Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Literatura russa

Mikhail Bulgákov - O Mestre e Margarida

Imagem
Mikhail Bulgákov - O Mestre e Margarida - Editora 34 - 408 Páginas - Tradução de Irineu Franco Perpetuo - Capa: Bracher & Malta Produção Gráfica - Lançamento: 2017. Não sei por que demorei tanto para ler este livro, considerado um dos romances mais importantes e influentes do século XX. Essa espera, contudo, acabou sendo providencial uma vez que O Mestre e Margarida  de  Mikhail Bulgákov (1891-1940)  é uma obra que requer maturidade literária para que se possa assimilar, ainda que parcialmente, suas múltiplas camadas e referências. Outra vantagem foi contar com esta mais recente e bem-cuidada edição da Editora 34 com tradução direta, posfácio e notas de Irineu Franco Perpetuo, especialista em literatura russa, a partir da versão mais completa e atualizada, publicada apenas em 2014 pela pesquisadora Ielena Kolycheva com base nos rascunhos e versões datilografadas do autor. Inspirado no poema trágico Fausto de Goethe e na ópera homônima de Charles Gounod, o romance é ...

Vladimir Nabokov - Ada ou Ardor: Crônica de uma família

Imagem
Vladimir Nabokov - Ada ou Ardor: Crônica de uma família - Editora Alfaguara - 608 Páginas - Tradução de Jorio Dauster - Posfácio de Brian Boyd - Capa: Violaine Cadinot - Foto de Capa: Mary Jane Ansell - Lançamento: 2021. Vladimir Nabokov (1899-1977) é um autor que soube como poucos tangenciar o perigoso limite entre a literatura e a perversão, se é que tal limite existe de fato. Lolita , lançado em 1955, é o seu romance mais conhecido e também controverso ao descrever a paixão doentia de um professor universitário de meia-idade por sua enteada de 12 anos, com quem se envolve sexualmente. Ada ou Ardor , publicado originalmente em 1969 e também escrito em inglês, é um romance bem mais ambicioso e complexo do ponto de vista literário, contudo volta a abordar de forma explícita os temas de pedofilia e incesto. Ivan Veen (Van) e Adelaida (Ada) vivem uma história de amor nada convencional desde quando eram crianças,  ele com 14 e ela com 12 anos,  acreditando que eram primos (os seu...

Liev Tolstói - O diabo e outras histórias

Imagem
Liev Tolstói - O diabo e outras histórias - Editora Companhia das Letras - 192 Páginas - Capa e projeto gráfico: Kiko Farkas e Ana Lobo / Máquina Estúdio - Tradução de Beatriz Morabito, Beatriz Ricci e Mayra Pinto - Posfácio de Paulo Bezerra - Lançamento: 2020. Aqui está uma boa oportunidade para conhecer o lado contista de um dos maiores romancistas da literatura universal, visto que o leitor poderá ter uma pequena amostra do estilo de Liev Tolstói (1828-1910) antes de se aventurar em outras obras de maior extensão e complexidade narrativa, tais como Ana Kariênina , Ressurreição e, principalmente, o clássico de 2.500 páginas Guerra e Paz. De fato, os cinco contos incluídos nesta antologia: Três mortes , Kholstómer , O diabo , Falso cupom e Depois do baile ,  escritos entre 1858 e 1904, abordam alguns temas recorrentes na literatura de Tolstói, descendente de uma família aristocrática, mas sempre preocupado com a exploração e pobreza das famílias no ambiente rural, assim como o s...

As 20 obras mais importantes da literatura russa

Imagem
Sabemos que uma lista é somente uma lista. Contudo, nunca um esforço foi tão destinado ao insucesso quanto este de preparar uma relação com apenas vinte obras representativas da literatura russa. Obviamente Tolstói teria que entrar em qualquer seleção deste tipo, mas como escolher apenas um entre tantos clássicos do autor, ficamos com uma antologia de contos, "Anna Kariênina" ou "Guerra e Paz"? O mesmo impasse para Dostoiévski e outros citados aqui. De qualquer forma, tentei utilizar o critério de me limitar aos livros já publicados no Brasil, alguns, infelizmente, já não se encontram disponíveis no mercado, como as edições da extinta Cosac Naify. Não poderia faltar um destaque para o incansável trabalho da Editora 34 na divulgação da literatura russa e também para o saudoso mestre Boris Schnaiderman (1917-2016) que foi pioneiro no esforço de tradução direta do idioma russo no Brasil, nos salvando das famigeradas traduções indiretas a partir do francês e...

Svetlana Aleksiévitch - O fim do homem soviético

Imagem
Svetlana Aleksiévitch - O fim do homem soviético - Editora Companhia das Letras - 600 Páginas - Tradução direta do russo de Lucas Simone - Lançamento no Brasil: 10/11/2016. Assim como nos dois livros anteriores da escritora e jornalista bielorussa Svetlana Aleksiévitch, prêmio Nobel de Literatura 2015, já publicados no Brasil pela Editora Companhia das Letras: Vozes de Tchernóbil e A guerra não tem rosto de mulher , aqui também a história deixa de ser uma ciência fria, que apenas reconstitui cronologicamente os fatos do passado, passando a assumir uma abordagem humanista, por meio de centenas de depoimentos de pessoas simples que foram, ao mesmo tempo, as vítimas e os carrascos das transformações políticas que vivenciaram na Rússia  durante o longo e violento século XX, um povo que se acostumou a sobreviver (e não viver) à sombra de um ideal grandioso, sempre em períodos de guerra ou de preparação para a guerra. "Mesmo durante a paz, tudo na vida era próprio da guerra. O ta...

Liev Tolstói - Contos Completos

Imagem
Liev Tolstói - Contos Completos - Editora Cosac Naify - três volumes - 2080 Páginas - Tradução direta do russo e apresentação de Rubens Figueiredo - Lançamento 17/09/2015. Esta é uma das mais bem cuidadas edições da infelizmente extinta editora Cosac Naify. O projeto gráfico é de Flávia Castanheira que soube criar uma solução bonita e prática para acomodar os três volumes em formato pequeno e capa flexível, tornando a leitura mais confortável e facilitando o manuseio dos livros que, de outra forma, ficariam muito pesados. As fotos que ilustram a edição são de Serguei Mikháilovitch Prokúdin-Gorskii (1863 - 1944), um dos pioneiros da fotografia em cores através de uma técnica que consistia na superposição de três chapas de vidro, capturando a mesma imagem em exposições sucessivas sob um filtro vermelho, um azul e outro verde. Esta foi mais uma decisão adequada ao projeto gráfico da antologia porque o fotógrafo, assim como Tolstói, soube representar com originalidade e autent...