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Jhumpa Lahiri - O Xará

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Jhumpa Lahiri - O Xará - Editora Globo, Biblioteca Azul - 344 Páginas - Tradução de Rafael Mantovani - Capa: Adriana Bertolla Silveira ( Female Infanticide , de Rani Jha) - Lançamento: 01/06/2014. Jhumpa Lahiri nasceu em Londres, filha de indianos, contudo sua família se mudou para os Estados Unidos quando ela tinha apenas dois anos. O seu livro de estreia, uma coletânea de contos lançada originalmente em 1999 com o título de  Interpreter of Maladies (publicado no Brasil como Intérprete de Males ), foi vencedor do Pulitzer Prize  de ficção e do Ernest  Hemingway / PEN Award , duas premiações concedidas em 2000. Em 2003 lançou seu primeiro romance,  The Namesake (traduzido no Brasil como  O Xará ). Dez anos depois, em 2013, foi finalista dos prêmios  Man Booker Prize e do National Book Award com o romance The Lowland (lançado no Brasil como  Aguapés ).  Atualmente, Jhumpa Lahiri mora na Itália com o marido e os dois filhos e passou a e...

João Paulo Parisio - Homens e outros animais fabulosos

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João Paulo Parisio - Homens e outros animais fabulosos - Editora Patuá - 180 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação: Leonardo Mathias - Lançamento: 2018. Gosto muito quando a literatura contemporânea nos surpreende com textos originais, não somente pelo grau de experimentalismo ou rompimento com o cânone, mas também quando ocorre um fenômeno no sentido contrário e nos deparamos com um escritor que faz do seu ofício um cuidadoso artesanato, utilizando vocabulário erudito em uma estrutura narrativa tradicional para escrever contos modernos e com voz própria, ou seja, ao mesmo tempo em que dá  continuidade ao trabalho de gerações anteriores, promove a renovação no cenário da ficção brasileira. Pode ser que o leitor desavisado imagine que está diante de um neologismo ao encontrar uma palavra como "catasterizados" e ficará surpreso, após uma rápida consulta ao dicionário, tratar-se de um termo da mitologia grega que denomina a transformação de uma personag...

Michel de Oliveira - O sagrado coração do homem

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Michel de Oliveira - O sagrado coração do homem - Editora Moinhos - 164 Páginas - Capa: Sérgio Ricardo - Lançamento: 2018 ( Leia aqui um trecho em pdf disponibilizado pela Editora). Os contos do escritor e jornalista sergipano Michel de Oliveira, guardam entre si a mesma referência temática, uma tentativa de desconstrução do modelo clássico de masculinidade, como foi idealizado ao longo do tempo, por meio da religião, ciência ou das artes em geral. Na verdade, o autor demonstra como o comportamento do homem nem sempre refletiu a moralidade e a suposta grandeza de caráter da qual tanto se orgulha, muito pelo contrário, agindo na sociedade como uma ameaça para a preservação da própria espécie, alguns representantes do gênero masculino agridem os seus semelhantes e o meio ambiente em que vivem, como constatamos nos flagrantes e vergonhosos atos de misoginia, homofobia e violência em nosso cotidiano. Os contos são apresentados em uma espécie de analogia com os textos bíblicos ...

César Gilcevi - retrato do poeta quando devedor do aluguel

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César Gilcevi - retrato do poeta quando devedor do aluguel ou poeta bom é poeta morto - Editora Letramento - 170 páginas - Ilustração da capa: Gilson Ribeiro  - Lançamento: 01/12/2018. Os poemas do mineiro César Gilcevi são inspirados em uma população de excluídos que não tem voz própria, sobreviventes de um sistema econômico que perpetua a desigualdade social nas periferias dos grandes centros urbanos brasileiros. O poeta, que não tem como pagar o aluguel, é também um excluído, um incômodo para nossa consciência já adormecida que prefere ignorar a realidade. De fato, a  poesia politicamente engajada de Gilcevi vem para nos tirar da zona de conforto e lhe confere o título de poeta maldito, na melhor tradição de outros nomes da literatura nacional como Cruz e Souza e Roberto Piva, referências presentes em alguns dos poemas do livro. No entanto, as influências de Gilcevi, que também é músico, não se limitam à literatura, passando por grandes letristas como Lou Reed...

Lourenço Dutra - Diálogos em Estado Puro

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Lourenço Dutra - Diálogos em Estado Puro - Editora Penalux - 146 Páginas - Capa: Edson Fogaça - Lançamento: 2018 ( Leia aqui um trecho em pdf disponibilizado pela Editora). Um conhecido conselho de Kurt Vonnegut (1922-2007) sobre escrita criativa é que "toda frase deve fazer uma de duas coisas – revelar o personagem ou avançar a ação" , isso é exatamente o que ocorre em  cada um dos 20 contos reunidos nesta antologia do brasiliense Lourenço Dutra, só que o autor vai ainda mais longe na sua procura pela essência narrativa, valendo-se quase que exclusivamente de diálogos, ou fragmentos de diálogos, para desenvolver a estrutura de seus textos.  Uma técnica que utiliza poucas intervenções de um narrador onisciente e certamente agradará ao leitor que não tem paciência para longas descrições ou digressões. Além da alta velocidade narrativa, o autor se vale também de personagens representativos do povo, flagrados em situações do cotidiano. O protagonista pode ser um taxist...

Teju Cole - Cidade Aberta

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Teju Cole - Cidade Aberta - Editora Companhia das Letras - 320 Páginas - Tradução de Rubens Figueiredo - Capa de Elisa v. Randow sobre fotografia Placa (2010) de Emmanuel Nassar - Lançamento: 15/06/2012 ( Ler aqui um trecho em pdf disponibilizado pela Editora). Nascido em 1975, Teju Cole é um escritor e fotógrafo nigeriano radicado nos EUA, onde mantém uma coluna no New York Times Magazine sobre fotografia e leciona escrita criativa em Harvard. Seu segundo romance,  Cidade Aberta, publicado originalmente em 2011 ,  foi vencedor de importantes prêmios literários no mercado editorial norte americano em 2012, como o PEN/Hemingway Award e também finalista do National Book Critics Circle Award . O protagonista é um jovem imigrante nigeriano chamado Julius que guarda muitas semelhanças com o próprio Teju Cole. Vivendo em Nova York, Julius é um estudante de pós-graduação em psiquiatria, separado recentemente da namorada e que costuma fazer longas caminhadas pel...

Natasha Tinet - Veludo Violento

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Natasha Tinet - Veludo Violento - Editora Imprensa Oficial Graciliano Ramos - 102 Páginas - Projeto Gráfico e Diagramação: Roger Ferraz - Lançamento: 12/12/2018. O livro foi selecionado como um dos vencedores do Edital Para Publicação de Obras Literárias de 2018, promovido pelo Governo de Alagoas. Uma boa oportunidade, portanto, para conhecer novos autores fora do badalado eixo Rio-São Paulo.  A antologia de poemas marca a estreia de Natasha Tinet no mercado editorial formal, apesar dela já ter publicado alguns contos e poemas em sites especializados na internet. A jovem autora vem se juntar a um grupo de poetas que tem alcançado reconhecimento de público e crítica, assim como uma maior visibilidade no mercado editorial, devido aos resultados expressivos obtidos nas premiações literárias nacionais, poetas que,  mesmo sendo normalmente publicados apenas em livros de pequenas tiragens, por editoras independentes ou editais de incentivo à cultura, comprovam  a e...

Arundhati Roy - O Ministério da Felicidade Absoluta

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Arundhati Roy - O Ministério da Felicidade Absoluta - Editora Companhia das Letras - 496 Páginas - Capa: Two Associates - Tradução de José Rubens Siqueira - Lançamento: 29/6/2017 ( Leia aqui um trecho em pdf disponibilizado pela Editora). A escritora e ativista política indiana Arundhati Roy ganhou o Man Booker Prize em 1997 com o seu livro de estreia, O Deus das Pequenas Coisas . Este é o seu segundo romance, que levou nada menos que 20 anos para ser escrito, tendo sido novamente finalista do Man Booker Prize em 2017, em uma das edições mais disputadas da premiação nos últimos tempos, que contou com Paul Auster ( 4 3 2 1 ), George Saunders ( Lincoln no Limbo ) e Zadie Smith ( Ritmo Louco ). Ao contar a trajetória de sua protagonista, Anjum, uma  hijra  ou kinnar , nomes como são chamados os hermafroditas, transexuais e eunucos na Índia, a autora escreve sobre a casta marginalizada, formada por comunidades religiosas hinduístas que praticam castrações de meninos e...

Prêmio Sesc de Literatura abre inscrições para 2019

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Uma das poucas e melhores oportunidades de divulgação para escritores iniciantes, o Prêmio Sesc de Literatura , promovido pelo Serviço Social do Comércio, tem o objetivo de premiar anualmente obras inéditas nas categorias Conto e Romance, destinadas ao público adulto, escritas em língua portuguesa, por autores brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil. Os vencedores terão suas obras publicadas pela editora Record, que é responsável pela edição e distribuição, com tiragem inicial de dois mil exemplares. As inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura, que são gratuitas, poderão ser feitas no site a partir das 10h do dia 09 de janeiro até as 18h do dia 14 de fevereiro de 2019, e os vencedores serão anunciados em junho de 2019 (consultar o edital completo aqui ). Uma premissa básica é que o candidato deverá enviar um livro que nunca tenha sido publicado. Será de responsabilidade do candidato o compromisso de que o texto inscrito seja inédito. Será permitida a inscrição de obra...

Quem diria, 2018 foi o ano da poesia no Brasil

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2018 acabou sendo o ano da poesia no Brasil, com prêmios importantes que refletiram uma produção consistente, principalmente pela atuação das editoras independentes e mesmo autores independentes, como foi o caso de Mailson Furtado que levou o prêmio Jabuti de livro do ano. O que dizer, quando até a prosa andou flertando com a linguagem poética no elogiado livro de estreia de Aline Bei. Segue uma seleção em ordem cronológica dos destaques nesta categoria, publicados no Mundo de K em 2018. Clique nos links para ler os textos completos. Aline Bei - O Peso do Pássaro Morto Resenha publicada em 18/03/2018 Livro vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2018, categoria autor estreante. Ao utilizar o efeito da distribuição das palavras na página impressa, a autora obtém um inusitado elemento de ritmo narrativo. Uma técnica que guarda algumas semelhanças com o trabalho de Matilde Campilho, no entanto surpreende aqui ao extrapolar o formato tradicional do poema e assumir a con...