Rubem Fonseca - O Seminarista

Literatura brasileira
Rubem Fonseca - O Seminarista - Editora Nova Fronteira - 184 páginas - Publicação 06/05/2016.

Os fãs do mineiro Rubem Fonseca podem ficar felizes, ele está de volta com mais um livro no estilo de O Caso Morel (1973), Feliz Ano Novo (1975), O Cobrador (1979), A Grande Arte (1983) e Agosto (1990), entre outros dignos representantes do policial de suspense nacional. Neste seu último romance, O Seminarista, agora por uma nova editora, a Agir, Rubem Fonseca utiliza a sua narrativa em primeira pessoa, tensa e cinematográfica, juntamente com os ingredientes tradicionais de violência e sensualidade questionados por uma parcela da crítica, fato que parece não incomodar o autor do alto de seus cinco prêmios Jabuti e dois prêmios internacionais: Juan Rulfo e Camões.

Esta é a história de José, um matador de aluguel que trabalha sem remorsos, mas também sem prazer e que Fonseca apresenta claramente logo no primeiro parágrafo: "Sou conhecido como o Especialista, contratado para serviços específicos. O Despachante diz quem é o freguês, me dá as coordenadas e eu faço o serviço (...)". Na seguência são descritos os últimos "serviços" e detalhes das execuções, sempre eficientes com um tiro de pistola na cabeça das vítimas ou "fregueses" que, diga-se de passagem, têm sempre um histórico desabonador. Este profissional decide trocar de nome e se aposentar, passando a dedicar-se integralmente aos seus prazeres: livros, filmes e mulheres. Na verdade, todo o romance é pontuado por citações em latim de Horácio, Cícero, Virgílio, Petrarca e Santo Agostinho, herança da formação cultural do protagonista como seminarista.

Naturalmente que a postura impessoal do personagem tende a mudar quando ele se envolve com uma mulher misteriosa e que tem relação direta com seu passado de assassino profissional. A resenha de um livro como este não deve avançar mais sob pena de estragar a surpresa dos leitores, mas posso garantir que é um livro que se lê muito rapidamente e quase sem parar.

Para saber mais sobre Rubem Fonseca, recomendo a matéria da revista online Bravo que apresenta muitos detalhes sobre a vida um tanto o quanto misteriosa do autor, como nesta parte: "Hoje José Rubem não precisa mais se isolar para escrever. Ele mora sozinho num apartamento no bairro carioca do Leblon. Um apartamento que, aos poucos, vem se transformando numa biblioteca. O escritor costuma dizer aos amigos que lê um livro por dia, e os livros vão se acumulando. De tempos em tempos, José Rubem tem que comprar uma estante nova. O filho José Henrique calcula que haja lá cerca de 8 mil livros. "O apartamento está todo tomado de estantes, falta apenas a cozinha", diz ele".

Comentários

fdots disse…
esse é mais um autor cujas obras eu nunca me interessei em ler, sabe-se lá por quê. não é por implicância ou por não gostar mesmo, simplesmente ele nunca entrou na lista de "prioridades de leitura" (quem sabe um dia...).
e tenho que admitir que fiquei louca de vontade de passar um dia no apartamento dele, revirando os livros!
Lígia Guedes disse…
Não indico para os 'Rubens' 'Sexo se aprende na cosinha' porque nunca li, mas fica a dica... quem sabe um livro para as novas estantes...

Sds,
myra disse…
ola, amigo meu, que boa noticia voce me deu, amo o Rubem Fonseca!!!!estive fora uns dias, isto é, o computer,( "hospital ) porque eu com este clima nao saio :)))
abraços
Kovacs disse…
fdots, é sempre o eterno problema da falta de tempo contra a absurda quantidade de livros para ler, mas recomendo que você conheça pelo menos os contos de Rubem Fonseca. Siga o primeiro link da postagem que encontrará vários contos disponíveis.
Kovacs disse…
Lígia, um comentário misterioso como o próprio Rubem Fonseca! Obrigado pela visita sempre importante.
Kovacs disse…
Myra, com este calor nada como um bom livro acompanhado de ar condicionado e obrigado por lembrar deste blog!
myra disse…
lembro sempre, amigo meu, abraço
André Egg disse…
Não sei porque alguém critica um livro por ter violência ou erotismo.

Lê quem quer, quem quiser coisa mais leve não deve ler nem a Bíblia...

Eu li "Feliz Ano Novo" por determinação do professor de português, no antigo "2° grau". Santos professores.

Depois começa a vida profissional e a gente lê tanta coisa técnica que acaba se afastando da literatura.

Rubem Fonseca é um dos melhores escritores que conheço, um dia vou voltar à sua obra, sempre intrigante.
Gerana Damulakis disse…
Li imediatamente quando foi lançado, até resenhei no Leitora. Admiro Rubem Fonseca, inclusive creio que abriu uma estrada, atualmente com seguidores demais.
Kovacs disse…
André, obrigado pela visita e seja muito bem-vindo por aqui.

Rubem Fonseca está de volta com seu estilo inconfundível, você vai gostar deste romnance posso garantir.
Kovacs disse…
Cara Gerana, concordo com o que você escreveu lá na sua postagem:

"Zé é sedutor. Não se começa a ler José Rubem Fonseca impunemente. O preço é ir até o fim.

Por sinal o seu blog é muito bom mesmo!
Maria Augusta disse…
Eu o conheço muito pouco, acho que este livro seria uma boa oportunidade para conhecê-lo melhor, gostei muito da resenha que você fez. É sempre bom ver o valor dos escritores brasileiros ser reconhecido.
Um abração para você e bom carnaval.
Clara Lopez disse…
Rubem hoje é clássico, mesmo com seus altos e baixos - esse parece ser um dos bons livros; o último que li dele - Ela e outras mulheres -, uma coletânea de pequenos contos, achei fraco e repetitivo. Mas ele é muito bom, em geral, e merece a fama e o prestígio que tem.
um abraço,
clara
Kovacs disse…
Maria Augusta, acho que vale a pena para matar a saudade da literatura brasileira. Obrigado pela visita!
Kovacs disse…
Clara, um prazer ler o seu comentário que resumiu bem a característica de altos e baixos do Rubem Fonseca e este é um romance da fase em alta. Obrigado pela visita!
Chico disse…
Kovacs, otima dica. Vou ler com certeza. O Fonseca é autor da minha mais alta estima. Apesar de achar que no Romance ele as vezes perde o folego com sua tecnica de recortes e vozes sobrepostas. Acabei de ler o Caso Morel, e realmente o homem ja era um mestre nos anos 70.

abracao, Chico.
Kovacs disse…
Chico, concordo com você que Fonseca é melhor nos contos, alguns deles verdadeiras obras de mestre sem dúvida.

Li a sua resenha sobre o "Caso Morel" que é um ponto alto na carreira de Rubem Fonseca.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visitadas deste blog

As 20 obras mais importantes da literatura brasileira

As 20 obras mais importantes da literatura portuguesa

20 grandes escritoras brasileiras

As 20 obras mais importantes da literatura francesa

As 20 obras mais importantes da literatura italiana

As 20 obras mais importantes da literatura dos Estados Unidos