chagas de Cristo em  mártires, canonizados ou não pela igreja católica. O fenômeno, como ocorre normalmente nesses casos, devido à valorização do sofrimento pela religiosidade católica institucional e popular, atraiu fanáticos à espera de curas milagrosas e salvação espiritual para a pequena localidade rural, mesmo sem a comprovação oficial da autenticidade dos sinais pelo pároco e o médico da região.  A narrativa prossegue com a evolução do cotidiano da família e da jovem que é considerada uma santa pelos devotos e uma fraude pelas autoridades, não havendo uma definição clara por uma ou outra opç

Nélio Silzantov - A finitude das coisas

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Nélio Silzantov - A finitude das coisas - Editora Patuá - 240 Páginas -  Capa e projeto gráfico: Roseli Vaz -  Tradução de citações: Felipe Menezes - Lançamento: 2023. Nélio Silzantov foi finalista do Prêmio Jabuti versão 2023 com o seu livro anterior, Br2466 ou a pátria que os pariu , uma coletânea de contos na qual apresentava múltiplas formas de distopia, desde a concepção clássica de um futuro controlado por regimes políticos repressivos e totalitários até chegar à realidade do tempo presente em um país bem conhecido por todos nós. Neste seu mais recente lançamento, o romance  A finitude das coisas , o autor volta a se debruçar sobre um Brasil atual – porém, infelizmente, cada vez mais retrógrado –, abordando questões existencialistas de seus personagens ao contar os encontros e desencontros de quatro amigos: Simmons, Erik, Annibal e Pavarotti, tentando sobreviver em Vitória da Conquista-BA desde os anos noventa até 2013.  Simmons, ou Jeane, é a narradora-protagonista que alterna p

Ralph Ellison - Voando para casa e outras histórias

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Ralph Ellison - Voando para casa e outras histórias - Editora Record / José Olympio - 240 Páginas - Tradução de André Capilé - Lançamento: 2024. Alguns autores se tornaram consagrados escrevendo um único romance. É o caso de Ralph Ellison (1914-1994) com  Homem invisível , vencedor do  National Book Award de 1953, uma obra sobre  um jovem negro que relembra passagens da sua vida no sul racista dos EUA e no Harlem, Nova York, no início do século XX: "Sou um homem invisível. Não, não sou um espectro como aqueles que assombravam Edgar Allan Poe; nem sou um ectoplasma do cinema de Hollywood. Sou um homem com substância, de carne e osso, fibras e líquidos, e talvez até se possa dizer que possuo uma mente. Sou invisível – compreende? – simplesmente porque as pessoas se recusam a me ver. [...]"  O valor de Ellison não se limita ao campo da sociologia e denúncia sobre o racismo, podendo ser incluído no seleto grupo formado por: James Baldwin, Toni Morrison e Maya Angelou, expoentes d

Cida Sepulveda - O vestido criou Ana

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Cida Sepulveda - O vestido criou Ana - Editora Editacuja - 112 Páginas Projeto gráfico, capa e diagramação: Bruna Marchi - Lançamento: 2022. Cida Sepulveda nos apresenta diferentes contos na forma de poemas com base em recortes na relação de uma mãe e uma filha, Elisa e Ana, não necessariamente as mesmas, vivendo em localidades do interior. Contudo, as diferentes mulheres carregam em comum a vivência de abusos físicos e psicológicos sofridos em uma sociedade ainda patriarcal e a herança de um vazio ancestral que não consegue ser preenchido pela fé ou pelo corpo. Uma das múltiplas Anas reflete sobre a antiga fotografia que mostra uma menina de olhos intensos na sua primeira comunhão, difícil acreditar que um dia foi essa menina em seu vestido impecável, abençoada e perfeita:  "O tempo devastou crenças, imagens, ideias, passados e futuros. O vestido caiu em mãos mendigas, encardiu-se até o nada. / Ana não se liberta do retrato que a glorifica." Os textos de Cida Sepulveda são p

Duanne Ribeiro - *KER-

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Duanne Ribeiro - *KER- Editora Mondru - 176 Pág. Capa, projeto gráfico e ilustrações: Jeferson Barbosa - Lançamento: 2023. Uma obra experimental difícil de definir que mescla prosa e poesia em um criativo projeto gráfico, valorizando o status de arte desta edição. Brincando com a linguagem, o autor utiliza símbolos gráficos, neologismos e até páginas em branco para nos apresentar uma dinâmica criativa simbolizada pela palavra  *ker- ,  "um termo que compõe o vocabulário da língua protoindo-europeia, construção hipotética que, percorrendo para trás as genealogias das linguagens de hoje, determina o que seriam as fontes de várias palavras em diferentes idiomas."   Ainda segundo o autor,   *ker-   também é a palavra raiz de creare , do latim que originou criar .  Será mesmo?  Cuidado com as conclusões apressadas, você pode estar sendo inserido em mais uma das muitas performances do livro, sem perceber. O melhor mesmo é seguir a viagem proposta pelo autor sem teorizar demais, com

Milton Coutinho - Autobiografia póstuma de Machado de Assis

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Milton Coutinho - Autobiografia póstuma de Machado de Assis - Editora 7Letras - 344 Páginas Ilustrações: Rodrigo rosa - Lançamento: 2024. Uma ideia genial e muito bem executada por Milton Coutinho neste mais recente lançamento, segundo volume de sua Trilogia Brasileira, iniciada com o romance anterior – No domínio de Suã . A narrativa é conduzida em primeira pessoa pelo próprio Machado de Assis (1839-1908) na condição de um defunto autor, seguindo a mesma fórmula que eternizou o clássico Memórias Póstumas de Brás Cubas . Um desafio adicional, além da dificuldade óbvia de reproduzir a deliciosa prosa do nosso maior autor, transformando fatos reais em ficção de forma convincente, foi adotar a cronologia inversa de uma biografia tradicional, fazendo com que o livro fosse dividido em quatro partes, do final para o início: O viúvo (1908-1904), O escritor (1904-1869), O mulato (1869-1851) e O menino (1851-1839). A autobiografia do nosso bruxo do Cosme Velho ganha tons bem-humorados ao de