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Mostrando postagens de 2019

Ian McEwan - Máquinas como eu

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Ian McEwan - Máquinas como eu: e gente como vocês - Editora Companhia das Letras - 328 Páginas - Tradução de Jorio Dauster - Capa de Claudia Espínola de Carvalho - Lançamento: 19/06/2019.
Ian McEwan está de volta com o brilhantismo técnico de sempre, confirmando a sua posição de destaque na literatura inglesa contemporânea. Depois do romance Enclausurado, onde o mais improvável dos protagonistas, um feto no nono mês de gestação, é o responsável pela narrativa em primeira pessoa dentro da barriga da mãe, ele assume agora os riscos de trabalhar em seu mais recente lançamento com um tema já abordado muitas vezes na literatura e também no cinema: os dilemas éticos e morais decorrentes da convivência com androides dotados de aparência humana e alta inteligência cognitiva.

A escolha óbvia da maioria dos escritores seria a de ambientar os personagens em um distante futuro distópico, no entanto isso não representaria um desafio suficiente para McEwan. Em Máquinas como eu, o romance tem como pan…

Cinthia Kriemler - Tudo que morde pede socorro

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Cinthia Kriemler - Tudo que morde pede socorro - Editora Patuá - 164 Páginas Ilustração, Projeto Gráfico e Diagramação de Leonardo Mathias - Lançamento: 2019.
Em seu mais recente lançamento, Cinthia Kriemler volta a escrever sobre situações de abuso sexual e violência doméstica em uma sociedade que, por egoísmo, comodismo ou simplesmente alienação, prefere ignorar os pedidos de socorro das vítimas, submetidas a relacionamentos que se assemelham a prisões; convivências nas quais a tradição patriarcal perpetua modelos retrógrados de comportamento feminino onde até mesmo a maternidade e as tarefas domésticas servem algumas vezes como grilhões. Na verdade, em Tudo que morde pede socorro a autora avança ainda mais nos abismos da intolerância e crueldade, revelando diferentes aspectos da opressão no tempo e no espaço. Seja na pequena cidade de Baependi no sul de Minas Gerais ou na província de Ghazni no Afeganistão, no Brasil do final do século XIX ou em nossa época, a escravidão, explícita o…

Prêmio São Paulo de Literatura abre inscrições para 2019

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Foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o edital do Prêmio São Paulo de Literatura 2019. O concurso destina-se à premiação de 2 (duas) obras literárias, escritas em língua portuguesa, editadas e comercializadas no Brasil no ano de 2018. Neste ano serão concedidos prêmios no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) para o melhor romance de ficção lançado no ano de 2018 e o melhor romance de ficção de estreia do ano de 2018 (consulte o edital para conhecer os termos e condições de participação).

As inscrições poderão ser feitas por um período de 45 dias, de 02/07/2019 a 15/08/2019. Maiores informações no site oficial da organização.

No ano passado, foi considerado um formato diferente, dividindo a categoria de autores estreantes em duas partes, com idade até 40 anos e acima. Tivemos três mulheres vencedoras:

Ana Paula Maia, Melhor Livro de Romance do Ano
"Assim na terra como embaixo da terra" (Editora Record)

Aline Bei, Melhor Livro de Romance do Ano – Autor Est…

Luiz Eduardo de Carvalho - Xadrez

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Luiz Eduardo de Carvalho - Xadrez - Editora Patuá - 200 Páginas Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação de Leonardo Mathias - Lançamento: 2019
O xadrez está longe de ser apenas um jogo. A estratégia e a pressão psicológica envolvida nas partidas reproduzem certas reações humanas de forma muito similar às situações que enfrentamos em nosso cotidiano, algo parecido com os textos de ficção na literatura. Luiz Eduardo de Carvalho conseguiu um feito inédito com este livro ao colocar o xadrez como elemento central da narrativa e não apenas uma  referência secundária. Recorrendo ao clássico estilo de romance epistolar, o autor aborda duas atividades consideradas hoje como anacrônicas: escrever cartas e jogar xadrez por correspondência, para contar a história de dois homens que, cada um a seu modo, perderam toda esperança em um possível futuro.

Apesar do conhecimento sobre xadrez não ser um pré-requisito obrigatório para a leitura e compreensão do romance, os iniciados no "jogo dos reis&q…

Regina Celi - Versos no Camarim

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Regina Celi - Versos no Camarim - Editora Penalux - 82 Páginas Edição: França e Gorj - Capa e Diagramação: Ricardo A. O. Paixão Lançamento: 2018 (Leia aqui um trecho em pdf disponibilizado pela Editora).
Regina Celi trabalha com a imagem do camarim como representação do espaço mágico de preparação e transformação do artista, um ambiente de separação entre o mundo e a arte, mas que permanece também como uma espécie de abrigo, analogia com a atração e proteção que o poeta e a palavra encontram no "ninho quente do poema" (Duelo, p. 23). O prefácio da Prof.ª Dr.ª Virgínia Leal resume muito bem o procedimento artesanal da poeta em "achar palavras, levá-las ao camarim, vestir-se com elas; com elas, despir o mundo; em seguida, revestir desta vez os vários mundos e finalmente, no poema, fazer o mundo encantar-se." (p. 14)

Na parte inicial, "Quando as palavras me vestem em linguagem", Regina utiliza a sua experiência acadêmica e explora o conceito da palavra, essa imp…

Martin Puchner - O Mundo da Escrita

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Martin Puchner - O Mundo da Escrita: Como a literatura transformou a civilização Editora Companhia das Letras - 488 Páginas - Tradução de Pedro Maia Soares Lançamento: 17/05/2019
Martin Puchner, professor de literatura comparada da Universidade de Harvard, apresenta uma descrição apaixonada da literatura e da sua evolução ao longo do tempo por meio de alguns textos fundamentais da história da civilização: A Epopeia de Gilgamesh (2.1000 a.C.), Ilíada e Odisseia de Homero (800 a.C.), Romance de Genji de Murasaki Shikibu (1.000 d.C.), Dom Quixote de Cervantes (1605 d.C.) e muitos outros. O autor demonstra como a palavra escrita ajudou a construir este mundo globalizado como o conhecemos hoje, "um mundo em que conversamos rotineiramente com vozes do passado e imaginamos que podemos nos dirigir aos leitores do futuro". Das escrituras sagradas da Bíblia até o Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, uma viagem fascinante e sem preconceitos pelo universo dos livros.

Neste momen…

Vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2019

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Divulgados os vencedores da 16ª edição do Premio Sesc de Literatura. João Gabriel Paulsen, de Minas Gerais, foi o vencedor na categoria Conto com seu livro O doce e o amargo e Felipe Holloway, de Mato Grosso, com a obra O legado de nossa miséria, na categoria Romance. Esta edição recebeu 1.969 inscrições, número recorde de participação, sendo 926 coletâneas de contos e 1043 romances. A avaliação final foi das comissões formadas pelos escritores e críticos literários Ana Miranda, Tércia Montenegro, Veronica Stigger e Julián Fuks.

Sinopse de O doce e o amargo de João Gabriel Paulsen: O doce e o amargo é uma coletânea composta por nove contos. São histórias aparentemente desconexas, que tratam das tensões geracionais e os conflitos trazidos pelos ritos de passagem, permeados pela tensão entre aproximação e distanciamento do outro. / Biografia do autor: João Gabriel Paulsen nasceu e vive em Juiz de Fora/MG. É estudante de Filosofia na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Sinopse de 

Alberto Bresciani - Fundamentos de ventilação e apneia

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Alberto Bresciani - Fundamentos de ventilação e apneia - Editora Patuá - 144 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação: Leonardo Mathias - Lançamento: 2019
Certos livros já surpreendem e desafiam o leitor a partir do título, como é o caso da mais recente antologia de poemas de Alberto Bresciani, Fundamentos de ventilação e apneia, cuja designação mais parece expressar um manual da área de biologia e fisiologia do que propriamente uma obra de poesia. Ledo engano, como logo veremos. O processo de ventilação pulmonar viabiliza a nossa frágil existência ao renovar o ar de modo espontâneo, possibilitando os ciclos de inspiração e expiração, ou seja, a troca de oxigênio e dióxido de carbono com o meio ambiente. Já a apneia, em contrapartida, representa a suspensão voluntária ou involuntária desse processo repetitivo, o que nos remete a uma irresistível aproximação com a morte. Entre esses dois extremos e obedecendo a inusitada divisão: Ventilação espontânea e Apneia, estabelece-se …
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