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Mostrando postagens de Fevereiro, 2020

Michel Houellebecq e Enrique Vila-Matas na longlist do International Booker Prize 2020

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Divulgados os semifinalistas (longlist) do International Booker Prize versão 2020. Desde 2016 a organização, que considera romances de qualquer país, desde que traduzidos para o inglês, passou a premiar anualmente um livro específico e não o conjunto da obra do escritor.  A lista de seis finalistas (shortlist) será divulgada em 02/04/2020. Michel Houellebecq e Enrique Vila-Matas são os nomes mais fortes desta edição com ambos os romances já publicados no Brasil:  Serotonina (Editora Alfaguara, 2019) e Mac e seu contratempo (Editora Companhia das Letrs, 2018), respectivamente. Segundo procedimento da premiação, o valor de de 50.000 libras será dividido igualmente entre autor e tradutor. Segue a longlist completa com os 13 selecionados e as informações na seguinte ordem: Título (com link para a sinopse do livro) /  Nome do Autor (Nacionalidade)  /  Nome do Tradutor  / Editora. Red Dog , de Willem Anker (África do Sul). Traduzido por Michiel Heyns (Pushkin Press); The En

T. K. Pereira - Vozes

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T. K. Pereira - Vozes - Editora Caos e Letras - 164 Páginas - Projeto gráfico: Cristiano Silva - Arte de Capa: Eduardo Sabino - Lançamento: 2019. Surpreende a segurança e a originalidade narrativa nesta antologia de 21 contos, livro de estreia de T. K. Pereira com apresentação de Luiz Antonio de Assis Brasil, responsável pela Oficina de Criação Literária da PUC-RS, na qual já passaram alguns escritores de destaque na literatura contemporânea brasileira, e que recomendou a obra como "uma experiência de transcendental humanidade e de autêntica literatura", nada mal para um jovem autor em início de carreira. Os contos não se enquadram no modelo tradicional, sendo narrados em primeira pessoa e seguindo uma espécie de fluxo de consciência que varia em extensão e formato, de acordo com o histórico e personalidade de cada protagonista. Contudo, o experimentalismo narrativo não compromete a fluência e o prazer da leitura. T. K. Pereira encontra formas para conduzir as

Ana Paula Maia - Assim na terra como embaixo da terra

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Ana Paula Maia - Assim na terra como embaixo da terra  Editora Record - 144 Páginas - Lançamento: 2017 (2ª edição 2019). Assim na terra como embaixo da terra é o sexto romance de Ana Paula Maia – vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2018 – que tem como cenário uma colônia penal isolada, em uma região rural não definida, onde não há possibilidade de fuga e os detentos são tratados e caçados como animais.  A escritora e roteirista carioca, portanto, se mantém fiel ao estilo de seus livros anteriores, lidando com personagens submetidos a uma realidade violenta e cruel à margem da sociedade, inclusive no mais recente lançamento,  Enterre seus mortos  (Editora Companhia das Letras, 2018), que levou também o Prêmio São Paulo de Literatura em 2019 . Como a instituição está em processo de desativação, acabou sendo esquecida pelas autoridades, transformando-se, ao longo do tempo, em um campo de extermínio sob a administração do psicopata Melquíades. O fato, que a autora de

Cristiano Silva Rato - Todos que conheço são suicidas

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Cristiano Silva Rato - Todos que conheço são suicidas - Editora Caos e Letras - 116 Páginas - Projeto gráfico: Cristiano Silva - Arte da capa: Eduardo Sabino - Lançamento: 2019. Cristiano Silva Rato faz poesia com o acúmulo de perdas que representa a vida para a grande parcela de excluídos em nosso país e que, ironicamente, chamamos de minorias.  Há poucas exceções na literatura para dar voz a essas pessoas que têm a sua existência limitada a um teimoso exercício de sobrevivência em uma e spécie de suicídio diário. O autor lida com os preconceitos e violências a que são submetidos aqueles que têm a sua mesma classe e cor nas periferias dos grandes centros urbanos e, portanto, escreve com autoridade e em primeira pessoa como nos lindos versos confessionais de  Um canto egoísta (p. 102) : "[...] eu sei, escrevo em primeira pessoa, / eu não sou profissional / para sentir além de mim, / as palavras estão se repetindo, / eu voltei à casa de minha morte / e renascimento. / Qua

Godofredo de Oliveira Neto - Marcelino

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Godofredo de Oliveira Neto - Marcelino - Editora Ímã - 260 Páginas - Lançamento: 2019 Marcelino é um romance histórico ambientado em 1942 durante o último período do governo de Getúlio Vargas que se convencionou chamar de Estado Novo, no momento em que o  Brasil rompia as relações diplomáticas com a Alemanha, o Japão e a Itália, devido aos ataques a navios mercantes brasileiros por submarinos alemães, ações que acabaram definindo a posição política de Vargas, até então neutra ou ambígua em relação ao alinhamento com os países aliados contra o avanço  nazifascista europeu na Segunda Grande Guerra. O jovem protagonista, Marcelino Alves Nanmbrá dos Santos, é um  solitário pescador de Praia do Nego Forro em Florianópolis, um símbolo da  fragmentação da identidade nacional, resultante da miscigenação de índios com negros africanos, ele representa a ingenuidade nacional da época, um país não industrializado e com a maioria da população analfabeta.  Marcelino é lembrado pela profe

Sandra Godinho - O Verso do Reverso

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Sandra Godinho - O Verso do Reverso - Editora Penalux - 228 Páginas - Projeto gráfico de Cintia Belloc - Lançamento: 2019. É uma característica essencial da natureza humana a capacidade de resistir aos reveses da vida e a literatura, como bem sabemos, é uma das mais belas formas de resistência, principalmente quando consegue transformar a injustiça em esperança, o desconforto em mudança e a dor em arte. A força de cada um dos contos desta antologia, Prêmio Cidade de Manaus de 2019, reside na coragem de Sandra Godinho em olhar de frente alguns temas que a sociedade tem preferido ignorar, promovendo uma espécie de antídoto contra a insensibilidade. As narrativas utilizam técnicas próprias de acordo com o tema que será desenvolvido, tornando a leitura sempre dinâmica e de interesse renovado. Na abertura de cada história, a  autora apresenta um interessante recurso como epígrafe,  a inserção de um pequeno poema que já coloca o leitor no clima. Por exemplo, no conto de abertura do

Rosana Piccolo - Alla Prima

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Rosana Piccolo - Alla Prima - Editora Patuá - 140 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação de Leonardo Mathias - Lançamento: 2019. O título da antologia de poemas de Rosana Piccolo, Alla Prima , é uma expressão italiana que significa de primeira , utilizada para nomear uma técnica de pintura, originalmente a óleo e praticada a partir do século XVII, na qual a tinta é aplicada diretamente na base escolhida, sem estudos preparatórios, e o resultado final é atingido após essa única aplicação do pigmento, sem qualquer correção ou retoque.  No entanto, pode haver uma certa dose de ironia no título pois,  embora a estrutura de versos livres e a multiplicidade temática do livro possam induzir a ideia de que os poemas foram gerados  de primeira , ou sem retoques, este  não me parece ter sido o caso, muito pelo contrário, cada verso demonstra ter sido resultante de um intenso processo de pesquisa. Importante pontuar também que Alla Prima agrega poemas de livros anteriores,

Fábio Mariano - Habsburgo

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Fábio Mariano - Habsburgo - Editora Patuá - 136 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação de Leonardo Mathias - Lançamento: 2019 Um círculo de enigmáticos personagens convive nesta novela entre o mercado de artes plásticas e o ambiente universitário. Carlos, que é o condutor da narrativa em primeira pessoa, se dedica à carreira acadêmica e mantém uma peculiar relação de amizade com Coca Munhoz que ambiciona se tornar artista plástico, mas cada um tem uma forma diferente de lidar com suas escolhas e dilemas de formação.  Caco Munhoz é o ponto de convergência dessas pessoas que seguem um protocolo de conduta regido somente pela vaidade e interesses pessoais: Ekaterina  Stolanyi, filha de um engenheiro húngaro e de uma tradutora russa, casada com o professor Pedro Krausz, Sonja Linnenbäumer, ex-chefe do departamento de letras e o nada ético Dietmar Struna, professor orientador do doutorado de Carlos na Alemanha que o abandona para se tornar marchand de Caco Munhoz no