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William Butler Yeats

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Ultimamente, por uma série de associações, os temas por aqui têm estado mais para o "mundo de lá" do que o "mundo de cá". Enfim, uma coisa leva a outra e chegamos a este belíssimo poema do irlandês William Butler Yeats (1865-1939), prêmio Nobel de Literatura de 1923, um dos poetas mais influentes da literatura moderna inglesa no século XX. O poema abaixo é parte integrante do volume de traduções de Péricles Eugênio da Silva Ramos, " Poemas de W. B. Yeats ", Editora Art, 1987 e tem como base o original: " The Poems - W. B. Yeats ", editado por Richard J. Finneran, Macmillan, Londres, 1984. Death (William Butler Yeats) Nor dread nor hope attend A dying animal; A man awaits his end Dreading and hoping all; Many times he died, Many times rose again. A great man in his pride Confronting murderous men Casts derision upon Supersession of breath; He knows death to the bone - Man has created death. Morte (Tradução de Péricles Eugênio da Sil...

Edgar Allan Poe

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Edgar Allan Poe  (1809-1849) foi um dos autores favoritos de minha juventude, mesmo sem que eu tivesse a maturidade intelectual suficiente para entender seu trabalho na época e, sinceramente, ainda hoje duvido que tenha tal maturidade. De qualquer forma, com o passar do tempo, em cada releitura de Poe, seja prosa ou poesia, sempre encontrei novos significados e o prazer adolescente renovado. Os 40 anos de vida de Poe foram trágicos e atormentados pelo álcool. Ele tinha imenso prazer em identificar-se com a sua própria criação, por isso trajava sempre roupas negras, principalmente nos salões onde declamava seus poemas.  Os contos fantásticos e sobrenaturais de Poe são muito famosos ( O Poço e o Pêndulo, O Gato Preto, A Queda do Solar de Usher etc ). Na verdade, poucos autores dominaram tão bem o estilo do conto quanto ele, além de ter sido um precursor do estilo policial ( Os crimes da rua Morgue ). Na poesia, a sua composição mais importante foi, sem dúvida, O Corvo...

Escrever bem não é suficiente

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Muito já se discutiu sobre a questão da universalidade em obras literárias e o fato, aparentemente incompatível, destas obras se basearem em um espaço local de caráter regional ou folclórico. Ocorre então que, quanto mais restrito e intimista o foco da narrativa, mais abrangente é a representação humana. Eça de Queirós, no final de sua vida e já morando em Paris por vários anos, escolheu para seus últimos romances temas ligados à história de Portugal. Na “Ilustre Casa de Ramires” a decadência moral da família Ramires é comparada ao momento histórico português no final do século XIX, quando após séculos de expansão marítima e conquistas, o país não conseguia manter a glória de épocas passadas. Para estabelecer esta comparação, o autor utilizou os conflitos éticos da personagem principal e sua dificuldade em adaptar a tradição fidalga dos antepassados a uma sociedade moderna e sem valores. Esta representação universal parece também, na maioria dos clássicos, não ser afetada pelo...

Blues - Filho do sofrimento

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Quando os escravos negros na América do Norte inventaram o blues, com base nos versos improvisados das "work songs" nas plantações do Mississipi, toda a música popular do século XX, do Jazz ao Rock, foi radicalmente influenciada. O blues, filho do sofrimento, tem como característica principal, uma melancolia que mistura resignação e esperança, reflexo do meio social vivenciado pelos escravos no "exílio" e também canções de amores perdidos sempre com uma forte carga sensual que é típica da raça negra. Outra característica marcante é a qualidade vocal encontrada no blues. Os músicos instrumentistas procuram reproduzir a voz nos seus instrumentos. As notas parecem gemidos, gritos, sussurros etc. Estas características foram exploradas ao máximo no rock por músicos como Jimi Hendrix (1942-1970). Voltando ao início, podemos entender a necessidade da criação de uma cultura própria negra na América, pois a religião africana era proibida aos escravos e a cul...

Sylvia Plath & Ana Cristina Cesar

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Na manhã de 11 de fevereiro de 1963, durante um dos piores invernos ingleses já registrados, a poeta americana Sylvia Plath serviu leite para seus dois filhos, Frieda (3 anos) e Nicholas (1 ano), quebrou a vidraça da janela para garantir a ventilação que salvaria a vida das crianças e trancou, vedando cuidadosamente, a porta do quarto. Após estas providências, foi até a cozinha e abriu a válvula de gás, colocando sua cabeça dentro do forno, não era a primeira vez que ela tentava o suicido, mas desta vez foi bem sucedida. Sylvia Plath tinha apenas 31 anos. Os principais poemas de Sylvia Plath (1932-1963) foram escritos nos seus últimos meses de vida, após a separação do marido e poeta inglês Ted Hughes, em 1962. Esses poemas foram publicados no livro “Ariel’ dois anos após sua morte. Em um de seus poemas finais, “Lady Lazarus”, incluído em “Ariel” ela escreveu profeticamente: ''Dying / is an art, like everything else. / I do it exceptionally well'' . Adi...

Prêmio Nobel de Literatura - Debate

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Gostaria de transcrever abaixo o inteligente comentário do amigo Roberto na postagem sobre o prêmio Nobel de Literatura de 2006 - Orhan Pamuk e que abre um debate interessante sobre o tema (recomendo uma visita à página da Fundação Nobel com várias informações sobre o prêmio e autores premiados). "(...) Isto aqui não é uma lista de discussão, mas não posso deixar de aproveitar para colocar mais polêmica e agitação no seu Blog (ou quem sabe, podemos abrir um outro Blog para discussões de temas interessantes). Então aí vai: Podemos fazer uma analogia com a premiação do Oscar no Cinema e pensar se não seria interessante que a premiação adotasse alguns procedimentos similares como p/ex: - premiação dividida por categorias (ficção, não ficção, poesia, humor, infanto-juvenil, biografia, autor revelação, etc., e ainda, o melhor dos melhores de todas as categorias) - Divulgar os 5 que foram indicados pela pré-seleção do comitê (pela regra atual os indicados só podem ser divulgados...

80 anos de poesia - Mario Quintana

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Mario Quintana (1906-1994) é o poeta que fala as coisas complexas de maneira tão simples que entendemos porque ele nasceu em corpo de homem, mas era simplesmente um passarinho.  Quintana. Mario Quintana, até o nome é pura poesia. Que fazer, a não ser seguir o conselho do próprio: " Agora, que poetas deves ler? Simplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, em vez de tu a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi, e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência (Carta - Caderno H - 1973) ". Esta coletânea comemorativa dos oitenta anos do poeta e organizada por Tânia Carvalhal, foi lançada pela Editora Globo em 1986. Escolhi alguns exemplos com os quais a confluência é imediata. " As únicas coisas eternas são as nuvens... " (Epígrafe - Sapato florido - 1948) " Amar é mudar a alma de casa. " (Carreto - Sapato florido - 1948) " Os ...

O Idiota - Fiódor Dostoiévski

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Ler um romance de Fiódor Dostoiévski (1821-1881) é conhecer, ou até mesmo reconhecer, o lado sombrio e desesperado da humanidade. Um lado que sempre está presente (talvez oculto) em nossa alma. Ler Dostoiévski é como iniciar um passeio ao inferno que não sabemos exatamente o quanto e como nos influenciará, mas que deixará algumas marcas, como é, ou deveria ser, um dos principais objetivos de qualquer obra literária. Neste, como em todos os outros livros de Dostoiévski, as personagens interagem em situações descontroladas sempre a um passo da tragédia como no caso do jovem Raskólhnikov de Crime e Castigo , talvez sua obra mais representativa. A narrativa de O Idiota é frenética e desconcertante e tem como base a tese de que o homem bom e puro, dotado de uma compaixão verdadeiramente cristã, jamais poderá conviver em uma sociedade corrompida, tornando-se para seus semelhantes um idiota, alvo de humilhação e de aproveitadores. Para desenvolver este tema, Dostoiévski cri...

Azul é a cor que eu mais gosto - Gustavo

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Filho, quando te vemos assim rosto ensolarado de criança no vaivém do balanço a vida fica mais alegre como sempre devia ser Teu corpo sorridente fica o tempo todo brincando de ir e voltar enquanto nós, tua mãe e eu, não conseguimos te acompanhar no sentir, só no olhar.

Simple Twist of Fate - Bob Dylan

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Dylan em foto de 1964 Dylan, 33 anos depois, em foto de 1997 Conhecendo as composições de Bob Dylan, entendemos como é possível a união da poesia com a música. Que outro exemplo melhor, cuja influência no cenário do Rock é francamente desconhecida ou menosprezada pela maioria da imprensa especializada. Bob Dylan, juntamente com os Beatles, Stones e é claro Jimi Hendrix, formaram nos anos sessenta, a base de toda a música que viria a ser consumida no mundo ocidental até hoje. Algumas letras de Dylan bem poderiam ter sido editadas como pura poesia. É interessante notar que, após os anos sessenta, as letras abandonaram os temas de protesto, direitos civis, etc, para incorporar uma temática mais madura e pessoal. "Simple Twist of Fate" faz parte de "Blood on the Tracks" (1975), o mais confessional dos trabalhos de Dylan. Um album praticamente conceitual que consegue sintetizar os sentimentos de dor, perda e frustração decorrentes de seu pro...