Reparação - Ian McEwan

Literatura inglesa
Editora Companhia das Letras, 448 páginas, lançamento 23/04/2002.

A protagonista deste romance de 2001, Briony Tallis, aos treze anos, e iniciando então a descoberta de sua vocação literária, seja por excesso de imaginação ou até mesmo por um ato de pura malícia, acusa injustamente o namorado de sua irmã mais velha de um crime de estupro. Esta acusação terá consequências devastadoras para o futuro de toda a família, inclusive da própria Briony que tentará a partir de então e, por toda a vida, reparar o erro cometido.

A primeira parte do romance narra um dia de verão de 1935 na casa de campo dos Tallis. A narrativa dos mesmos acontecimentos é alternada e repetida do ponto de vista da própria Briony, de sua mãe Emily e do casal formado por Cecilia, sua irmã mais velha, e Robbie Turner, filho da faxineira da casa, mas criado como elemento da família.

Os eventos deste dia, incluindo a visita do irmão de Briony, Leon Tallis, juntamente com seu amigo Paul Marshall, coincidentemente com a mudança para a casa dos três primos, formados pelos gêmeos Jackson e Pierrot de nove anos e da sedutora Lola de quinze anos, vítima do crime de estupro, irão desencadear uma série de equívocos por parte da jovem Briony que concluirão, ao final deste mesmo dia, com a prisão de Robbie Turner.

Na segunda e terceira partes da história, em 1940 durante a grande guerra mundial, encontramos Robbie Turner alistado como soldado raso em troca do cancelamento de sua pena e envolvido no episódio de retirada das tropas inglesas da França. A narrativa, neste ponto, passa a ser francamente ágil, centrada unicamente na personagem de Robbie e em sua luta pela sobrevivência, tendo como pano de fundo o cenário devastador da guerra. McEwan alcança um êxito surpreendente transformando o drama psicológico em um romance histórico de descrições precisas e extremamente envolventes.

Na quarta e última parte do romance, descobrimos que a narrativa é feita pela própria Briony em 1999, aos setenta e sete anos. Ela enfrenta então um processo de debilidade progressiva que a levará à morte. O conceito de reparação é analisado pelo autor, enquanto concluímos. juntamente com Briony, que é impossível fugirmos da responsabilidade por nossos atos, não há reparação possível em nossa consciência.
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