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Mostrando postagens de dezembro, 2023

Os melhores livros e resenhas de 2023

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A lista reflete uma seleção das melhores resenhas publicadas no ano em ordem cronológica, como sempre com base apenas no meu gosto — sigam os links clicando no título dos livros para ler as resenhas completas. Desejo a todos um ótimo 2024 com muita literatura, cultura e arte em geral. Conto com a presença de vocês no Mundo de K! (01) László Krasznahorkai - Sátántangó (resenha publicada em 31/12/2022) Sátántangó ou Tango de Satã na ótima tradução direta do húngaro de Paulo Schiller, é a obra de estreia e considerada a mais importante de László Krasznahorkai, um autor que ainda não havia sido publicado no Brasil, mesmo tendo sido vencedor do prestigiado Man Booker International Prize em 2015. O romance, lançado na Hungria em 1985, foi adaptado para o cinema pelo cineasta Béla Tarr em 1994 em uma produção em preto e branco de sete horas e meia de duração, o tempo que leva a leitura do livro, segundo Béla Tarr. Na verdade, Sátántangó demanda bem mais tempo do leitor. Onde encontrar

Andri Carvão - A Poesia Invisível - 30 anos de poesia (1993-2023)

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Andri Carvão - A Poesia Invisível - 30 anos de poesia (1993-2023) - Editora Patuá - 212 Páginas - Diagramação: Estúdio Encruzilhada - Imagem de capa: Freepik.com - Lançamento: 2023. Este mais recente lançamento de Andri Carvão reúne trinta anos de poesia a partir de seus livros anteriores: Puizya pop , Bagaços no abismo , Um sol para cada montanha , Ócios do orifício , Espírito periférico , Poemas do golpe , Dança do fogo dança da chuva , O lado b da poesia , O mundo gira até ficar jiraiya e poemas inéditos. O título, obviamente uma provocação, não deixa de ser também uma homenagem aos poetas e editores que insistem apesar de tudo, permanecendo livres e independentes. O prefácio certeiro da escritora Lilia Guerra explica o conceito da poesia invisível:  "[...] A invisibilidade não a enfraquece. É o que a mantém liberta. Livre. Para escolher o sentido pelo qual se manifesta. E, apesar de reunida, não está completa. É infinita."  O que notamos é a mesma inquietação diante das

Airton Souza - Outono de carne estranha

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Airton Souza - Outono de carne estranha - Editora Record - 176 Páginas - Capa de Leonardo Iaccarino sobre foto de Collart Hervé - Lançamento: 2023. Romance vencedor do Prêmio SESC de Literatura 2023, "Outono de carne estranha" tem como cenário a região de Serra Pelada, situada no sul do estado do Pará e que foi considerado o maior garimpo a céu aberto do mundo entre 1980 e 1983. Como ocorre nessas situações, a corrida do ouro atraiu milhares de garimpeiros em busca de enriquecimento rápido. O ambiente de trabalho era extremamente inseguro, principalmente para os "formigas" que subiam e desciam escadas improvisadas chamadas de “adeus mamãe” com sacos de  até 35 kg de terra. Desmoronamentos e contaminações pelo ar, barro e mercúrio levaram à ocorrência de muitas mortes. A prosa de Airton Souza, rica em lirismo e sonoridade, lida com fatos históricos e ficção para contar a história de Zuza e Manel, dois garimpeiros que mantêm uma relação homoafetiva não permitida pelas

Luís Roberto Amabile - O lado que não era visível para quem estava na estrada

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Luís Roberto Amabile - O lado que não era visível para quem estava na estrada - Editora Zouk - 116 Páginas - Capa: Maria Williane - Lançamento: 2020. A capa desta coletânea de contos de Luís Roberto Amabile pode nos passar a impressão de uma leitura leve e agradável, sem maiores desafios literários. Contudo, nada mais longe da realidade, tanto em relação à escolha dos temas, alguns bastante perturbadores, quanto à variedade de técnicas narrativas. O autor, professor de Teoria Literária e Escrita Criativa na PUCRS, colaborou com Luiz Antonio de Assis Brasil na elaboração de “Escrever Ficção – Um Manual de Criação Literária” (2019), considerada uma obra de referência para escritores, editores, resenhistas e outros profissionais ligados à área de criação e crítica literária. O conto inicial, "A quem interessar possa", é uma narrativa de pequena extensão conduzida em segunda pessoa, porém de muito impacto, principalmente para leitores mais velhos que poderão se reconhecer na mel