Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2020

James Baldwin - Notas de um filho nativo

Imagem
James Baldwin - Notas de um filho nativo - Editora Companhia das Letras - 248 Páginas - Tradução de Paulo Henriques Britto - Capa de Daniel Trench - Lançamento: 24/09/2020. Notas de um filho nativo  do romancista, dramaturgo, ensaísta, poeta e ativista social norte-americano James Baldwin (1924-1987) foi lançado originalmente em 1955, reunindo dez ensaios publicados em diferentes jornais e revistas no período de 1948 a 1955 e se tornou um clássico na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, já que, um clássico, segundo Italo Calvino, "é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer" , e este parece ser exatamente o caso desta obra, ainda tristemente atual. Os textos foram concebidos na mesma época de dois de seus maiores romances: Go Tell It on the Mountain (1953), de caráter autobiográfico com questões sobre religião e sexualidade na sua juventude e O quarto de Giovanni (1956), em que o protagonista é um americano branco vivendo em Paris que se apaix

Samuel Malentacchi - Eu sozinho, brincando de vazio

Imagem
Samuel Malentacchi - Eu sozinho, brincando de vazio - Editora Caos & Letras - 150 Páginas - Projeto Gráfico: Cristiano Silva - Arte de Capa: Eduardo Sabino - Lançamento: 2020. Samuel Malentacchi é um "viciado em estragos" , como ele mesmo desabafa nos versos de manual de poesia não ocultista (p. 13), penso que talvez uma definição melhor para o poeta, que também é psicanalista, poderia ser: "um especialista nos desconfortos da alma" , especialidade que ele domina muito bem nesta coletânea de poemas desajustados ou inconvenientes, como o ótimo  já escrevi sobre isso antes (p. 16):  "eu caminho entre os desafotunados, / é um laço feito de sangue e miséria, / um memorial esculpido em lama, / uma obsessão por tudo o que é escuro. / tenho orgulho dos demônios que me devoram. [...]" O poeta nos ajuda a enfrentar os nossos próprios vazios que também são incontornáveis, como bem resumiu o editor Eduardo Sabino em seu texto de apresentação do livro. Isso signi

Carlos Machado - Olhos de sal

Imagem
Carlos Machado - Olhos de sal - Editora 7 Letras - 116 Páginas - Coordenação editorial: Isadora Travassos - Lançamento: 30/05/2020. A construção do mais recente romance do músico e escritor curitibano Carlos Machado é feita a partir de fragmentos de memórias, fotos e cartas que reconstituem um relacionamento amoroso abandonado no passado pelo protagonista, nomeado apenas como C., o qual, muitos anos depois, tenta o impossível resgate do tempo perdido em uma viagem à Suíça, país de origem da mulher com quem tinha feito planos de ter filhos. Nesta conexão entre a remota Obersteckholz e Curitiba, o autor mistura lugares, culturas e idiomas, ao lidar com uma história interrompida que, assim como tantas outras, ficou guardada apenas no silêncio de uma fotografia e naquela estranha e dolorosa saudade de tudo o que poderia ter sido. No entanto, sabemos como a memória tem truques para nos enganar, principalmente quando ela vem à noite e espanta o que é racional, quando  "incontrolável, o

Finalistas do Prêmio Jabuti 2020

Imagem
Finalistas do Prêmio Jabuti 2020 - Categoria Romance Literário Divulgados os dez finalistas de cada uma das categorias da 62ª edição do Prêmio Jabuti. O autor e a editora da obra vencedora em primeiro lugar receberão um troféu Jabuti, cada. Além do troféu, o autor receberá um prêmio no valor bruto de R$ 5.000,00. A premiação "Livro do Ano" será concedida à obra com maior nota atribuída pelo corpo de jurados entre as categorias dos eixos Literatura e Ensaios com o prêmio em dinheiro no valor bruto de R$ 100 mil.  Fico feliz de ter resenhado aqui no Mundo de K, durante o ano de 2019, alguns dos finalistas, todos excelentes livros (sigam os links para as resenhas completas) na categoria de Romance Literário:  Carta à rainha louca  de Maria Valéria Rezende ,  Essa gente  de Chico Buarque ,  Marrom e amarelo  de Paulo Scott e  Torto arado  de Itamar Vieira Junior ; na categoria de Conto:  Urubus  de Carla Bessa ; na categoria de Poesia:  Dicionário de imprecisões   de Ana Elisa R

Wislawa Szymborska - Para o meu coração num domingo

Imagem
Wislawa Szymborska - Para o meu coração num domingo - Editora Companhia das Letras - 344 Páginas - Capa de Victor Burton - Seleção, tradução e prefácio de Regina Przybycien e Gabriel Borowski - Lançamento: 2020. Esta é a terceira antologia de  Wislawa Szymborska (1923-2012), prêmio Nobel de Literatura de 1996, publicada pela Editora Companhia das Letras no Brasil, depois do sucesso de crítica e público de  Poemas (2011) e Um amor feliz (2016), livros capazes de emocionar até aqueles que dizem não gostar de poesia. Sim, porque há quem não entenda a necessidade de poemas no mundo, mas isso antes de conhecer essa simpática bruxa polonesa que encanta a todos ao resumir com seus versos a essência de tudo que é verdadeiro na condição humana: a vida, o sonho, o amor e, por que não, a própria morte. Entre o riso e a lágrima ela conduz o leitor, sempre com inteligência e fina ironia, em cada um dos 85 poemas desta edição, selecionados da sua bibliografia, em ordem cronológica, por Regina Przy

Whisner Fraga - O privilégio dos mortos

Imagem
Whisner Fraga - O privilégio dos mortos - Editora Patuá - 256 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação de Leonardo Mathias - Lançamento: 2019. Em O privilégio dos mortos , Whisner Fraga utiliza uma narrativa experimental e fragmentada, com base nas reflexões de um amargurado protagonista  que lida com suas próprias questões existenciais a partir da morte precoce e sofrida de Heitor, um ex-amigo de faculdade, devido a um agressivo câncer de pulmão.  Ao retornar de carona para a fictícia Tejuco, sua cidade natal no interior de Minas Gerais, este protagonista, que nunca é nomeado,  lembra episódios de seu passado e do país nos anos noventa, de forma não linear, em um delírio que mistura imaginação e realidade. O ponto de apoio de toda a narrativa é a interlocução com Helena, uma personagem enigmática que funciona como confidente. Contudo, logo percebemos que esses falsos diálogos são, na verdade, um longo fluxo de consciência do protagonista em suas digressões sobre o desajuste

Sandra Godinho - Tocaia do Norte

Imagem
Sandra Godinho - Tocaia do Norte - Editora Penalux - 318 Páginas - Capa e Diagramação de Guilherme Peres - Lançamento: 2020. Em seu mais recente lançamento, Sandra Godinho nos apresenta um romance de cunho regionalista com a reconstituição de um período histórico ainda pouco conhecido do grande público:  a época da construção da rodovia BR-174, conhecida como Manaus-Boa Vista, d urante o regime militar, mais especificamente em 1968, ano do AI-5. Nessa época, infelizmente pouco diferente dos dias atuais, a floresta amazônica era considerada como uma força a ser conquistada em nome dos interesses econômicos de tradição colonial extrativista e os povos indígenas inimigos a serem vencidos a qualquer custo, caso não se mostrassem eficientes as estratégias de evangelização em curso. O livro tem como base a história real da expedição do padre italiano Giovanni Calleri que foi enviada pelo Governo para pacificação dos índios Waimiri-Atroari durante a construção da estrada, uma expedição que ti

Louise Glück - Prêmio Nobel de Literarura 2020

Imagem
Foto: Sigrid Estrada/AP E, mais uma vez, a Academia Sueca surpreendeu ao anunciar a poeta norte-americana Louise Glück de 77 anos como Prêmio Nobel de Literatura 2020  "por sua inconfundível voz poética que, com beleza austera, torna universal a existência individual". Ela receberá  10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,3 milhões). Até o momento sem livros traduzidos no Brasil, a autora é praticamente desconhecida por aqui. Em 1993, Louise Glück levou o prêmio Pulitzer por seu livro "The wild iris" e o National Book Award , em 2014, por sua antologia "Faithful and Virtuous Night" , em que o tema da morte é tratado de forma bem-humorada em memórias. Em 2016, ela recebeu a condecoração National Humanities Medal do então presidente dos EUA, Barack Obama. Abaixo, dois poemas de Louise Glück traduzidos pela escritora, desenhista, pintora e tradutora Camila Assad, conforme matéria publicada hoje no portal G1: A íris selvagem , Louise Glück No final do