As 20 obras mais importantes da literatura alemã

Literatura alemã

O século XX trouxe muito sofrimento para o povo alemão. Duas guerras, destruição, divisão do país, muita dor, culpa e arrependimento ficaram refletidas em boa parte da literatura escrita neste século e ainda hoje. Vale lembrar que esta é uma relação de obras de caráter clássico, para uma seleção de autores alemães contemporâneos lançados em nosso país, recomendo visitar a página Literatura Alemã no Brasil mantida pelo Goethe Institut

Alguns autores desta relação, como Franz Kafka e Elias Canetti não são de nacionalidade germânica, mas escreveram seus livros em alemão. É uma pena que grande parte da produção literária da Alemanha não seja traduzida e lançada no Brasil com a devida regularidade.

Johann Wolfgang von Goethe
(01) Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774)
       Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)

Este romance epistolar é considerado o marco inicial do romantismo e teria provocado uma onda de suicídios na Europa atribuída à influência do personagem de Goethe, fenômeno que foi chamado na época de "efeito Werther". Sinopse da Editora: "Poucos livros tiveram a repercussão imediata que esse clássico conseguiu, certamente pela forma pungente, desabrida e catártica com que o protagonista evocado no título, Werther, figura da alta aristocracia germânica, destrincha o seu amor — na verdade, algo mais próximo à obsessão — que nutre pela bela Charlotte."


Friedrich Schiller (02) Os Bandoleiros (1781)
       Friedrich Schiller (1759-1805)

Uma peça em cinco atos considerada como um expoente do movimento Sturm und Drang (tempestade e ímpeto) na Alemanha. Sinopse da Editora: "A força da peça foi tão grande, seu impacto tão intenso, característico e subjetivo, que a imagem de Schiller ficou para sempre ligada à imagem de sua primeira obra. Embora tenha professado o classicismo de Weimar  junto com Goethe, na fase tardia de sua obra , Schiller seria sempre lembrado pelo fulgor juvenil e titânico d’Os bandoleiros, pela fúria selvagem, pelo ímpeto e pelo desespero de suas primeiras páginas."


  Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
(03) Contos dos Irmãos Grimm (1812)
       Jacob Grimm (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859)

Certamente a coletânea mais famosa de contos de fadas da literatura universal, incluindo clássicos do gênero como "João e Maria", "Chapeuzinho Vermelho" e "Branca de Neve"., para citar somente alguns. Sinopse da Editora: "Nem todos sabem da origem e do profundo significado cultural dessas narrativas populares. Talvez seja esse o maior mérito desta edição de 'Contos dos irmãos Grimm', que traz 53 histórias acompanhadas de belas ilustrações do mestre vitoriano Arthur Rackham (1867-1939) e apresentadas pelo prefácio da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés."


Franz Kafka
(04) O Processo (1925)
       Franz Kafka (1883-1924)

Imagino que existam muito poucas homenagens mais relevantes para um autor do que ter o próprio nome transformado em adjetivo pela importância e característica de sua obra, mesmo que este adjetivo tenha sido imortalizado como designação para situações irreais, desvios mentais ou simplesmente pesadelos. Foi assim que o escritor tcheco Franz Kafka, sempre escrevendo em alemão, com obras como "A Metamorfose" e "O Processo", originou a expressão "kafkiano"  Ler aqui a resenha completa do Mundo de K.


Rainer Maria Rilke
(05) Poemas (Antologia)
       Rainer Maria Rilke (1875-1926)

Nascido na Praga do Império Austro-Húngaro em 1875, hoje República Tcheca, o poeta Rainer Maria Rilke escreveu poemas em alemão e francês. Hoje é considerado o maior poeta de língua alemã desde Goethe. Sinopse da Editora: "Sua influência sobre a poesia moderna foi e continua sendo enorme. No Brasil, pode-se encontrá-lo em Cecília Meireles, no Vinicius de Moraes da juventude, mas sobretudo nos poetas da chamada Geração de 45. Como todo objeto de culto, esse Rilke aculturado provocou simpatias e antipatias exacerbadas, assim como se abastardou nas mãos de seguidores infinitamente menos hábeis."


Robert Musil
(06) O Homem sem Qualidades (1943)
       Robert Musil (1880-1942)

Romance inacabado, dividido em três partes e considerado como uma das obras mais importantes do do modernismo e um dos mais importantes da literatura alemã do século XX. Sinopse da Editora: "Ulrich vive diversas experiências, viaja ao exterior e, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, retorna a Viena. Convive com os mais diversos tipos humanos. Este romance-ensaio mostra a decadência dos valores vigentes até o início do século XX, marcando a perda de posição da Europa na decisão dos rumos políticos e econômicos mundiais."


Walter Benjamin
(07) O Anjo da História (Antologia)
       Walter Benjamin (1892-1940)

Walter Benjamin foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo alemão de origem judaica. Sinopse da Editora: "Um dos mais importantes pensadores do século XX, viveu durante a expansão industrial europeia e sofreu com o terror da guerra nazista, que o perseguia por ser filho de judeus. Nesse contexto um tanto caótico, o filósofo captou a essência de sua época para refletir, ao longo de duas décadas, sobre o progresso e sobre a história. Suas ideias e teses sobre estes e outros assuntos estão reunidas nesta obra, com esmeradas tradução e edição de João Barrento."


Demian
(08) Demian (1919)
       Hermann Hesse (1877-1962)

Prêmio Nobel de Literatura de 1946, Herman Hesse é um dos autores alemães mais populares em todo o mundo. Sinopse da Editora: "Emil Sinclair é um jovem atormentado pela falta de respostas às suas questões sobre o mundo. Ao conhecer Max Demian, um colega de classe precoce e carismático, Sinclair se rebela contra a convenções de seu tempo e embarca em uma jornada de descobertas. (...) Influenciado pelas ideias de Carl Jung, fundador da psicologia analítica, Hesse descreve o processo de busca do indivíduo pela realização interior e pelo autoconhecimento."


Thomas Mann
(09) A Montanha Mágica (1924)
       Thomas Mann (1875-1955)

Prêmio Nobel de Literatura de 1929, Thomas Mann é considerado um dos maiores romancistas do século XX. Sinopse da Editora: "Neste clássico da literatura alemã, Mann renova a tradição do Bildungsroman — o romance de formação — a partir da trajetória do jovem engenheiro Hans Castorp. Durante uma inesperada estadia de sete anos em um sanatório para tuberculosos nos Alpes suíços, Hans relaciona-se com uma miríade de personagens enfermos que encarnam os conflitos espirituais e ideológicos que antecedem a Primeira Guerra Mundial."


Stefan Zweig
(10) Novelas insólitas (Antologia)
       Stefan Zweig (1881-1942)

Stefan Zweig foi um escritor, romancista, poeta, dramaturgo, jornalista e biógrafo austríaco de origem judaica. Suicidou-se durante seu exílio no Brasil, deprimido com a expansão da barbárie nazista pela Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. Sinopse da Editora: "Selecionadas por Alberto Dines, jornalista e biógrafo de Zweig, Novelas insólitas conta também com prefácio e textos adicionais, em que ele comenta cada uma das novelas, por vezes em análises pioneiras, e contextualiza sua produção e como foram recebidas."


Bertolt Brecht
(11) Teatro Completo (Antologia)
       Bertolt Brecht (1898-1956)

Brecht foi dramaturgo, poeta e encenador. sua obra influenciou o teatro contemporâneo, tornando-o mundialmente conhecido a partir das apresentações de sua companhia o Berliner Ensemble realizadas em Paris durante os anos 1954 e 1955. Sinopse da Editora: "Um dos maiores autores do século XX Bertolt Brecht revolucionou o teatro moderno como autor e diretor. Seu trabalho transfigurou a estética e deu ao teatro e seus personagens a capacidade de construir e compreender a importância do pensamento e do conteúdo da ação política, da consciência e dos diretos humanos."


Alfred Döblin
(12) Berlin Alexanderplatz (1929)
       Alfred Döblin (1878-1957)

Alfred Döblin foi romancista e poeta ligado ao movimento Expressionista alemão. Sinopse da Editora: "Berlim, década de 1920. Um cidadão, após cumprir pena durante quatro anos por assassinato, vê-se livre para começar uma nova vida. No entanto, a única convicção que Franz Biberkopf — personagem central desta obra — tem é a de se tornar e se manter decente. No início, guiado por esse forte sentimento, ele consegue andar no caminho do bem — até que algo acontece, ele não sabe dizer o quê, e sua vida acaba seguindo um rumo diferente, mais adverso."


Erich Maria Remarque
(13) Nada de Novo no Front (1929)
       Erich Maria Remarque (1898-1970)

Remarque foi um veterano da primeira guerra mundial e conta os horrores da guerra. O livro vendeu um milhão de cópias em menos de um ano na Alemanha. Sinopse da Editora: "Paul Baumer é filho de uma humilde família alemã durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Convencido de seu dever patriótico por adultos e professores, abandona os bancos escolares e junta-se às trincheiras de soldados alemães. Em pouco tempo, Paul se vê cercado por um ambiente de horror, vê meninos como ele perecerem e percebe que trocou a sua juventude por uma única e cruel certeza: a do absurdo da guerra, esteja-se do lado que se estiver."


Elias Canetti
(14) Auto-de-Fé (1935) - Fora de catálogo no Brasil
       Elias Canetti (1905-1994)

Prêmio Nobel de Literatura de 1981, Elias Canetti foi um romancista e ensaísta de nacionalidade búlgara e britânica que escrevia em língua alemã (esta capa é da edição da extinta Cosac Naify). Sinopse da Editora: "Centrada nos temas do isolamento, fanatismo, destruição e autodestruição, a obra foi banida pelo nazismo e tratada por Thomas Mann como um livro à frente de seu tempo. Peter Kien, o protagonista, é filólogo e sinólogo, grande conhecedor das línguas antigas, embora incapaz de penetrar os problemas contemporâneos."


Hannah Arendt
(15) A Condição Humana (1958)
       Hannah Arendt (1906-1975)

Hannah Arendt foi uma pensadora e filósofa alemã de origem judaica de grande influência no século XX. Sinopse da Editora: "A versão definitiva de 'A Condição Humana', mais que uma resposta à pergunta sobre como e por que foi possível o totalitarismo, e mais que um exame da relação entre totalitarismo e tradição, converteu-se em uma fenomenologia das atividades humanas fundamentais no âmbito da vida ativa  o trabalho, a obra ou fabricação e a ação."



Günter Grass
(16) O Tambor (1959)
       Günter Grass (1927-2015)

Romance de estreia de Günter Grass, o livro tornou-se muito popular em todo o mundo, promovendo o autor que foi vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1999. Sinopse da Editora: "O tambor é considerado por muitos o melhor romance sobre o dilaceramento do mundo alemão no pós-guerra. O livro conta a história de um anão que, ao tocar seu tambor, ressuscita suas lembranças, as de sua família e de seu país, agitando um universo grotesco e misterioso cuja lógica não é deste mundo."


Heinrich Böll(17) A Honra Perdida de Katharina Blum (1974) - Inédito no Brasil
       Heinrich Böll (1917-1985)

Prêmio Nobel de Literatura de 1972, Heinrich Böll foi romancista, autor de contos, poesias e peças teatrais. Sinopse da Editora (Portugal): "A história de uma mulher simples que vê o seu nome arrastado na lama em consequência de uma diabólica maquinação que vai destruir a sua existência ou a denúncia vigorosa de mitos e monstros do nosso mundo que convivem conosco e nos devoram sem que disso nos apercebamos. Obra notável de um grande escritor adaptado para o cinema."


Reiner Kunze (18) Poemas (Antologia) - Inédito no Brasil
       Reiner Kunze (1933- )

Reiner Kunze é poeta e escritor. Foi dissidente e crítico do regime da antiga Alemanha Oriental, sendo tradicionalmente comparado a Bertold Brecht por sua oposição ao totalitarismo. Infelizmente e inexplicavelmente  ainda está inédito no Brasil  Ler aqui postagem do Mundo de K sobre o autor e sua linda estética da concisão, elaborada com base em edições de Portugal.



Herta Müller (19) Tudo o Que Tenho Levo Comigo (2009)
       Herta Müller (1953- )

Prêmio Nobel de Literatura de 2009, Herta Müller é romancista, poeta, ensaísta e tradutora alemã, nascida na Romênia. Sinopse da Editora: "Fim da guerra, 1945. Para a minoria alemã na Romênia é o início de um período de horror e silêncio. Nos cinco anos seguintes, por volta de 30 mil saxões residentes na Transilvânia foram deportados para campos de trabalhos forçados. Segundo Stálin, os povos de origem alemã deveriam pagar pelos crimes da guerra e trabalhar na reconstrução da União Soviética. Os campos caracterizaram-se por condições desumanas e insalubres, e os ex-internos preferiram esquecer o que aconteceu ali."



 Ingo Schulze(20) Vidas Novas (2005) - Fora de catálogo no Brasil
       Ingo Schulze (1962-)

Ingo Schulze é de uma geração que cresceu em uma nação dividida. Nascido em 1962 na Alemanha Oriental e comunista, Schulze só começou a escrever após a queda do Muro de Berlim em 1989 
(esta capa é da edição da extinta Cosac Naify). Sinopse da Editora: "Schulze, que no livro encarna o personagem de um editor, organiza a correspondência do protagonista Enrico Türner com a irmã Vera, o amigo de infância Johann e a fotógrafa Nicoletta Hansen, que vivem na Alemanha Ocidental. Enrico, que mora no lado socialista e quer ser escritor, troca seus sonhos literários pela fundação de um império jornalístico. Nas cartas, escritas entre janeiro e julho de 1990, o leitor acompanha os processos de uma nova realidade social, desencadeados pelas mudanças históricas."
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