Boris Vian - Vou Cuspir no Seu Túmulo

Literatura francesaBoris Vian - Vou Cuspir no Seu Túmulo - Editora Nova Fronteira - 175 páginas - Publicação 1986 - Tradução de Onézio Paiva (fora de catálogo).

O performático existencialista francês Boris Vian (1920-1959), em sua curta, mas produtiva vida, foi escritor, dramaturgo, ator, crítico, músico de jazz e engenheiro, sendo mais conhecido no Brasil pelos seus romances L’écume des jours (A Espuma dos Dias) e J’irai cracher sur vos tombes (Vou Cuspir no Seu Túmulo). Sua arte, sempre de vanguarda, foi muito influenciada pela cultura americana, como é o caso deste romance que segue a linha noir de Raymond Chandler e Dashiel Hammet.

Em 1946, Boris Vian conversava com o editor Jean d´Halluin, quando ouviu deste o seguinte desabafo: "Ah! Se eu pudesse descobrir um best-seller americano!". Imediatamente Vian aceitou o desafio e, durante os quinze dias de suas férias, escreveu um romance carregado de erotismo, violência e racismo. O autor inventado deste romance foi Vernon Sullivan, sendo Boris Vian indicado apenas como "tradutor", mas nem por isso escapou à censura do livro e um processo judicial por infringir os bons costumes e a moral, sendo descartado pela crítica literária como uma cópia de autores americanos, principalmente de Henry Miller. O livro foi interditado e condenado pela justiça com uma multa de 100.000 francos para Boris Vian, mas circulou clandestinamente e trouxe uma fama ainda maior para o autor.

O tema central é a busca de vingança do absurdo personagem Lee Anderson que tem sangue negro, mas pele clara e cabelo louro, pelo assassinato de seu irmão mais novo por ter feito sexo com uma mulher branca. Para alcançar seu objetivo, Lee Anderson se emprega em uma livraria na pacata cidade de Buckton, enquanto se envolve com duas irmãs da alta sociedade preconceituosa local em uma sórdida relação de sexo e violência que acabará de forma trágica para todos. O próprio Boris Vian também, de certa forma, foi vítima desta história, pois morreu antes de completar quarenta anos, após um ataque cardíaco, quando assistia a uma adaptação cinematográfica deste livro.

Comentários

Chico disse…
Kovacs, acabei lendo esse livro ha uns dois anos atras, lancado pelo El Pais numa serie chamada Serie Negra - da qual tenho alguns numeros. O Vian era, se nao me engano um engenheiro e um grande admirador de Jazz. Lembro do protagonista do "Vou cuspir.." como sendo um tipo extremamente rancoroso num livro - talvez pelas carateristicas bem mostradas por voce - sugestivamente violento.
Kovacs disse…
Chico, bastante violento como no trecho a seguir: "Afinal, passei a bater em seu rosto e acertei-lhe o maxilar com o punho direito; senti que seus dentes se partiam e continuei; queria que ela parasse de gritar (...)".
Barros disse…
Essa foi uma boa sacada. Está cada vez mais ousado nas suas escolhas.
Não conheço o cara, mas pelo seu post, já dá para imaginar.
Kovacs disse…
Barros, o performático Boris Vian produziu uma obra fantástica em várias áreas da cultura, nem sempre de caráter polêmico, como no caso em questão, mas sempre de vanguarda (publicou em vida 40 livros, entre os quais romances, contos, peças de teatro, poemas, ensaios, além de quase 500 canções - algumas com gravações disponíveis no you tube).
Maria Augusta disse…
Li "L'Ecume des Jours" há muitos anos, foi um livro que me marcou pelo seu surrealismo. Não conheço o "Vou cuspir no seu túmulo", vou anotá-lo na minha listinha de livros interessantes a ler.
Gostei de conhecer a história do Boris Vian, teu blog é recheado de informações interessantes.
Um abraço.
Kovacs disse…
Maria Augusta, ainda não li "L'Ecume des Jours" (A Espuma dos Dias), mas a crítica literária, em geral, resume esta obra como uma bela história de amor, radicalmente oposta, portanto, a "J’irai cracher sur vos tombes" (Vou Cuspir no Seu Túmulo). Obrigado pela visita e comentario sempre oportuno.
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