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Mostrando postagens de Janeiro, 2020

Ruy Proença - Monstruário de fomes

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Ruy Proença - Monstruário de fomes - Editora Patuá - 112 Páginas - Capa, projeto gráfico e diagramação de Rodrigo Sommer - Lançamento: 2019. Ruy Proença trabalha com o poema em forma de prosa e procura inspiração em elementos fora da poesia que se convencionou chamar de tradicional, como já deixa claro a partir do título. Em alguns trechos a ingenuidade nonsense e a leveza surrealista me lembram de Boris Vian:  "guarda-chuvas são animais solitaríssimos. quando adoecem, são abandonados por seus donos. muitas vezes, os encontro no meio-fio, encolhidos, com uma costela quebrada. encontro-os gemendo baixinho, ensopados da cabeça às patas, como se já estivessem mortos. [...]" -  ENFERMARIA (p. 23) Contudo, em outras passagens, como no poema AGORA, uma longa prece sobre o absurdo da existência humana, fica claro que o pior monstro não pode ser imaginado porque já faz parte da nossa realidade, é quando perdemos o ônibus e a esperança: "agora na fruteira o mamão

Carol Sanches - Não me espere para jantar

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Carol Sanches - Não me espere para jantar - Editora Patuá - 120 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação: Leonardo Mathias - Lançamento: 2019. A poesia de Carol Sanches é inspirada pelas múltiplas expressões do universo feminino e, nas cinco partes em que se divide o livro:  o ipê lá de casa , um ovário a menos , yo soy el arma de fuego , do tempo do lambari e dois minutos , encontramos versos sobre a mulher que também é, ao mesmo tempo, menina, mãe e amante. A poeta define de forma verdadeira e surpreende o leitor quando afirma: "há muita lógica para explicar os desajustes da chama ou da fisiologia feminina", ou ainda: "o tempo de um homem não é o tempo de uma mulher", como bem sabemos. Nesta diversidade de abordagens há espaço para a fragilidade e a coragem, para a intimidade e a revelação, como resume muito bem Camila Assad no prefácio sobre o estilo da autora:  "[...] Aborda sem clichês e medos questões de gênero e papeis sociais. R

Toni Morrison - O olho mais azul

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Toni Morrison - O olho mais azul - Editora Companhia das Letras - 224 Páginas - Tradução: Manoel Paulo Ferreira - Capa: Alceu Chiesorim Nunes sobre obra de Kara Walker ( The Emancipation Approximation ) - Data de Lançamento: 16/10/2019 (2ª edição). Publicado originalmente em 1970, The Bluest Eye é o romance de estreia da escritora norte-americana Toni Morrison (1931-2019), Prêmio Nobel de Literatura de 1993, em relançamento pela Editora Companhia das Letras. É uma ótima oportunidade para conhecer a obra que se tornou um importante símbolo sobre a crueldade dos padrões de beleza impostos que influenciam a vida de meninas e mulheres negras, assim como as consequências do racismo associado às questões de gênero em uma sociedade patriarcal, um tema muito próximo à nossa realidade. Ao escolher como protagonista uma menina negra de onze anos chamada Pecola Breedlove, a autora evidencia a brutalidade do preconceito racial tanto por parte da sociedade quanto do próprio núcleo familia