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Mostrando postagens com o rótulo Literatura italiana

Sandro Veronesi - O colibri

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Sandro Veronesi - O colibri - Editora Autêntica - 336 Páginas - Tradução de Karina Jannini - Capa: Diogo Droschi - Lançamento no Brasil: 2024. O romance "O colibri", publicado originalmente em 2019, venceu o Prêmio Strega de 2020, principal distinção da literatura italiana que Sandro Veronesi recebeu pela segunda vez, a primeira em 2006 com "Caos calmo". Somente Paolo Volponi havia conquistado até então o prêmio por duas vezes (1965 e 1991). Sandro  utiliza diferentes vozes narrativas e gêneros, tais como: cartas, documentos, e-mails, chamadas telefônicas e conversas de WhatsApp, de modo não linear, cobrindo um período dos anos setenta até uma década à frente dos dias atuais, para contar a história de quatro gerações da família Carrera. Apesar da experimentação com os gêneros narrativos e os saltos temporais, trata-se de um livro que captura a atenção do início ao final, como referências posso citar "A visita cruel do tempo" de  Jennifer Egan  e o mais rec...

Natalia Ginzburg - A cidade e a casa

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Natalia Ginzburg - A cidade e a casa - Editora Companhia das Letras - 304 Páginas - Capa: Raul Loureiro - Imagem de capa: Louise Bourgeois - Lançamento: 2022. Natalia Ginzburg (1916-1991) criou neste romance um efeito polifônico único  ao reunir as cartas de um grupo de amigos  e múlltiplos pontos de vista – nem sempre confiáveis – de acordo com as personalidades de cada personagem. De fato, o leitor vai construindo aos poucos a sua versão da história ao organizar e validar os fragmentos narrativos, do particular para o geral, em uma aproximação já sugerida no título. A autora explica o processo em entrevista de 1984, reproduzida nesta edição: "Tinha um grande desejo de escrever em primeira pessoa, mas também em terceira. Queria os privilégios de ambas as formas. Queria um 'eu' que correspondesse a um 'ele'; uma primeira pessoa, porém, com muitas facetas, múltiplas. As cartas são isso. em vez de um só 'eu' que narra os outros e si mesmo, muitos 'eus...

Cesare Pavese - Trabalhar cansa

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Cesare Pavese - Trabalhar cansa - Editora Companhia das Letras - 384 Páginas - Tradução e introdução de Maurício Santana Dias - Capa de Victor Burton - Lançamento: 2022. Um importante relançamento da Companhia das Letras que adquiriu parte do acervo da saudosa Editora Cosac Naify, incluindo esta obra que havia sido publicada no Brasil em 2009 como parte da Coleção Ás de Colete, com destaque para a primorosa tradução de  Maurício Santana Dias,  resultado de sua tese de doutorado: "Lavorare stanca: o projeto impossível de Cesare Pavese" , apresentada à Universidade de São Paulo em 2002. Nesta edição bilíngue, foi preservada também a detalhada introdução do tradutor:  "A oficina irritada de Cesare Pavese" que explica o contexto de criação dos poemas, assim como o processo de tradução. Os poemas desta antologia, livro de estreia de Cesare Pavese, lançado originalmente em 1936 e publicado em sua forma definitiva sete anos depois, foram criados no período de 1930 a 1940,...

Alessandro Barbero - Dante: A biografia

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Alessandro Barbero - Dante: A biografia - Editora Companhia das Letras - 432 Páginas - Tradução de Federico Carotti - Capa de Riccardo Falcinelli - Lançamento: 2021. A Divina Comédia , escrita por Dante Alighieri (1265-1321)  é uma das obras mais importantes da literatura universal, um poema épico dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso, escrito no dialeto florentino, em oposição ao latim, e que se tornou a matriz do que entendemos hoje por língua italiana. No entanto, o que mais surpreende nesta biografia é a atuação política e militar do "poeta supremo", como Dante costuma ser chamado hoje, que foi exilado em janeiro de 1302 após um confronto violento entre duas facções políticas rivais de Florença na época: os "Brancos" e os "Negros", uma divisão do partido então no poder, os Guelfos. O livro começa com uma descrição detalhada da batalha de Campaldino (1289) onde lutaram florentinos contra o exército da região de Arezzo. A participação ne...

Carla Bessa - Urubus

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Carla Bessa - Urubus - Editora Confraria do Vento - 104 Páginas - Projeto Gráfico: Pranayama Design - Lançamento: 2019. Uma linguagem seca e direta confere caráter de urgência aos contos reunidos nesta mais recente antologia de Carla Bessa que apresenta um recurso técnico original ao fazer com que as narrativas se desenvolvam em um mesmo recorte de tempo e espaço, produzindo múltiplos pontos de vista para uma dada situação em função dos personagens envolvidos e suas próprias motivações.  Esses personagens podem ainda estar buscando um resto de felicidade possível (ou impossível) em meio aos escombros em que se transformaram suas próprias vidas. De fato, para alguns só resta o papel de presa ou carniça em uma sociedade injusta, eles insistem em sobreviver em um meio adverso, cercados por predadores que, assim como os urubus, seguem planando em longos círculos sobre suas vítimas, aguardando. No conto de abertura, que empresta o título ao livro, o menino Zezinho vive em um l...

Umberto Eco - Confissões de um jovem romancista

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Umberto Eco - Confissões de um jovem romancista - Editora Record - 154 Páginas - Tradução de Clóvis Marques - Lançamento: 02/04/2018.  Somente quando estava próximo a completar 50 anos, Umberto Eco (1932-2016) conseguiu tempo para finalmente escrever o seu primeiro romance, O nome da rosa , publicado em 1980 e que viria a se tornar um dos raros casos de sucesso mundial de vendas e qualidade literária, talvez impulsionado pela adaptação para o cinema. O fato é que o italiano Umberto Eco, que já tinha uma carreira consolidada nos meios acadêmicos como filósofo e linguista, além de bibliófilo nas horas vagas, tornou-se repentinamente um romancista de sucesso. Confissões de um jovem romancista é composto por quatro ensaios incluídos como parte do programa de palestras Richard Ellmann sobre Literatura Moderna, na Universidade Emory, em Atlanta, Estados Unidos. Apesar do conhecimento enciclopédico do autor, assim como a sua extensa produção acadêmica e teórica na área de semi...

Natalia Ginzburg - Léxico familiar

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Natalia Ginzburg - Léxico familiar - Editora Companhia das Letras - 256 Páginas - Tradução:  Homero Freitas de Andrade -  Prefácio de Alejandro Zambra - Lançamento  no Brasil: 19/02/2018 (Publicação original: 1963) - Leia  aqui um trecho disponibilizado pela Editora. Há livros que são muito difíceis de explicar, não pela complexidade do argumento ou virtuosismo técnico do autor, muito pelo contrário, justamente nas obras supostamente mais simples é que reside o problema de identificar a sutileza ou o truque de mágica que encanta e sensibiliza o leitor. Assim ocorre com "Léxico familiar" de Natalia Ginzburg (1916-1991). Começo a resenha e não encontro paralelo na literatura clássica ou contemporânea em que possa me apoiar para explicar esta obra por comparação, tenho que começar do zero. A autora escreveu uma autobiografia afetiva, narrando detalhes do cotidiano de sua família, desde o início da década de 1930 na Itália, período de crescimento do fascismo...

As 20 obras mais importantes da literatura italiana

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Confesso que me incomoda um pouco a abrangência de uma lista que inclui clássicos como A Divina Comédia de Dante Alighieri e também autores contemporâneos como Elena Ferrante, não que eu tenha algo contra os romances da tetralogia napolitana de Ferrante, muito pelo contrário, até já resenhei alguns deles por aqui. Contudo, fica sempre o constrangimento de estar sendo injusto ao comparar obras de épocas tão distintas. Outro problema é considerar categorias talvez imiscíveis como literatura infantil ( Pinóquio de Carlo Collodi)   e poesia ( Vita d'un uomo de  Giuseppe Ungaretti)  em uma mesma seleção de obras de literatura. Esta é a maldição das listas! Nunca conseguimos agradar a todos, nem mesmo ao próprio resenhista, fica sempre aquela sensação de deixar de lado algo muito importante. Bem, divulgar e falar sobre livros nunca é tempo perdido, espero que gostem da seleção e perdoem as omissões. (01) A Divina Comédia (1304-1321) - Dante Alighieri (1265-132...