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Mostrando postagens de 2021

Vencedores do Prêmio Jabuti 2021

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Divulgados os vencedores da 63ª edição do Prêmio Jabuti. O livro Sagatrissuinorana (ÔZé Editora), de João Luiz Guimarães e Nelson Cruz, levou o prêmio principal da noite  e também o primeiro lugar da categoria Infantil. A obra ilustrada é uma homenagem a Guimarães Rosa (1908-1967), utilizando o seu estilo para recontar a fábula dos "Três Porquinhos" como uma metáfora para o rompimento de barragens como em Mariana e em Brumadinho. Além do troféu, os autores ganham R$ 100 mil. Na categoria Romance de Literatura, o vencedor foi O avesso da pele (Companhia das Letras), de Jeferson Tenório – Ler aqui resenha do Mundo de K. Na categoria Romance de Entretenimento, Corpos secos (Alfaguara), de Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, e outros. Em Contos, Flor de Gume (Editora Jandaíra), de Monique Malcher foi a obra vencedora e  Sobreviventes e guerreiras: Uma breve história da mulher no brasil de 1500 a 2000  (Planeta) de Mary del Priore ganhou na categoria Ciências Humanas. Segue abai

Vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2021

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Divulgados os vencedores da 14ª edição do Prêmio São Paulo de Literatura, versão 2021. A premiação, promovida pelo Governo do Estado de São Paulo, foi dividida este ano em duas categorias: “Melhor Romance do Ano de 2020” e “Melhor Romance de Estreia do Ano de 2020”, cada um receberá um prêmio de R$ 200 mil. Na categoria de "Melhor Romance do Ano de 2020" o mineiro Edimilson de Almeida Pereira levou o Prêmio São Paulo de Literatura com a obra Front , da Editora Nós, e a gaúcha Morgana Kretzmann venceu na categoria “Melhor Romance de Estreia do Ano de 2020”, com o livro Ao pó, da Editora Patuá. Edimilson de Almeida Pereira nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais. É poeta, ficcionista, ensaísta, professor e pesquisador da cultura e da religiosidade afro-brasileiras. Pereira é Professor Titular de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora. Autor prolífico, com dezenas de livros e artigos. Morgana Kretzmann nasceu na cidade de Tenente Portel

Luiz Eduardo de Carvalho - Evoé, 22!

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Luiz Eduardo de Carvalho - Evoé, 22! - Editora Patuá - 148 Páginas - Projeto gráfico e diagramação: Luyse Costa - Lançamento: 2021. Luiz Eduardo de Carvalho é o autor de Evoé, 22! , roteiro de uma peça teatral extremamente rica em referências culturais e também muito bem-humorada, vencedora do Prêmio de Incentivo à Publicação Literária – 2018 do Ministério da cultura, cujo tema foi os Cem Anos da Semana de Arte Moderna de 1922 e, em sequência, o Prêmio Maria Clara Machado (1º lugar) no Concurso Internacional de Literatura da União Brasileira dos Escritores, assim como o Prêmio Aldemar Bonates no Concurso Literário Cidade de Manaus, referente ao período de 2019/2020. A peça, definida pelo autor como "uma tragédia de costumes modernistas em dois atos" , é ambientada em janeiro de 1922, poucos dias antes da famosa Semana de Arte Moderna de São Paulo que reuniu artistas plásticos, escritores e músicos com propostas de renovação em suas respectivas áreas de atuação, buscando a rup

Chico Buarque - Anos de chumbo e outros contos

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Chico Buarque - Anos de chumbo e outros contos - Editora Companhia das Letras - 168 Páginas - Capa e Projeto Gráfico de Raul Loureiro - Imagem de capa: Solange Pessoa, 2008 - Lançamento: 2021 Chico Buarque faz a sua estreia no gênero de contos com uma antologia que reúne, em sua maioria, narrativas ambientadas na cidade do Rio de Janeiro, sempre com base no olhar irônico e bem-humorado do autor, tão característico do carioca e do brasileiro em geral. O bom humor é um elemento que tem estado ausente da crônica e da literatura contemporânea por motivos óbvios, exigindo cada vez mais técnica, imaginação e originalidade dos escritores para refletir sobre as nossas mazelas políticas, sociais e pessoais de forma leve. Este objetivo é alcançado com sucesso, mesmo ao descrever temas incômodos e que preferimos esquecer, como na estratégia de utilizar um narrador-protagonista ingênuo no conto que empresta o título ao livro. Um bom exemplo desta abordagem leve que norteia todo o livro, está no c

Tadeu Sarmento - Ester ou Antígona

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Tadeu Sarmento - Ester ou Antígona - Editora Uboro Lopes - 143 Páginas -  Capa: Bloco Gráfico - Lançamento: 2021. O mais recente lançamento de Tadeu Sarmento é uma novela inspirada na solidão das redes sociais, esses estranhos espaços virtuais, criados com o objetivo de aproximar as pessoas, mas que atingem geralmente um resultado oposto: "A rede social nos conecta a todos, cada um em sua cela. Pelo menos a ideia é essa. Você sabe: uma maneira de estarmos presentes durante nossa ausência. Pra dizer a verdade, ninguém pode contar nossa ausência melhor que nós mesmos. Premissa da vida online . [...] Incrível também o nível de intimidade que podemos atingir por aqui. Parece que quanto mais distantes, mais as pessoas são capazes de falar as coisas mais cabeludas. Ou isso ou fingem bem (tiro por mim, tiro por mim)." Esta é a história de Ester, protagonista-narradora nada confiável, uma adolescente de 17 anos tentando evitar que descubram que os seus pais estão mortos e os corpos e

Mia Couto - O mapeador de ausências

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Mia Couto - O mapeador de ausências - Editora Companhia das Letras - 288 Páginas - Capa de Alceu Chiesorin Nunes - Ilustração de capa de Angelo Abu - Lançamento: 2021. Moçambique é um país que precisa lidar com a herança de um passado recente muito violento. Depois de uma guerra de libertação que durou cerca de 10 anos, tornou-se independente de Portugal em 25 de Junho de 1975, para iniciar em seguida uma guerra civil, semelhante à de Angola, que durou até 1992, com um saldo de um milhão de mortos em combates e também pelos efeitos da destruição do país que mergulhou em uma crise econômica sem precedentes, provocando a fome e o deslocamento da população. O mais recente lançamento de Mia Couto é um romance com referências autobiográficas no qual ele lança um olhar a estes dois períodos da história de Moçambique, a fase final da guerra de libertação colonial e os efeitos atuais da guerra civil, para contar a história de um protagonista com muitas semelhanças a ele próprio. Diogo Santiago

Damon Galgut - Booker Prize 2021

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O escritor sul-africano Damon Galgut é o vencedor do Booker Prize 2021 e irá receber uma premiação de 50.000 libras (aproximadamente 68.000 dólares), além da divulgação mundial que sempre está associada ao evento. Este ano tem sido muito importante para a literatura na África, depois da notícia do prêmio Nobel para o romancista Abdulrazak Gurnah da Tanzânia e a recente divulgação do  senegalês Mohamed Mbougar Sarr, de apenas 31 anos, como vencedor do Goncourt, o prêmio literário mais prestigiado da França. Damon Galgut já era considerado o favorito depois de ter sido finalista em versões anteriores da premiação com The Good Doctor , em 2003, e In a Strange Room , em 2010, No Brasil foram lançados os seguintes livros de Damon Galgut: "O bom médico" (Companhia das Letras, 2005), "Em um quarto estranho" e "O impostor" (ambos pela Record, em 2011 e 2013).  Vale a pena aguardar o lançamento de   The Promise   no Brasil já que o autor foi comparado a Virgini

Toni Morrison - Sula

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Toni Morrison - Sula - Editora Companhia das Letras - 176 Páginas - Tradução de Débora Landsberg - Capa de Alceu Chiesorin Nunes - Imagem de capa: Burn , Kara Walker, 1998 - Lançamento: 2021 Sula, lançado originalmente em 1974, é o segundo romance de Toni Morrison (1931-2019), prêmio Nobel de Literatura de 1993, depois do clássico O olho mais azul   (1970).   Por sinal, toda a bibliografia da autora é considerada hoje um patrimônio da literatura norte-americana e mundial, tendo sido reconhecida por uma lista considerável de prêmios que culminaram em 2017 com a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria civil nos EUA, nivelando Morrison a escritores importantes do passado como: T. S. Eliot, John Steinbeck, Tennessee Williams e Maya Angelou , outra grande ativista da causa da integração racial no país. Apesar da importância política da obra de Toni Morrison, os romances merecem ser apreciados principalmente pela beleza e força incomparável do texto. A própria autora comenta

José Petrola - Insônia tropical

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José Petrola - Insônia tropical - Editora Patuá - 200 Páginas Capa, projeto gráfico e diagramação: Alessandro Romio - Lançamento: 2021 A política promete mudar a realidade distópica na qual vivemos mas, assim como as estações do ano nos trópicos, continua sempre igual: "Os trópicos não têm suspense. Com isto, ficamos acostumados à permanência, aos climas imutáveis. Quando todos os dias são de sol e calor, nos assusta a ideia de que exista outro lugar onde um dia o tempo possa virar." Os contos de José Petrola refletem a hipocrisia de uma sociedade que prefere ignorar os sinais de corrosão, não apenas de suas representações políticas de esquerda ou de direira, mas também das instituições oficiais como a igreja e a escola. O leitor logo irá perceber que a  própria ideia de tropicalismo que o título possa induzir é mais uma das ironias do autor. Cada uma das quatro partes do livro representa uma região do Brasil com suas particularidades locais, contudo sempre descrevendo situa

Leonardo Almeida Filho - Grande Mar Oceano

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Leonardo Almeida Filho - Grande Mar Oceano - Editora Jaguatirica - 294 Páginas -  Projeto Gráfico de Julio Silveira - Lançamento: 2019 Um romance histórico é sempre desafiador para qualquer escritor, ainda mais quando a narrativa é conduzida por vozes alternadas em épocas e locais distintos. Uma saga que tem início com Lúcia dos Prazeres, portuguesa, caçula de Pedro Sapateiro e Maria do Pote, sobrevivente do grande terremoto de Lisboa em 1755, assim como o primogênito Gaspar que perdeu-se no mundo, num barco que partiu para Goa. Lúcia é convencida pelo marido, viciado no jogo e bebida, a abandonar tudo em Portugal na esperança de um futuro melhor no Brasil, principalmente depois da morte misteriosa do irmão Salvador que sofria de demência. O casal levou apenas um baú contendo roupas e coisas miúdas, o que restou após a venda de todos os seus bens para que pudessem comprar os lugares na embarcação que cruzaria o Grande Mar Oceano, uma viagem de  cinquenta dias, primeiramente até o porto

Andréa del Fuego - A pediatra

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Andréa del Fuego - A pediatra - Editora Companhia das Letras - 160 Páginas - Capa: Elisa von Randow - Lançamento: 2021. O mais recente lançamento de Andréa del Fuego é um romance daquele tipo que se lê de um só fôlego, uma vez iniciado não se consegue parar. A protagonista, Dra. Cecília Tomé Vilela, verdadeiro achado literário, é uma pediatra que detesta crianças e tem um nível de empatia praticamente nulo com relação às mães, além de uma coleção de preconceitos que nivela o seu comportamento a um diagnóstico de psicopatia. Ainda assim, confesso que me apaixonei por ela e você também não vai resistir ao insuperável charme do mal, que somente os melhores vilões conseguem emanar. Cecíla mantém um consultório e trabalha também como neonatologista, ou seja, atua nos cuidados específicos aos bebês recém-nascidos. Ela é radicalmente contra as técnicas de parto humanizado assistido por doulas, mas vê a sua posição ameaçada quando começa a ser preterida pela sua parceira obstetra cesarista em

Luiz Gustavo Medeiros - O corpo útil

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Luiz Gustavo Medeiros - O corpo útil - Editora Patuá - 124 Páginas Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação: Leonardo Mathias - Lançamento: 2021 O livro de estreia de Luiz Gustavo Medeiros é uma antologia de 16 contos com eixo temático inspirado nos conflitos das relações familiares nos grandes centros urbanos. O prefácio da escritora Maria Fernanda Elias Maglio resume muito bem a questão de que "A boa literatura se faz essencialmente de verdade." E, de fato, para escrever bem é necessário ter algo verdadeiro para transmitir, algo que pode ser fruto da experiência ou da sensibilidade, mas que deve provocar a identificação e aceitação desta verdade, mesmo que "constrangedora" no leitor (não necessariamente concordância) e, nas narrativas de " O corpo útil", encontramos essa marca muito forte de autenticidade, principalmente na construçao psicológica dos personagens. O autor, apesar de estreante, já domina uma técnica própria com poucos e precisos diálogo