A síndrome do segundo romance - The Times 10 great 2nd novels

Literature

É muito comum que os autores se sintam pressionados, após uma estreia literária de destaque, a manter o mesmo nível de qualidade em seu segundo romance. Este fato acaba invariavelmente afetando o desempenho de forma positiva ou negativa. O jornal inglês The Times selecionou dez casos de cada tipo, primeiramente autores que foram extremamente felizes no lançamento de um segundo romance e, em contrapartida, dez casos de fracassos que ficaram muito aquém das expectativas de público e crítica. Resumi abaixo apenas os dez casos de sucesso.

(1) Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito) - Jane Austen (1813)
Este romance, considerado a obra prima de Jane Austen, foi lançado dois anos depois de "Razão e Sensibilidade" e antes dela completar vinte e um anos, deveria ter se chamado "First Impressions".

(2) Ulysses (Ulisses) - James Joyce (1922)
Incomparavelmente superior ao brilhante e autobiográfico romance de estréia "Retrato de Um Artista Quando Jovem", Ulisses marcou toda a história da literatura moderna e, ainda hoje, podemos afirmar que nenhum romance o superou em criatividade e experimentação.

(3) Midnight's Children (Os filhos da meia-noite) - Salman Rushdie (1980)
"Os filhos da meia noite", publicado originalmente em 1980, sucedeu o desconhecido romance de estréia "Grimus" de 1975 e ganhou no ano seguinte o conceituado prêmio de literatura em línga inglesa "Booker Prize". Em 1993, este mesmo romance foi premiado com o título "Booker of Bookers Prize", conferido ao melhor livro publicado nos primeiros vinte e cinco anos deste prêmio (ler aqui a resenha do Mundo de K).

(4) Vile Bodies - Evelyn Waugh (1930)
Pouco conhecido em línga portuguesa, segundo avaliação do Times, "menos estudado e autobiográfico - e muito mais engraçado - que Declínio e Queda", seu romance de estréia.

(5) Oliver Twist - Charles Dickens (1838)
Dispensa apresentações e podemos considerar realmente melhor do que "As aventuras do Sr. Pickwick", romance de estréia de Dickens. De qualquer forma, qualquer parágrafo escrito por Dickens está imortalizado, seja no primeiro, segundo ou último romance.

(6) Girl With a Pearl Earring (Garota com Brinco de Pérola) - Tracy Chevalier (2000)
Romance que foi bastante popularizado após o lançamento do filme com Scarlett Johansson. A própria autora afirmou que seu primeiro romance "The Virgin Blue", 12000 cópias impressas, é hoje uma peça de colcionador.

(7) The Golden Notebook - Doris Lessing (1962)
Doris Lessing, prêmio Nobel de Literarura de 2007.

(8) Life of Pi (Vida de Pi) - Yann Martel (2001)
Vencedor do Man Booker Prize de 2002, é mais conhecido no Brasil pelo suposto caso de plágio do romance "Max e os Felinos" do escritor brasileiro Moacyr Scliar.

(9) The Beautiful and Damned (Os Belos e Malditos) - F.Scott Fitzgerald (1922)
Neste caso, acho que o terceiro romance "O Grande Gatsby" de 1925 é que consagrou realmente Fitzgerald.

(10) The Mill on the Floss - George Eliot (1860)
Eliot (nome real Mary Ann Evans) publicou "Adam Bede" in 1859, mas ficou imortalizada pelo segundo romance, um clássico representativo da sociedade inglesa vitoriana.

Comentários

Francisco disse…
Infelizmente, com os autores de livros de "auto ajuda", isso não acontece. Vendem cada vez mais, o segundo, o terceiro, e assim por diante.
O fracasso na "segunda tentativa", também ocorre na música e no cinema.
Um abraço.
Chico disse…
Essa do plagio sobre o livro do Scliar eu nao sabia! Então temos dois casos famosos. O primeiro tinha sido um livro da filha do Joaquim Nabuco copiado pela escritora Daphne Du Maurier que o Hitchcock adaptou para o cinema.

Kovacs, a síndrome do primeiro livro deve ser um terror para o escritor mesmo, mas eu sempre desconfio - com alguma ironia - que estes monstros Fitzgerald, Joyce... já tinham os segundos e terceiros livros nas gavetas, antes mesmo de enviar os originais para as editoras. Ou ao menos seus rascunhos bem tracados.

Abraco, Chico
Anônimo disse…
Um caso parecido aconteceu com o Marcelo Rubens Paiva, quando lançou "Feliz Ano Velho" e se não me engano depois "Blecaute" (realismo fantástico) a cobrança é inerente, acho que o autor(a) acaba não tendo como fugir dela.

Um abraço
Marco
Kovacs disse…
Francisco, obrigado pela visita e comentário e concordo que as categorias de "auto ajuda" e "best sellers" provavelmente estão imunes à síndrome.
Kovacs disse…
Chico, muito boa essa sua sacada, esses monstros sagrados da literatura, como Joyce e Fitzgerald, provavelmente já nasceram com o primeiro, segundo, terceiro e quarto romances marcados na alma. Só precisaram mesmo passar a limpo e enviar para a editora.
Kovacs disse…
Marco, acho que o Marcelo Rubens Paiva é mesmo um ótimo exemplo desta síndrome e certamente que não conseguiu superar o "Feliz Ano Velho" até hoje.
Ricardo Duarte disse…
Kovacs,
O que dizer de Ulisses? Está no topo da minha lista de leituras deste ano - e só não dei nota 10 porque Joyce abusa, em alguns momentos, da paciência do leitor. Mas que é genial, isso é.

Como sempre (e ainda bem), vários outros estão na fila: Austen, Rushdie, Dickens, Eliot - aliás, li comentários ótimos sobre o romance Middlemarch.

Mais um que poderia entrar nessa lista é o Pynchon, cujo segundo romance, O Leilão do Lote 49, é até hoje celebrado.
Kovacs disse…
Ricardo, Ulisses é realmente um marco da literatura. Vou ficar acompanhando o seu blog para saber qual autor irá merecer nota 10,0! Sobre Pynchon concordo que também seria uma ótima inclusão nesta lista.
Sonia disse…
Adorei as listas, que me trouxeram algumas surpresas, como o caso de Evelyn Waugh, de quem gosto muito de Brideshead Revisited. Nunca havia nem ouvido falar de Decline and Fall. Como jamais havia ouvido falar em Shirley, da Emily Brontë.
Kovacs disse…
Sonia, muito obrigado pela participação, você sabe que considero muito sua opinião. É mais uma lista interessante do Times. Não postei o caso inverso, ou seja, o fracasso no segundo romance (não gosto muito de fracassos), mas vale seguir o link para a matéria original.
Leila Silva disse…
Quando vejo estas listas penso em tudo o que tenho ainda para ler...

Muito bom. Vou voltar para abrir os outros links.
abraço
Kovacs disse…
Leila Silva, fico feliz que tenha gostado, obrigado pela visita e comentário sempre bem-vindo.
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