Prêmio Nobel de Literatura - Debate

Prêmios literários
Gostaria de transcrever abaixo o inteligente comentário do amigo Roberto na postagem sobre o prêmio Nobel de Literatura de 2006 - Orhan Pamuk e que abre um debate interessante sobre o tema (recomendo uma visita à página da Fundação Nobel com várias informações sobre o prêmio e autores premiados).

"(...) Isto aqui não é uma lista de discussão, mas não posso deixar de aproveitar para colocar mais polêmica e agitação no seu Blog (ou quem sabe, podemos abrir um outro Blog para discussões de temas interessantes). Então aí vai: Podemos fazer uma analogia com a premiação do Oscar no Cinema e pensar se não seria interessante que a premiação adotasse alguns procedimentos similares como p/ex: - premiação dividida por categorias (ficção, não ficção, poesia, humor, infanto-juvenil, biografia, autor revelação, etc., e ainda, o melhor dos melhores de todas as categorias) - Divulgar os 5 que foram indicados pela pré-seleção do comitê (pela regra atual os indicados só podem ser divulgados após 50 anos!). Acho que isso abriria as informações e opções para o publico em geral, servindo para ampliar a discussão, a promoção dos indicados, aumentar suas vendas e por aí vai. Poderíamos como acontece no cinema, descobrir alguns indicados que não ganharam prêmios até melhores ou mais interessantes do que os que ganharam. Notaríamos também os interesses políticos e econômicos na escolha dos premiados a exemplo do que acontece no cinema. Enfim, acho que o processo “Sueco” do premio Nobel coloca todas as fichas num só quando poderia ampliar seu alcance e ajudar a promover a literatura de forma melhor."

Respondendo ao comentário, é evidente que o prêmio Nobel tem um caráter fortemente político e nunca sabemos exatamente a motivação da escolha, uma vez que a premiação considera normalmente o conjunto da obra do autor e sua influência. Outros prêmios literários internacionais como o Booker Prize são muito mais indicativos para o leitor.

No entanto, como menosprezar o charme de uma premiação concedida pela Academia Sueca de aproximadamente um milhão de dolares, e que desde 1901 já ajudou a imortalizar (não gosto muito desta palavra) 103 autores, cada um com seu valor literário inegável, conforme a relação total dos premiados abaixo.

Vale lembrar que, até hoje, apenas José Saramago foi laureado como autor de língua portuguesa, quando mais merecimento teria António Lobo Antunes (se ficarmos apenas em Portugal). Adicionalmente, a grande concentração de prêmios de língua inglesa, francesa, italiana e alemã nos faz pensar se não há também obras de valor sendo escritas em japonês, chinês, hebraico e outras línguas de menor inflência política no mundo ocidental.

2006 - Orhan Pamuk (Turquia)
2005 -
Harold Pinter (Reino Unido)
2004 -
Elfriede Jelinek (Áustria)
2003 -
J.M. Coetzee (África do Sul)
2002 -
Imre Kertész (Hungria)
2001 -
V.S. Naipaul (Trinidad &Tobago)
2000 -
Gao Xingjian (China)
1999 -
Günter Grass (Alemanha)
1998 -
José Saramago (Portugal)
1997 -
Dario Fo (Itália)
1996 -
Wislawa Szymborska (Polônia)
1995 -
Seamus Heaney (Irlanda)
1994 -
Kenzaburo Oe (Japão)
1993 -
Toni Morrison (Estados Unidos)
1992 -
Derek Walcott (Santa Lúcia)
1991 -
Nadine Gordimer (África do Sul)
1990 -
Octavio Paz (México)
1989 -
Camilo José Cela (Espanha)
1988 -
Naguib Mahfouz (Egito)
1987 -
Joseph Brodsky (Rússia)
1986 -
Wole Soyinka (Nigéria)
1985 -
Claude Simon (França)
1984 -
Jaroslav Seifert (Checoslováquia)
1983 -
William Golding (Reino Unido)
1982 -
Gabriel García Márquez (Colômbia)
1981 -
Elias Canetti (Grã-Bretanha)1980 - Czeslaw Milosz (Polônia)
1979 -
Odysseus Elytis (Grécia)
1978 -
Isaac Bashevis Singer (Estados Unidos)
1977 -
Vicente Aleixandre (Espanha)
1976 -
Saul Bellow (Canadá)
1975 -
Eugenio Montale (Itália)
1974 -
Eyvind Johnson, Harry Martinson (Suécia / Suécia)
1973 -
Patrick White (Austrália)
1972 -
Heinrich Böll (Alemanha)
1971 -
Pablo Neruda (Chile)
1970 -
Alexandr Solzhenitsyn (Rússia)
1969 -
Samuel Beckett (Irlanda)
1968 -
Yasunari Kawabata (Japão)
1967 -
Miguel Angel Asturias (Guatemala)
1966 -
Shmuel Agnon, Nelly Sachs (Israel / Alemanha)
1965 -
Mikhail Sholokhov (Rússia)
1964 -
Jean-Paul Sartre (França)
1963 -
Giorgos Seferis (Grécia)
1962 -
John Steinbeck (Estados Unidos)
1961 -
Ivo Andric (Iuguslávia)1960 - Saint-John Perse (França)
1959 -
Salvatore Quasimodo (Itália)
1958 -
Boris Pasternak (Rússia)
1957 -
Albert Camus (França)
1956 -
Juan Ramón Jiménez (Espanha)
1955 -
Halldór Laxness (Islândia)
1954 -
Ernest Hemingway (Estados Unidos)
1953 -
Winston Churchill (Reino Unido)
1952 -
François Mauriac (França)
1951 -
Pär Lagerkvist (Suécia)
1950 -
Bertrand Russell (Reino Unido)
1949 -
William Faulkner (Estados Unidos)
1948 -
T.S. Eliot (Estados Unidos)
1947 -
André Gide (França)
1946 -
Hermann Hesse (Alemanha)
1945 -
Gabriela Mistral (Chile)
1944 -
Johannes V. Jensen (Dinamarca)
1943 - Sem
premiação
1942 - Sem premiação

1941 - Sem
premiação
1940 - Sem premiação
1939 -
Frans Eemil Sillanpää (Finlândia)
1938 -
Pearl Buck (Estados Unidos)
1937 -
Roger Martin du Gard (França)
1936 -
Eugene O'Neill (Estados Unidos)
1935 - Sem
premiação
1934 -
Luigi Pirandello (Itália)
1933 -
Ivan Bunin (Rússia)
1932 -
John Galsworthy (Reino Unido)
1931 -
Erik Axel Karlfeldt (Suécia)
1930 -
Sinclair Lewis (Estados Unidos)
1929 -
Thomas Mann (Alemanha)
1928 -
Sigrid Undset (Noruega)
1927 -
Henri Bergson (França)
1926 -
Grazia Deledda (Itália)
1925 -
George Bernard Shaw (Irlanda)
1924 -
Wladyslaw Reymont (Polônia)
1923 -
William Butler Yeats (Irlanda)
1922 -
Jacinto Benavente (Espanha)
1921 -
Anatole France (França)1920 - Knut Hamsun (Noruega)
1919 -
Carl Spitteler (Suíça)
1918 -
Sem premiação
1917 -
Karl Gjellerup, Henrik Pontoppidan (Dinamarca / Dinamarca)
1916 -
Verner von Heidenstam (Suécia)
1915 -
Romain Rolland (França)
1914 - Sem
premiação
1913 -
Rabindranath Tagore (Índia)
1912 -
Gerhart Hauptmann (Alemanha)
1911 -
Maurice Maeterlinck (Bélgica)
1910 -
Paul Heyse (Alemanha)
1909 -
Selma Lagerlöf (Suécia)
1908 -
Rudolf Eucken (Alemanha)
1907 -
Rudyard Kipling (Reino Unido)
1906 -
Giosuè Carducci (Itália)
1905 -
Henryk Sienkiewicz (Polônia)
1904 -
Frédéric Mistral, José Echegaray (França / Espanha)
1903 -
Bjørnstjerne Bjørnson (Noruega)
1902 -
Theodor Mommsen (Alemanha)1901 - Sully Prudhomme (França)

Comentários

Roberto disse…
Fico lisonjeado pelo destaque que você deu ao meu comentário.
Seu Blog está ótimo. Continue com este belo trabalho.
Ricardo disse…
Barros,

Sua colocação me pareceu muito oportuna e inteligente. Realmente o Prêmio Nobel poderia ser não somente um reconhecimento importante, mas também um veículo poderoso de divulgação da boa literatura. Este sistema de premiação “engessado” limita, e muito, o alcance e grandiosidade desta celebração centenária e tradicional.

Mas uma questão me ocorreu. Será que se adotássemos alguns procedimentos similares (usando suas palavras) à premiação do Oscar não correríamos o risco de “vulgarizar” e popularizar demais as indicações? Será que não acabaríamos por ver escritores de baixo nível como Dan Brown sendo indicados para a categoria “Melhor Livro de Ficção” por exemplo?

Segue o debate...
Roberto disse…
Ora, ora, que bom encontra-lo aqui!
Quanto ao seu questionamento, veja bem que minha sugestão não é p/ alterar os padrões e o processo de seleção, mas que pelo menos, seja divulgado os indicados à avaliação final. Conhecendo-se os indicados enriqueceria-se as discussões e as opiniões. Sem sabermos quais eram os outros, não há possibilidade sequer de haver uma discussão e sim somente divagações sobre os que poderiam ser. Sem falar, que certamente muitos que não conhecessem todos os indicados, ficariam sugestionados a procurar conhece-los, a fim de poder avaliar e ter suas próprias opiniões e não ficariam restritos ao ganhador do prêmio.
E quanto a sugestão para dividir a premiação por categorias, seria uma maneira de ajudar a divulgar melhor as demais formas de literatura que são tão importantes. Veja p/ ex. o caso da poesia. Existem excelentes poetas, que não produzem ficção em prosa , ou não são tão significativos nesta área e ficam de fora do processo de premiação.
Por fim, não vejo que isto reduzisse a qualidade apresentada nem vulgarizaria a premiação, desde que os padrões da seleção fossem baseados somente na qualidade literária e não influenciados pelas pressões econômicas e políticas.
Pegando o gancho do seu exemplo de “Dan Brown”, entendo que não seja um escritor de alto nível, cujo trabalho possa ser classificado como obra de arte, mas tem seus méritos. Tem domínio de seu ofício, sabe cativar e prender a atenção dos leitores e produzir boas obras de entretenimento embora com uma profundidade rasa. Mas aí vamos entrar em outra discussão:
O que é obra de arte?
Roberto disse…
Pequenas correções/complementações:
Quando disse "obra de arte" queria na verdade me referir a "obra-prima".
Quando citei que excelentes poetas estariam fora da premiação, não quis dizer que nenhum dos premiados pudesse ser também bons poetas, mas apenas que em geral são bem mais conhecidos pela sua produção em prosa.
E afinal, quem se anima a definir o que é uma obra-prima e distingui-la de uma simples obra de entretenimento agradável?
kovacs disse…
Uma das características mais importantes da obra de arte ou obra-prima é não perder seu valor e representatividade com o passar do tempo. Segundo o influente crítico Harold Bloom "Dom Quixote é obra de tamanha originalidade que, cerca de quatro séculos após ter sido escrita, continua sendo o trabalho de ficção em prosa mais avançado que existe."
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