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Meu Nome é Vermelho - Orhan Pamuk

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Orhan Pamuk - Meu Nome é Vermelho - Editora Companhia das Letras - 534 páginas - Publicação 2004 - Tradução de Eduardo Brandão com base na versão francesa. Fiquei conhecendo o trabalho de Orhan Pamuk, ganhador do Nobel de Literatura 2006, através do romance " Neve " que foi mundialmente divulgado e discutido devido ao caráter político do choque entre radicalismo islâmico e influências da cultura ocidental na Turquia moderna. Na ocasião, o refinamento estético da narrativa de Pamuk me deixou surpreendido, mas com este "Meu Nome é Vermelho", lançado originalmente em 1998, encontrei não apenas o rigor artesanal no texto, mas também um nível de experimentalismo narrativo raramente visto na literatura moderna. A cidade de Istambul, centro do Império Otamano no final do século XVI, é o cenário de "Meu Nome é Vermelho" e a preparação de um livro representando o poder e riqueza do Império em comemoração ao primeiro milênio da Hégira é o fato desencad...

Inventário de Sonhos - parte IV - Kurt Cobain

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No início dos anos noventa, parecia que a época dos heróis na cena do Rock já havia se esgotado há muito tempo. O sistema americano e a mídia haviam digerido e reciclado para consumo toda a contracultura e contestação dos anos sessenta. Foi quando surgiu um movimento musical alternativo criado por algumas bandas da área de Seattle (terra natal de Jimi Hendrix) c omo Pearl Jam , Alice in Chains e Nirvana . Kurt Cobain (1967-1994) e Krist Novoselic, colegas de escola, formaram o Nirvana em 1987, mas a banda estourou mesmo em 1991, após a entrada de Dave Grohl na bateria (atual "Foo Fighters") com o álbum " Nevermind " e o sucesso hipnotizante que marcou o som de Seattle: " Smells Like Teen Spirit ". Kurt encontrou a maturidade como compositor somente no próximo álbum de 1993: " In Utero " que inclui os clássicos " Heart-Shaped Box " e " All Apologies ". O segredo do sucesso do Nirvana foi o de compatibilizar arranjos base...

Inventário de Sonhos - parte III - Jim Morrison

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Jim Morrison  (1943-1971) pode ser considerado, depois de Bob Dylan, como o maior letrista da história do Rock. Se o poeta simbolista Arthur Rimbaud (1854-1891), autor de "uma estação no inferno", tivesse nascido no século XX, ele seria Jim Morrison, ou pelo menos desejaria ter sido. Morrison formou em 1965 a banda " The Doors ", cujo nome foi originado pelo título do livro " The Doors of Perception " de Aldous Huxley que descreve suas experiências alucinógenas com o uso de mescalina. O próprio Huxley tendo se inspirado em uma citação de William Blake: " Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito ". Percebe-se a intimidade de Morrison com a literatura e as influências em seu trabalho. A banda lançou, no início de 1967, seu primeiro álbum chamado simplesmente "The Doors" que incluiu o sucesso " Light my Fire " transformado em hino do amor livre no final dos anos sesse...

Inventário de Sonhos - parte II - Janis Joplin

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Alguma coisa saiu errada com o destino de Janis Lyn Joplin, nascida na reacionária e racista cidade americana de Port Arthus no Texas, pois ela acabou se transformando em  Janis Joplin (1943-1970) uma das maiores cantoras "negras" da história do blues. Ela, com toda a sua rebeldia beatnik, não conseguia se adaptar na cena local do Texas e se mudou para a comunidade hippie de San Francisco onde, em 1966, após um envolvimento pesado com drogas e álcool, se juntou à banda "Big Brother and the Holding Company". Janis Joplin ficou conhecida por sua interpretação do clássico do blues " Ball and Chain " de Big Mama Thornton, acompanhada ainda da fraquíssima "Big Brother and the Holding Company", durante o Festival de Monterey, no verão de 1967. O grupo foi agenciado então pelo esperto Albert Grossman (agente de Bob Dylan entre 1962 e 1970), lançando em 1968 o clássico "Cheap Thrills" com os sucessos "Piece of My Heart" e out...

Inventário de Sonhos - parte I - Jimi Hendrix

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Nunca mais a sonoridade da guitarra foi a mesma depois de Jimi Hendrix (1942-1970), criador de composições e arranjos ainda hoje utilizados como referência para músicos "modernos" que tentam inutilmente repetir suas harmonias, escalas e efeitos. Hendrix foi um músico genial e autodidata que, embalado pela psicodelia libertária dos anos sessenta, marcou o cenário pop e rock a partir do blues eletrificado, tendo influenciado os principais artistas ingleses da época, incluindo Beatles, Rolling Stones e Eric Clapton. O lançamento em 1967, no mercado londrino, do single " Hey Joe " foi a chave para o sucesso, precedendo o lançamento do album antológico "Are You Experienced" que incluiu os clássicos "Purple Haze" e "Fire". A versão incendiária de " Wild Thing " no festival de Monterey Pop alavancou de vez a carreira de Hendrix que não parou de crescer nos alucinantes três anos seguintes até sua morte em 1970, um preço alto que, a...

Jorge Luis Borges - A Biblioteca de Babel

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A foto é do setor de teologia da biblioteca de Strahov, contida no segundo monastério mais antigo de Praga . O fato é que bibliotecas sempre me lembram do argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) e por um motivo muito simples: ele foi, antes de tudo, um leitor extraordinário e compulsivo. Sua obra é famosa por tratar de temas filosóficos e fantásticos, em sua maior parte contos. A Biblioteca de Babel , conto incluído no livro Ficções de 1944 é um exemplo marcante do estilo de Borges: " O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas. De qualquer hexágono, vêem-se os andares inferiores e superiores: interminavelmente ." "Como todos os homens da Biblioteca, viajei na minha juventude; peregrinei em busca de um livro, talvez do catálogo de catálogos; agora que meus olhos quase não podem decifrar o que escrevo, pre...

Orhan Pamuk - Literatura e Solidão

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O escritor turco Orhan Pamuk , 55 anos, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006 lançou o livro " A maleta de meu pai ", com três ensaios, sendo que um deles é o discurso de agradecimento à Academia Sueca. Este discurso pode ser consultado na versão completa em tradução para inglês na página da Fundação Nobel. Trata-se de um texto maravilhoso, melhor do que muitos romances que li nos últimos anos.   " A maleta de meu pai " foi o título que o escritor turco deu ao discurso, trata-se de uma maleta com textos que o pai lhe entregou dois anos antes de morrer. Pamuk explica que poderia acontecer do conteúdo da maleta não ser de seu agrado, mas também que ele descobrisse que seu pai havia sido um bom escritor. A partir desse gancho ele disserta sobre o processo de criação literária:   " Depois de muitos anos de trabalho, creio que ser escritor significa descobrir a pessoa secreta que abrigamos e o mundo interno que torna possível essa pessoa. A literatura...

Harold Bloom - Gênio, Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura

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Harold Bloom - Gênio, Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura - Editora Objetiva - 828 páginas - Publicação 2003 - Tradução de José Roberto O´Shea. Levei algum tempo para concluir a leitura deste trabalho enciclopédico do conceituado e polêmico crítico Harold Bloom. Em minha opinião, Bloom é excessivamente Shakespeariano, sendo que esta posição acabou influenciando a crítica neste livro a vários autores consagrados que foram, de uma forma ou de outra, sempre comparados de uma maneira repetitiva e injusta com Shakespeare. Sobre a paixão de Bloom pela "bardolatria" e a influência negativa em sua crítica, o trecho a seguir de Pedro Sette Câmara é muito elucidador: " O fato é que Bloom pretende estabelecer uma distância intransponível entre o leitor comum e Shakespeare, e ele, Bloom, não pretende agir como uma mensageiro entre mundos - que seria o seu papel de professor -, mas te convencer de que você não pode mesmo entendê-lo, e que somente Sha...

Clarice Lispector - A Hora da Estrela

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Clarice Lispector - A Hora da Estrela - Editora Rocco - 87 páginas - publicação 1998. Neste romance, que é seu último livro publicado, lançado originalmente em 1977, percebe-se a reflexão de Clarice Lispector (1920-1977) sobre a própria morte já próxima. Assim é que ela parece tentar se esconder neste trabalho, tanto no que se refere à escolha da protagonista, a nordestina Macabéa, uma mulher miserável e que não tem consciência da própria existência, quanto na escolha do processo narrativo que é desenvolvido através da criação de seu alter-ego, o escritor Rodrigo S. M., um homem sem muitas esperanças e que resume assim a sua necessidade de escrever:  "Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias." A alagoana Macabéa, órfã de pai e mãe, cri...

Ian McEwan - Na praia

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Ian McEwan - Na praia - Editora Companhia das Letras - 128 páginas - publicação 2007 - Tradução de Bernardo Carvalho. Este romance compacto, ou novela, de Ian McEwan, finalista da edição deste ano do Booker Prize ( ver shortlist 2007 ), conta a história tragicômica da fracassada noite de núpcias de Edward e Florence em um hotel na praia de Chesil no início dos anos sessenta, uma das décadas mais revolucionárias em termos de comportamento da história da humanidade. No entanto, nesta noite, o casal ainda representa o que persistiu de mais conservador e moralista da era vitoriana inglesa. McEwan deixa claro, logo no primeiro parágrafo do livro, o tema que será desenvolvido: " Eram jovens, educados e ambos virgens nessa noite, sua noite de núpcias, e viviam num tempo em que conversar sobre as dificuldades sexuais era completamente impossível. " Ao longo da narrativa, em terceira pessoa, ficamos conhecendo alternadamente as expectativas de Edward e Florence com relaçã...