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Mostrando postagens de 2022

Geovani Martins - Via Ápia

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Geovani Martins - Via Ápia - Editora Companhia das Letras - 344 Páginas - Capa: Alceu Chiesorin Nunes - Imagem de capa: Trem, de Maxwell Alexandre, 2018 - Lançamento: 2022. A Via Ápia, também conhecida como  Regina Viarum (rainha das estradas)  foi uma das obras mais importantes da antiga Roma com a construção iniciada em 312 a.C. e atingido em 264 a.C. a maior extensão de 600 quilômetros. No Brasil, a Via Ápia é o principal acesso à favela da Rocinha, localizada entre os bairros da Gávea, Vidigal e de São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, considerada, segundo os dados do IBGE de 2022, o maior "aglomerado subnormal" do país. Após décadas de políticas públicas inadequadas, a Rocinha apresenta territórios densamente povoados e sem condições básicas de infraestrutura, sendo os moradores estigmatizados pela população das áreas privilegiadas da cidade e vítimas constantes da violência policial em nome do combate ao tráfico de drogas. O romance de Geovani Martins dá voz para

Carol Bensimon - Diorama

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Carol Bensimon - Diorama - Editora Companhia das Letras - 288 Páginas - Capa de Elisa von Randow - Foto: Smithsonian Institution Archives - Lançamento: 2022. O mais recente romance de Carol Bensimon, depois do premiado  O clube dos jardineiros de fumaça (2017)  vencedor do  prêmio Jabuti de Melhor Romance e finalista do prêmio São Paulo de Literatura, foi inspirado no assassinato do deputado e radialista José Antonio Daudt, morto com dois tiros de espingarda na cidade de Porto Alegre em 1988, um crime ainda sem solução até hoje. O principal suspeito na época, o também deputado Antônio Carlos Dexheimer Pereira da Silva, era considerado um dos seus melhores amigos. Dexheimer tinha arma de caça e um automóvel semelhante ao visto na cena do crime, supostamente motivado por ciúmes de sua ex-esposa, de quem se separara havia três meses. Em Diorama ,  Carol Bensimon construiu uma  extraordinária  adaptação ficcional para esta história e as possíveis consequências na vida dos personagens. Dior

Vencedores do Prêmio Jabuti 2022

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Divulgados os vencedores da 64ª edição do Prêmio Jabuti. O livro Também guardamos pedras aqui (Editora Nós), de Luiza Romão, levou o prêmio principal da noite e também o primeiro lugar da categoria Poesia. Concorreram, este ano, 4.920 obras (25% a mais do que em 2021). O Jabuti é dividido em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. O vencedor de cada categoria ganha R$ 5 mil. E o Livro do Ano leva R$ 100 mil. Na categoria Romance Literário, a vencedora foi Micheliny Verunschk com o excelente O som do rugido da onça (Companhia das Letras), também finalista do Prêmio Oceanos deste ano. Na categoria Ciências Humanas, outro importante livro resenhado no Mundo de K: Enciclopédia Negra  (Companhia das Letras) de Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz, uma história normalmente ignorada nos registros oficiais. Segue abaixo a relação completa de vencedores de cada uma das categorias: Conto   1º Lugar - Título: A vestida: contos | Autor(a):

Fabio Bensoussan - Retorno a muestro lugar

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Fabio Bensoussan - Retorno a muestro lugar - Editora Quixote-Do - 120 Páginas Projeto gráfico e diagramação: Conrado Esteves - Lançamento: 2022. A Primeira Guerra Balcânica, em 1912, mudou para sempre a vida da pequena cidade de Kirklisse na Trácia otomana que, na época, contava com uma população de pouco mais de 30.000 habitantes, formada por uma maioria de muçulmanos, seguida por gregos e búlgaros ortodoxos e, finalmente, uma minoria composta por trezentas famílias de origem judaica sefaradi, quando foi ocupada pela Bulgaria e, posteriormente, pela Grécia. Esses eventos levaram à dissolução do Império Otomano, já em franca decadência, concretizada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Kirklisse foi retomada pela  Turquia em 1923  e hoje é uma cidade anexada à República da Turquia,  chamada Kirklarelli. Tudo  isso faz parte da História, contudo, em seu livro de estreia, Fabio Bensoussan está menos interessado na História e sim nas histórias perdidas de seus familiares que emigraram

Jacqueline Farid - O Árabe Invisível

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Jacqueline Farid - O Árabe Invisível - Páginas Editora - 210 Páginas - Capa e diagramação: Letícia Ribeiro Ianhez - Foto da Capa de Jacqueline Farid: Floresta dos Cedros de Deus - Bsharri - Lançamento: 2022. O terceiro romance da escritora e jornalista Jacqueline Farid, O Árabe Invisível , descreve em riqueza de detalhes a viagem de seus personagens por três  países do Oriente Médio: Turquia, Líbano e Jordânia, com base nas impressões da própria autora que visitou a região em 2019, fazendo da obra uma deliciosa mistura de relato de viagem com ficção. Os dois protagonistas são a brasileira Soraia, descendente de libaneses, em uma jornada solitária em busca de sua ancestralidade, acompanhada pelo espírito do avô, Youssef, morto há décadas; um fantasma que logo descobre as vantagens e desvantagens da sua nova e peculiar situação no retorno ao convívio dos vivos. Contudo, ele tem uma missão muito importante designada pelo Outro Lado, proteger a neta de um perigo que ambos ainda desconhecem

Prêmio José Saramago 2022 - Rafael Gallo

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O vencedor da 12ª edição do Prêmio José Saramago, versão 2022, é o brasileiro Rafael Gallo com o romance inédito Dor fantasma , que será publicado no Brasil pela Globo Livros e em Portugal pela Porto Editora. Segundo o regulamento instituído pela Fundação Círculo de Leitores, com o apoio da Fundação José Saramago, o prêmio distingue uma obra literária inédita no domínio da ficção, romance ou novela, com um mínimo de 200 mil caracteres com espaços, escrita em língua portuguesa, por escritor com idade não superior a 40 anos. O paulistano Rafael Gallo, autor de um romance, Rebentar (2015), vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, e de um livro de contos, Réveillon e outros dias (2012), Prêmio SESC de Literatura na categoria de novos autores com menos de 40 anos, é o quarto brasileiro a vencer o Prêmio José Saramago, criado em 1999 e entregue a cada dois anos. Gallo vem se juntar a um seleto grupo de brasileiros formado pelos vencedores das versões anteriores do Saramago: Adriana Lisb

Luis Fernando Verissimo - O clube dos anjos

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Luis Fernando Verissimo - O clube dos anjos - Editora Alfaguara - 144 Páginas Capa de Claudia Espínola de Carvalho -  Lançamento: 2019. O livro, lançado originalmente em 1998 pela Editora Objetiva, é o terceiro volume da série Plenos Pecados, inspirada nos sete pecados capitais, foi relançado em 2019 pela Alfaguara e adaptado para o cinema neste ano, filme integrante da seleção do 50º Festival de Cinema de Gramado, com Direção e Roteiro de Angelo Defanti e elenco formado por: Otávio Muller, Matheus Nachtergaele, Paulo Miklos, Marco Ricca, Augusto Madeira, André Abujamra, César Melo, Ângelo Antônio, Samuel de Assis e António Capelo. Uma ótima oportunidade para reler a novela de Luis Fernando Verissimo em seu estilo sempre leve e bem-humorado, mesmo ao tratar de temas mais sensíveis, como notamos com a opção por uma falsa epígrafe: "Todo desejo é um desejo de morte" - Possível máxima japonesa. Dez amigos se conhecem desde a adolescência, "todos mais ou menos da mesma idad

Hanya Yanagihara - Ao paraíso

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Hanya Yanagihara - Ao paraíso - Editora Companhia das Letras - 720 Páginas - Tradução de Ana Guadalupe - Capa: Na Kim - Imagem de capa: History and Art Collection/ Alamy/ Fotoarena - Lançamento: 2022. O mais recente lançamento de Hanya Yanagihara, depois do premiado "Uma vida pequena" é um ambicioso e monumental romance dividido em três partes aparentemente independentes, mas que têm em comum uma casa em Washington Square Park em Greenwich Village, Nova York, assim como personagens com os mesmos nomes que vivenciam situações recorrentes em diferentes versões dos Estados Unidos ao longo de 200 anos, lidando com temas como racismo, sexualidade, colonialismo e a manutenção da condição humana em tempos de crise.  O primeiro livro, Washington Square , apresenta uma versão alternativa dos Estados Unidos em 1893 na qual, após uma guerra civil, o país é separado entre os Estados Livres, situados ao norte, e as Colônias Unidas formadas pelos estados sulistas e do oeste. Nova York inte

Finalistas do Prêmio Oceanos 2022

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O Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa 2022 anunciou os dez livros finalistas, que passam para a última etapa de avaliação. Integram a lista diferentes gêneros literários – dois livros de contos, um de crônicas, um de poesia e seis romances. Quatro escritoras brasileiras estão incluídas nesta relação: Micheliny Verunschk com O som do rugido da onça (Companhia das Letras);  Maria Fernanda Elias Maglio, com  Quem tá vivo levanta a mão  (Patuá);  Tatiana Salem Levy, com  Vista chinesa  (Todavia) e  Ana Martins Marques, com Risque esta palavra (Companhia das Letras). Complementam a relação de dez finalistas os três moçambicanos: João Paulo Borges Coelho, com Museu da Revolução (Editorial Caminho e Kapulana); Pedro Pereira Lopes, com O livro do homem líquido (Gala-Gala Edições) e Teresa Noronha, com Tornado (Exclamação); e três portugueses – Alexandra Lucas Coelho, com Líbano, labirinto (Editorial Caminho); Djaimilia Pereira de Almeida, nascida em Luanda, com Maremoto

Vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2022

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Divulgados os vencedores da 15ª edição do Prêmio São Paulo de Literatura, versão 2022. A premiação, promovida pelo Governo do Estado de São Paulo, foi dividida este ano em duas categorias: “Melhor Romance do Ano de 2021” e “Melhor Romance de Estreia do Ano de 2021”, cada uma contando com um prêmio de R$ 200 mil.  Na categoria de "Melhor Romance do Ano de 2021" o gaúcho radicado em São Paulo, Antônio Xerxenesky levou o Prêmio São Paulo de Literatura com a obra Uma tristeza infinita , da Editora Companhia das Letras, e a paulista Rita Carelli venceu na categoria “Melhor Romance de Estreia do Ano de 2021”, com o livro Terrapreta , da Editora 34. Rita Carelli nasceu em São Paulo. É escritora, atriz, diretora de cinema e de teatro e ilustradora. Estudou letras na Universidade Federal de Pernambuco e teatro na Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq, em Paris. É colaboradora da ONG Vídeo nas Aldeias, com a qual realizou a coleção de livros-filmes para crianças Um dia na aldeia

Raul K. Souza - Ligações que rasgam

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Raul K. Souza - Ligações que rasgam - Kotter Editorial - 76 Páginas - Projeto gráfico e editoração: Bárbara Tanaka - Capa: Anderson Junqueira Correa - Lançamento: 2021. O curitibano Raul K. Souza faz desta antologia de poemas de estreia uma autobiografia muito especial ao relembrar de ligações afetivas com amigos e também referências de outros autores como Allen Ginsberg, Sylvia Plath, Leminski e Ana C, que marcaram a sua formação de poeta, uma espécie de cartografia da memória com flashes da infância até a maturidade, ou quase, cobrindo um período de vinte anos. Enfim, ligações que rasgam ao representar uma coleção de acertos e desacertos a qual costumamos chamar de vida.  O curioso é que ao citar aspectos tão particulares da sua vivência e que obviamente não temos como conhecer, Raul acaba passando veracidade, fruto da experiência ou da sensibilidade, mas que provoca identificação imediata no leitor. Essa é a mágica da literatura, quanto mais intimista o foco, mais abrangente é a rep