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Zélia Gattai - A Casa do Rio Vermelho

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Zélia Gattai - A Casa do Rio Vermelho - Editora Companhia das Letras - 344 Páginas - Imagem de capa: Xilogravura de Calasans Neto - Lançamento desta Edição: 2010 (Lançamento Original:1999). Talvez a menos feminista das grandes escritoras brasileiras, Zélia Gattai (1916-2008)  será eternamente lembrada como o grande amor da vida de Jorge Amado (1912-2001), com quem conviveu durante cinquenta e seis anos. Sua primeira e mais conhecida obra é Anarquistas, graças a Deus que começou a escrever aos 63 anos, dando início a um estilo memorialista que não abandonou mais, totalizando nove livros de memórias, entre eles A Casa do Rio Vermelho , lançado originalmente em 1999, que tem como início a decisão do casal de se mudar do Rio de Janeiro para a Bahia nos anos 1960. Em Salvador, bairro do Rio Vermelho, Rua Alagoinhas número 33, Zélia Gattai e Jorge Amado compraram uma casa, situada no topo de uma ladeira, que se transformou em um ponto de encontro de intelectuais, escritores, artistas e ...

Daniel Belmonte - Laura é um nome falso para alguém que eu amei de verdade

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Daniel Belmonte - Laura é um nome falso para alguém que eu amei de verdade - Editora Patuá - 140 Pág. - Capa, projeto gráfico e diagramação de Alessandro Romio - Lançamento: 2020. Um romance sobre amor e relacionamentos pode ser uma armadilha para qualquer autor, um verdadeiro desafio que exige novas fórmulas para escrever sobre um tema tão recorrente na literatura, de Shakespeare a Bukowski. Daniel Belmonte nos apresenta em seu romance de estreia uma proposta original ao  buscar a virtude da simplicidade com uma linguagem coloquial e uma estrutura narrativa fragmentada em forma de diário, crônicas e diálogos, assumindo um tom autobiográfico,  como sugerido no criativo título do livro  e, principalmente, a coragem de expor os próprios sentimentos, gerando indentificação no leitor. A verdade é que sempre existe uma forma diferente de escrever sobre um mesmo assunto, principalmente se considerarmos as características de cada época e, certamente, a paixão continua sendo uma ...

Luiz Eduardo de Carvalho - Quadrilha

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Luiz Eduardo de Carvalho - Quadrilha - Editora Patuá - 260 Pág. - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação de Leonardo Mathias - Lançamento: 2020. Neste seu mais recente lançamento, depois do criativo romance epistolar  Xadrez (Editora Patuá, 2019), no qual dois jogadores-personagens trocam cartas com lances de uma partida que dura seis anos, cobrindo o período coincidente com o final dos governos militares e o início da transição para a abertura política no Brasil, Luiz Eduardo de Carvalho apresenta desta vez um romance de formato mais tradicional, contudo também com um contexto histórico e algumas peculiaridades narrativas. A cidade de São Paulo e suas transformações ao longo do tempo, assume um papel de protagonismo neste livro, desde a expansão da cafeicultura na segunda metade do século XIX, passando pela chegada dos imigrantes e a fase de industrialização e crescimento econômico no século XX, até a confusa situação atual, época de estagnação e indefinição política. Todas es...

Alberto Bresciani - Hidroavião

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Alberto Bresciani - Hidroavião - Editora Patuá - 152 Páginas - Projeto gráfico e diagramação: Alessandro Romio - Capa: Mariana Castro e Filipe Bresciani - Prefácio por Adriane Garcia e Posfácio por Cinthia Kriemler - Lançamento: 2020. Depois do excelente Fundamentos de ventilação e apneia , Alberto Bresciani consolida o seu nome no cenário da poesia brasileira contemporânea, lançando mais uma vez uma antologia com duas particularidades, um curioso título e um conceito bem definido.  Hidroavião é   dividido em três partes: Água , Terra e Ar , nos conduzindo por uma viagem onde sonho e realidade se confundem na rotina da nossa própria existência, como bem destacado pela também poeta Adriane Garcia em seu prefácio: "Exausto da luta diária de subir e descer a montanha, levando novamente a pedra, o poeta possui uma nave (poesia) incomum, com uma espécie de flutuador no casco. Do alto, a visão panorâmica permite que observe e registre os passos daqueles que o cercam – ou melhor – ...

Adriano de Paula Rabelo - Ouriço: senso incomum

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Adriano de Paula Rabelo - Ouriço: senso incomum - Editora Aglaia - 152 Páginas - Projeto gráfico, capa e editoração eletrônica de Pablo do Prado e Arnaldo Pires Bessa - Lançamento: 2019 Embora a publicação de coletâneas de máximas ou aforismos não seja uma prática comum no nosso mercado editorial, a literatura está cheia de exemplos de autores que se tornaram grandes frasistas, desafiando o senso comum com exercícios de inteligência, ironia e bom humor. Desde Jean de La Bruyère (1645-1696) e  Oscar Wilde (1854-1900) até Umberto Eco (1932-2016), são muitos os escritores que marcaram o pensamento da sua época.  O Brasil está bem representado nesta área com autores como Nelson Rodrigues (1912-1980), Otto Lara Resende (1922-1992) e  Millôr Fernandes (1923-2012), essa saudosa tríade sagrada da inteligência nacional. A jovem editora Aglaia aposta na força dos aforismos de Adriano de Paula Rabelo que, segundo a apresentação de Mario P. Zerbetto, Doutor em História pela USP...

William Shakespeare - A tragédia de HAMLET, príncipe da Dinamarca

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William Shakespeare - A tragédia de HAMLET, príncipe da Dinamarca - Tradução de Leonardo Afonso - Edito ra Chiado - 2 44 Páginas - Coleção Bastidor - Composição gráfica de Rui Revez - Capa de Isa Afonso - Lançamento: Abril, 2020.   O legado do poeta, dramaturgo e ator inglês William Shakespeare (1564-1616)  é fundamental não apenas para as artes e a  literatura inglesa, mas representa também uma grande influência para a cultura mundial, encenado e publicado em vários idiomas, está sempre originando novas adaptações para o teatro, cinema ou referências em diversas áreas da atividade humana, inclusive na psicanálise.  S egundo o renomado crítico Harold Bloom (1930-2019), um dos seguidores da "bardolatria", mais  do que uma força da natureza, o mestre William Shakespeare é a própria natureza:  "Em Shakespeare, não temos um sábio, nem um crente, mas uma consciência tão vasta que não tem, em absoluto, concorrente: seja em Cervantes ou Montaigne, em Freud ou Witt...

Ney Anderson - O espetáculo da ausência

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Ney Anderson - O espetáculo da ausência - Editora Patuá - 176 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação: Leonardo Mathias - Lançamento: 2020. Esta antologia de contos, livro de estreia do escritor, jornalista e crítico literário Ney Anderson, vem com um invejável e duplo certificado de qualidade: uma elogiosa apresentação de Raimundo Carrero, assim como um prefácio de Luiz Antonio de Assis Brasil, dois dos mais conhecidos e renomados escritores e mestres de escrita criativa em oficinas literárias no nosso país. Neste livro, o Recife é apresentado como uma cidade sombria e chuvosa, cenário de histórias no gênero fantástico onde os personagens sofrem com a violência urbana e o próprio vazio existencial em um constante espetáculo da ausência no qual a vida se transforma às vezes. Um corpo de mulher boiando no rio Capibaribe ou a misteriosa morte de um escritor que havia deixado um romance inédito em estilo hiper-realista, são exemplos de conexões entre os contos sutilmente deixa...

Cinthia Kriemler - O sêmen do rinoceronte branco

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Cinthia Kriemler - O sêmen do rinoceronte branco - Editora Patuá - 128 Páginas - Ilustração, Projeto gráfico e Diagramação de Leonardo Mathias - Lançamento: 2020. O sêmen do rinoceronte branco é o título de um dos melhores contos na mais recente antologia de Cinthia Kriemler, inspirada por um fato verídico ocorrido em 2018, quando Sudan, o último rinoceronte-branco do norte, morreu no Quênia aos 45 anos, por meio de eutanásia, em um  santuário natural – nada mais do que "um cativeiro cercado de boas intenções" – e o seu material genético foi congelado para o futuro. O conceito de extermínio é ampliado do s caçadores no Quênia – que promoveram a extinção desta majestosa subespécie – até os estupradores do Boko Haram na Nigéria, passando pela destruição na Síria, que gera refugiados como o pequeno Aylan Kurdi de apenas três anos, encontrado morto em uma praia na costa da Turquia, até os constantes assassinatos por "balas perdidas" no Morro do Alemão, Rio de Janeiro, ...

Diego Vinhas - Corvos contra a noite

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Diego Vinhas - Corvos contra a noite - Editora 7 Letras - 116 Páginas - Capa de Bruno Brum sobre mural Rage against the machine (Lisboa, 2012) de Daniel Eime - Lançamento: 2020. É preciso esperança e paciência para chegarmos ao final deste maldito ano de 2020, mas alerto que neste livro você não encontrará subterfúgio ou qualquer tipo de fuga da realidade, pelo contrário, aqui a poesia de Diego Vinhas não se conforma e avança contra as trevas, lançando um necessário grito de ódio contra a injustiça e arbitrariedade de um sistema cruel,  como no profético poema Ano do cachorro  que nos lembra o "peso faminto do real" tão presente em nosso tempo, particularmente neste "ano manco". Na apresentação de Tarso de Melo encontramos uma oportuna lembrança: "a poesia não é uma forma de fugir do mundo, mas sim de invadi-lo, de atacá-lo", particularmente em nosso caso – vivendo em u ma sociedade que normalmente prefere ignorar a realidade – torna-se ainda mais importa...

Zeka Sixx - Tudo o que poderíamos ter sido

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Zeka Sixx - Tudo o que poderíamos ter sido - Editora Coralina - 216 Páginas - Diagramação, projeto gráfico e capa: Angel Cabeza - Lançamento: 2020. Na cidade de Porto Alegre, em 2016, assim como em todo o país, ocorre um fenômeno de polarização política decorrente do processo de  impeachment de Dilma Rousseff com reações na sociedade brasileira oscilando entre a alienação e o ódio. É este o cenário no qual Zeka Sixx posiciona seus personagens, representantes de uma classe média sem esperanças e  vivendo em um eterno tempo presente de sexo, drogas e Rock'n Roll. O autor utiliza os recursos de uma linguagem coloquial e explícita, capturando a atenção do leitor com um estilo cinematográfico de alta velocidade narrativa, lembrando os textos de Clara Averbuck e a energia de Charles Bukowski. Cada capítulo é conduzido em primeira pessoa, alternando vozes femininas e masculinas e pode ser lido de forma independente como se fosse um conto mas, aos poucos, as relações entre os personag...