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Mostrando postagens de junho, 2024

Otto Leopoldo Winck - Forte como a morte

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Otto Leopoldo Winck - Forte como a morte - Editora Aboio - 256 Páginas -  Capa e projeto gráfico de Leopoldo Cavalcante - Lançamento: 2023. O mais recente romance de Otto Leopoldo Winck tem início quando a então adolescente Rosália Klossosky, filha única de uma família de imigrantes poloneses no interior do Paraná, acorda com os sinais conhecidos como estigmas, marcas que reproduzem as cinco chagas de Cristo em  mártires, canonizados ou não pela igreja católica. O fenômeno, como ocorre normalmente nesses casos, devido à valorização do sofrimento pela religiosidade católica institucional e popular, atraiu fanáticos à espera de curas milagrosas e salvação espiritual para a pequena localidade rural, mesmo sem a comprovação oficial da autenticidade dos sinais pelo pároco e o médico da região.  A narrativa prossegue com a evolução do cotidiano da família e da jovem que é considerada uma santa pelos devotos e uma fraude pelas autoridades, não havendo uma definição clara por uma ou outra opç

Nélio Silzantov - A finitude das coisas

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Nélio Silzantov - A finitude das coisas - Editora Patuá - 240 Páginas -  Capa e projeto gráfico: Roseli Vaz -  Tradução de citações: Felipe Menezes - Lançamento: 2023. Nélio Silzantov foi finalista do Prêmio Jabuti versão 2023 com o seu livro anterior, Br2466 ou a pátria que os pariu , uma coletânea de contos na qual apresentava múltiplas formas de distopia, desde a concepção clássica de um futuro controlado por regimes políticos repressivos e totalitários até chegar à realidade do tempo presente em um país bem conhecido por todos nós. Neste seu mais recente lançamento, o romance  A finitude das coisas , o autor volta a se debruçar sobre um Brasil atual – porém, infelizmente, cada vez mais retrógrado –, abordando questões existencialistas de seus personagens ao contar os encontros e desencontros de quatro amigos: Simmons, Erik, Annibal e Pavarotti, tentando sobreviver em Vitória da Conquista-BA desde os anos noventa até 2013.  Simmons, ou Jeane, é a narradora-protagonista que alterna p

Ralph Ellison - Voando para casa e outras histórias

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Ralph Ellison - Voando para casa e outras histórias - Editora Record / José Olympio - 240 Páginas - Tradução de André Capilé - Lançamento: 2024. Alguns autores se tornaram consagrados escrevendo um único romance. É o caso de Ralph Ellison (1914-1994) com  Homem invisível , vencedor do  National Book Award de 1953, uma obra sobre  um jovem negro que relembra passagens da sua vida no sul racista dos EUA e no Harlem, Nova York, no início do século XX: "Sou um homem invisível. Não, não sou um espectro como aqueles que assombravam Edgar Allan Poe; nem sou um ectoplasma do cinema de Hollywood. Sou um homem com substância, de carne e osso, fibras e líquidos, e talvez até se possa dizer que possuo uma mente. Sou invisível – compreende? – simplesmente porque as pessoas se recusam a me ver. [...]"  O valor de Ellison não se limita ao campo da sociologia e denúncia sobre o racismo, podendo ser incluído no seleto grupo formado por: James Baldwin, Toni Morrison e Maya Angelou, expoentes d

Cida Sepulveda - O vestido criou Ana

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Cida Sepulveda - O vestido criou Ana - Editora Editacuja - 112 Páginas Projeto gráfico, capa e diagramação: Bruna Marchi - Lançamento: 2022. Cida Sepulveda nos apresenta diferentes contos na forma de poemas com base em recortes na relação de uma mãe e uma filha, Elisa e Ana, não necessariamente as mesmas, vivendo em localidades do interior. Contudo, as diferentes mulheres carregam em comum a vivência de abusos físicos e psicológicos sofridos em uma sociedade ainda patriarcal e a herança de um vazio ancestral que não consegue ser preenchido pela fé ou pelo corpo. Uma das múltiplas Anas reflete sobre a antiga fotografia que mostra uma menina de olhos intensos na sua primeira comunhão, difícil acreditar que um dia foi essa menina em seu vestido impecável, abençoada e perfeita:  "O tempo devastou crenças, imagens, ideias, passados e futuros. O vestido caiu em mãos mendigas, encardiu-se até o nada. / Ana não se liberta do retrato que a glorifica." Os textos de Cida Sepulveda são p