Tomas Tranströmer - Nobel de Literatura 2011

Nobel de Literatura 2011
O vencedor do Nobel de Literatura 2011 é um poeta! O sueco Tomas Tranströmer, é um completo desconhecido em nosso país (mesmo para o pessoal ligado à área de literatura),  sem livros editados no Brasil nem traduções para o português.

Segundo a academia sueca, Tomas Tranströmer foi premiado porque "através de suas imagens condensadas e translúcidas, ele nos oferece um novo acesso à realidade".

O americano Philip Roth e o português António Lobo Antunes, além de outros favoritos como  o japonês Haruki Murakami (até Bob Dylan era cotado nas casas de apostas), terão que esperar mais um pouco pelo Nobel de Literatura que este ano concedeu uma premiação de dez milhões de coroas suecas, cerca de 1,1 milhões de euros.

O blog Prosa e Verso do Globo apresentou “Poemas haikai”, única poesia do autor publicada no Brasil. O poema integrou a 25º edição da revista "Poesia Sempre" (2006), da Biblioteca Nacional, dedicada à literatura sueca e editada pelo poeta e tradutor Marco Lucchesi, tradução  de Marta Manhães de Andrade.

"Os fios elétricos
estendidos por onde o frio reina
Ao norte de toda a música

O sol branco
treina correndo solitário para
a montanha azul da morte.

Temos que viver
com a relva pequena
e o riso dos porões

Agora o sol se deita.
sombras se levantam gigantescas
Logo logo tudo é sombra.

As orquídeas.
Petroleiros passam deslizando.
É lua cheia.

Fortalezas medievais,
cidade desconhecida, esfinges frias,
arenas vazias

As folhas cochicham:
Um javali está tocando órgão.
E os sinos batem.

e a noite se desloca
de leste para oeste
na velocidade da lua.

Duas libélulas
agarradas uma na outra
passam e se vão

Presença de Deus.
No túnel do canto do pássaro
uma porta fechada se abre.

Carvalhos e a lua.
Luz e imagem de estrelas silentes.
O mar gelado."

Comentários

Ega disse…
Eu desconhecia por completo o poeta.

E vendo bem, já é o oitavo sueco a ser laureado com o nobel da literatura. Extraordinário para um país com menos população do que Portugal. :)
Kovacs disse…
Caro Ega, pelo visto o vencedor do Nobel também é desconhecido em Portugal.

Fico com pena de Tranströmer que certamente deve ser um excelente poeta (embora não conheça o trabalho dele), mas ficará sempre com a suspeita de ter sido vencedor apenas pela sua nacionalidade sueca.

Abraço deste lado do Atlântico!
jair e. disse…
Kovacs: concordo com você. Curiosamente, na semana passada eu terminava a releitura de O Livro dos Insultos, de H. L. Mencken, publicado há várias décadas. Ele já reclamava então: "Quando se pensa que o prêmio Nobel foi dado a nulidades como Benavente, Heidenstam, Gjellerup e
Spitteler, com [Joseph] Conrad sendo passado para trás, começa-se a entender a profundidade e densidade da ignorância prevalente no mundo, mesmo entre os relativamente
esclarecidos. Um único "Lord Jim", como documento humano e
obra de arte, vale por todos os Benaventes e Gjellerups
desde o tempo de Ramsés II." É claro que Tranströmer merece nosso respeito por ser um poeta e idoso (embora isso não valha para o Sarney, por exemplo), mas Mencken tinha lá sua razão em reclamar, eu acho. Também parece que os suecos (ou os escandinavos) já emplacaram dezoito prêmios Nobel de Literatura, não? Desculpe tomar tanto espaço.
Kovacs disse…
jair, este assunto é mesmo polêmico! Por outro lado, como já comentei em alguma postagem antiga do blog, a grande concentração de prêmios de língua inglesa, francesa, italiana e alemã nos faz pensar se não há também obras de valor sendo escritas em japonês, chinês, hebraico e outras línguas de menor inflência política no mundo ocidental e oriental (além da língua sueca é claro).
Bento Moura disse…
O que que é isso, Alexandre Kovacs, esse "Poemas Haikai" !

É por isso que não perco minha fé nessa espécie chamada humana.

Tô mudo! Obrigado.
Kovacs disse…
Bento, obrigado pela visita!
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