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Mostrando postagens de Outubro, 2015

Amós Oz - De repente nas profundezas do bosque

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Amós Oz - De repente nas profundezas do bosque - Editora Companhia das Letras - 144 páginas - tradução direta do hebraico por Tova Sender - Lançamento no Brasil: 30/03/2007. Certamente um dos escritores israelenses  mais famosos  da atualidade e também colecionador de prêmios literários como o Goethe (2005) ou Príncipe de Astúrias (2007), Amós Oz (1939-2018) nos traz aqui um "pequeno" livro de múltiplas interpretações, "uma fábula para todas as idades" como promete o texto de divulgação, porém com um sentido mais amplo do que a definição simplista possa dar a entender.  O autor sempre foi criticado por correntes políticas radicais ao defender uma solução pacifista para os conflitos em Israel, sendo portanto difícil deixar de associar um conteúdo político aos seus livros. A narrativa é inspirada nos contos de fadas clássicos, tendo como cenário uma aldeia triste e isolada onde todos os animais, silvestres e domésticos (inclusive os insetos), desapareceram

Simon Schama - O Poder da Arte, Parte 8 (final) - Rothko

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Vermelho sobre Marrom, 1959 (Tate Gallery, Londres) "Até onde vai o poder da arte? A arte consegue nos fazer perder o apetite, como o amor, o sofrimento ou o medo? Consegue frear a azáfama implacável da vida, silenciar o burburinho e ir direto às emoções mais fundamentais: angústia, desejo, êxtase, terror? Em quase toda a história da arte, preservou-se a convicção de que, quando se mira tão alto, é preciso recorrer à narrativa, ou pelo menos às figuras, para expressar toda uma gama de sentimentos: madonas chorosas, nus voluptuosamente vulneráveis; comovidos autorretratos; heróis tombando em combate. Mesmo as paisagens despovoadas, banhadas em luz, supunham uma lembrança sentimental, efêmeros momentos de felicidade."   - Simon Schama -  O poder da Arte  (pág. 436) Simon schama chega ao final de sua seleção de obras-primas com Markus Yakovlevich Rotkovitch (1903 - 1970), ou simplesmente Mark Rothko, um imigrante russo nos Estados Unidos que não acreditava mais na tradiç

Simon Schama - O Poder da Arte, Parte 7 - Picasso

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Guernica, 1937 (Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha) "No inverno de 1941, Pablo Picasso morava e trabalhava no último andar de uma casa velha da Rue des Grands Augustins, em Paris, a dois passos do Sena. A luz mortiça do norte se filtrava por entre as telhas. Pombos se empoleiravam no parapeito das janelas. Porém a vida de Picasso na Rive Gauche, durante a Ocupação, era mais boêmia do que ele gostaria. Fazia muito frio, e a energia elétrica era precária. Só uma estufa antiquada, do chão ao teto, e sua amante Dora Maar o mantinham aquecido (...) Havia uma ausência notável entre as obras expostas no ateliê: Guernica, o quadro que fizera dele o artista mais famoso — ou notório — do mundo moderno. Os alemães não gostaram muito dessa tela, o grito de dor ante as barbaridades cometidas pela Luftwaffe contra civis indefesos de uma cidade basca na primavera de 1937. Mas não conseguiram agarrá-la. Em 1939, Guernica fora embarcada no Normandie e, como uma refugia

Simon Schama - O Poder da Arte, Parte 6 - Van Gogh

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Girassóis, 1887 (Metropolitan Museum of Art, Nova York, EUA) "Em maio de 1890, sua última primavera, Vincent Van Gogh parecia estar de bem com a vida. Já não estava esquecido. Pintores que admirava retribuíam-lhe o apreço e se ofereciam para trocar telas com ele. Em Bruxelas, expôs ao lado de Cézanne, Renoir e Toulouse-Lautrec e até vendeu uma de suas obras — A vinha vermelha (1888) — por quatrocentos francos (...) Em Auvers, trinta quilômetros a noroeste de Paris, Vincent mourejava, finalizando uma tela por dia, às vezes duas. Nunca fora tão produtivo, tão original, tão ousado. Juntas, as setenta e tantas obras criadas em Auvers - tumultuosas traduções, em traço e cor, da maneira como as emoções registram a experiência da natureza - revolucionaram as possibilidades da pintura. Van Gogh sentiu essa força. As tempestades psíquicas que ainda em abril haviam ameaçado tragá-lo converteram-se, miraculosamente, em energia criadora, e os médicos que cuidaram dele no hospital da Pro

Simon Schama - O Poder da Arte, Parte 5 - Turner

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O Cais de Calais, 1803 (National Gallery, Londres) "Turner é, acima de tudo, um dramaturgo da luz, o mais estupendo que a Inglaterra já produziu. Mas com seus jogos de luz e cor nunca visava efeitos puramente estéticos. Sentia necessidade de criar grandes óleos históricos — contrapartida moderna das cenas grandiosas de trágico terror produzidas por Poussin que vira no Louvre, em 1802, quando cruzou o canal durante a breve trégua nas guerras napoleônicas. Acreditava que o momento requeria essa grandiosidade (...) Passou a vida dividido entre contrários: claro e escuro apocalíptico e sereno. Algumas pessoas que o conheciam bem descrevem-no como um sujeito alegre e risonho, que gostava de brincar com crianças; já outras o viam como um homem reservado e rude, envolto num manto quase indevassável de lúgubre pessimismo. Talvez fosse ambos (...) Suas experiências com cor, levariam gerações posteriores a apontá-lo como o primeiro modernista."  - Simon Schama -  O poder da Arte

Simon Schama - O Poder da Arte, Parte 4 - David

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Napoleão atravessando os Alpes, 1800 (Musée National du Château de Malmaison) "Se a arte consegue nos deixar felizes, será que também consegue nos tornar bons? Se é capaz de nos levar ao êxtase ou às lágrimas, será que também deveria nos transformar em cidadãos corretos? A moderna pintura secular tem o poder conversivo das obras-primas cristãs? Tem o poder de salvar almas, não do pecado, mas do egoísmo? O poder da arte deveria se prestar à arte do poder? A todas essas perguntas Jacques-Louis David respondeu com um firme sim, ao menos na época mais importante de sua vida, a época em que a França se refazia através da Revolução. Nessa época, ele acreditava que o tipo certo de arte podia transformar um mero punhado de espectadores numa comunidade moral. Assim, seus quadros — um desfile de heróis, vítimas e mártires — vibravam com um convite. Entre em nosso mundo, diziam; é um lugar vasto e grandioso, e você escapará da solitária aleatoriedade da existência individual; você estar

Simon Schama - O Poder da Arte, Parte 3 - Rembrandt

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Autorretrato - Detalhe, 1659 (National Gallery of Art, Washington) "Nenhum pintor mapeou fisionomias — e a ação do tempo impiedoso sobre elas — com tanta avidez e com tanto gosto pelo detalhe. Outros artistas, por uma questão de tato, hesitariam em ressaltar um pé de galinha ou um nariz abatatado. Já Rembrandt, avesso à cosmética, acreditava que tais traços expressavam a nobreza moral do modelo em vez de comprometê-la. A seus olhos compassivos, nada era grotesco. Quando ele pintava nus, ele compunha sinfonias de celulite. Quando examinava a multiplicidade de rostos que era a Amsterdam mercantil, via apenas indivíduos. Descobrir determinada personalidade humana sempre significava enxergar além da máscara. Assim, ninguém observou com maior atenção a pálpebra caída de um octogenário, o retesamento de um cabelo preso sob uma touca de linho, a leve oleosidade de um narigão viçoso, as dobras de uma papada ou a aquosidade de uma córnea. Nenhum pintor tornou esses rostos comuns tão

Simon Schama - O Poder da Arte, Parte 2 - Bernini

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O rapto de Prosérpina - 1621-2 (Galleria Borghese, Roma) "Antes de Bernini, os escultores se preocupavam com a imortalidade. Quando olhavam para a escultura da Antiguidade, e aprendiam com ela, os escultores modernos viam a transfiguração da humanidade mortal em algo mais puro, mais frio e mais duradouro: em deuses e heróis. Segundo os antigos e os 'modernos' (dos séculos XVI e XVII) que os reverenciavam, a beleza era o meio para tornar visíveis ideais celestiais que sem ela permaneceriam ocultos aos mortais comuns. A vocação da arte consistia em dar forma a essa beleza; no caso da escultura em particular, consistia em torná-la pesadamente tangível, monumentalmente imperecível. Na luta entre os defensores da pintura e os paladinos da escultura para determinar quem expressava melhor a vitalidade dos corpos vivos, os escultores afirmavam que sua terceira dimensão tátil era inevitavelmente superior — a que os pintores retrucavam que isso era impossível, já que eles tr

Simon Schama - O Poder da Arte, Parte 1 - Caravaggio

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O Poder da Arte - Simon Schama - Editora Companhia das Letras - 504 páginas - Tradução de Hildegard Feist - Capa de Raul Loureiro e Claudia Warrak - Lançamento no Brasil: 15/10/2010 O crítico e escritor britânico Simon Schama estudou em Cambridge e lecionou em Oxford até 1980, quando se mudou para os Estados Unidos para trabalhar como professor em Harvard. Foi crítico de arte da revista The New Yorker e atualmente dá aulas na Universidade de Columbia, em Nova York. Ele é produtor e apresentador de documentários sobre história e história da arte para a BBC. Em O Poder da Arte Simon Schama analisa a biografia e obras de oito artistas de estilos e épocas completamente diferentes: Caravaggio, Bernini, Rembrandt, Davi, Turner, Van Gogh, Picasso e Rothko, mas que de alguma forma revolucionaram a pintura e escultura de seu tempo. O autor não segue a tradicional linha de livros de arte, preferindo abordar uma visão humanista dos criadores e suas angústias e dilemas estéticos em fu

Haruki Murakami - Caçando Carneiros

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Haruki Murakami - Caçando Carneiros - Editora Objetiva, Selo Alfaguara - 336 páginas - tradução direta do japonês por Leiko Gotoda. Somente Haruki Murakami seria capaz de imaginar e desenvolver uma trama tão absurda e inverossímil quanto a deste romance que envolve, entre outras situações, a estranha paixão do protagonista pelas orelhas perfeitas de uma mulher com um aguçado sexto sentido, a busca por um carneiro mágico capaz de proporcionar poderes especiais ao chefe de uma organização secreta e até mesmo a possibilidade de conhecer um número de telefone com acesso direto a Deus. Como sempre, os personagens de Murakami são confrontados com um universo fantástico e paralelo que é subitamente apresentado em meio ao rígido cotidiano das grandes metrópoles japonesas. O livro tem a ação ambientada no final dos anos setenta na cidade de Tóquio e também na distante região gelada de Hokkaido, norte do Japão, local isolado e inóspito, tradicional pela criação de carneiros, implantada em

Filatelia e Literatura

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Série Alice in Wonderland - Royal Mail Na era da comunicação instantânea digital é difícil imaginar uma atividade mais anacrônica do que a filatelia (infelizmente, talvez só mesmo a literatura). Se o costume de escrever cartas já é uma lembrança distante e praticamente desconhecida das novas gerações, imaginem o hábito de colecionar selos. No entanto, os correios de muitos países, do Brasil inclusive, ainda persistem na tradição de lançar séries de selos comemorativos. O correio britânico lançou em janeiro deste ano a sequência de selos acima para lembrar os 150 anos do clássico "Alice no País das Maravilhas" (apesar da indelicadeza de não ter citado o autor, Lewis Carroll, nas imagens). As ilustrações intensamente coloridas, inspiradas em várias passagens do livro, são lindas e criadas po r  Grahame Baker-Smith . Série Literary Arts  - US Stamps Nos Estados Unidos foi criada uma série em 1979 chamada Literary Arts , que presta homenagem a importantes  autor